Mais um vÍdeo depois de tanto tempo... Sei que estou faltosa, mas este não poderia deixar que faltasse aqui. Trata-se de meu mais velho num momento tiete de um programa que ele adora - o ICARLY da nick-.
A história é a seguinte: o tal do ICARLY é uma série de tv infanto-juvenil norte americana (bastante divertida, eu confesso), que no final exibe os vídeos que foram enviados pelos espectadores pelo site ICARLY.COM. Como mãe coruja que sou e bom fã que ele é, resolvemos fazer um vídeo do meu popstar para enviar ao programa. O resultado está bastante divertido, mas o site está com problemas técnicos e por isso não conseguimos enviá-lo... Na verdade acho que eles não recebem vídeos de outros países... ... ...
Então para não privar os espectadores em potencial do talento do meu maior, aqui vai nossa super produção
segunda-feira, 19 de outubro de 2009
sexta-feira, 7 de agosto de 2009
"DEUS É QUÍMICA"
Ontem, 6 de agosto, aconteceu um evento raro: fui ao teatro com meu marido. Vou repetir: fui ao teatro com meu marido! Só eu e ele, sem filhos e para assistir um espetáculo de gente grande... Enquanto escrevo isso, me cresce uma vontade boba de exclamar "CARACA" !! Enfim, fomos ao teatro,nós dois mais como um casal do que como pais (estou repetindo de novo porque já é hoje, já são nove da noite e ainda estou achando o máximo) graças a um convite que ganhamos de uma amiga.
O título da peça “Deus é química”, cujo texto de inspiração em um conto de Jorge Mautner, é de Fernanda torres. No elenco estão a própria Fernanda Torres (batman), Luís Fernando Guimarães (robin), Francisco Cuoco, o próprio Jorge Mautner e mais uma galera bem apanhada. CARACA!! (Não resisti).
A sessão numa quinta feira às nove era uma pré estréia fechada para a eletrobrás que é patrocinadora do espetáculo (o marido de nossa abençoada amiga é funcionário da eletrobrás). Tudo ótimo, tudo acertado e lá fomos.
Chegamos cedo porque a primeira instrução era que precisaríamos trocar o convite por ingressos um pouco antes do horário de abertura do teatro. Lá estávamos nós dois ,eu e meu marido, na fila, quando ficamos sabendo que não seria preciso trocar os ingressos. Como era uma sessão fechada a platéia era livre. Maravilha, poderíamos sentar onde bem entendêssemos. Tudo continuava ótimo quando me ocorreu um pensamento bastante besta: “isso vai ser um grande ensaião com platéia”... Passou, não dei atenção para minha antecipação crítica e continuei serelepe na fila, louca entrar.
Uns quantos passos e entramos. Lugares escolhidos, primeiro sinal, depois o segundo, em seguida vieram os avisos e agradecimentos, dentre os quais um MUITO OBRGADO ao presidente da eletrobrás.
Vamos lá, começa o espetáculo:
“Primeiro ato”diz um narrador sentado em uma cadeira no canto do palco e aí
Um parêntesis, antes de começar tudo, comentei com meu marido que devia tratar-se de um texto muito divertido e bem doidão com a cara da Fernanda Torres mesmo... Depois explico o porque deste encaixe... ... Tenham paciência ou parem de ler, isso vai demorar.
E aí que todos em cena, exceto os músicos, estavam com seus textos em punho. Bufei por dentro, mas vamos lá.
Lá fomos. O texto é como eu pensava divertido e bem doidão. E agora esclareço minha interrupção anterior. Quando já saíamos do teatro, um grupo de pessoas à nossa frente conversava sobre como eles se surpreenderam porque esperavam - “uma coisa mais tipo OS NORMAIS”, assim disseram. Como eu disse antes, sem talvez ter deixado muito claro, não era nem de longe isso que eu esperava, algo como OS NORMAIS. Pensei em um texto com o jeitão da Fernanda Torres. À maneira dela, às maneiras dela. Refiro-me às formas semelhantes que ela imprime à muitos de seus personagens, entre tonalidades, tons, movimentos, expressões e palavrões indiscutivelmente marcantes em suas atuações cômicas, que acabam por ser as mais conhecidas.
É claro que não há como (e no caso do texto não havia também porque) suprimir os anos de trabalho e de sucesso com Luis Fernando Guimarães. Há alguns trejeitos de OS NORMAIS, sim, mas não definem a montagem e se encaixam muito bem. Está certo que também não a engrandecem, mas porque não perpetuar a graça já conhecida e tão adorada? Em time que está ganhando não se mexe e esse time ganha de goleada sempre, então valeu.
Volto à meu estado bufante ao ver os atores com texto em punho.
Antes mais um comentário fora de seqüência, peço que prestem atenção ao fato de ter nomeado meu estado irritadiço de “bufante”. Não tenho a menor idéia se tal adjetivo existe, mas dane-se. Quero apenas que ilustre o fato de que eu bufava e não arfava. De arfante basta o Francisco Cuoco, que, justiça seja feita é até um bom ator, mas já foi um ótimo ator. Hoje é tanto "arf arf arf" para cada palavra que ele pronuncia, que fica difícil não parecer que ele está fazendo a mesmíssima coisa há alguns anos: alguém que acabou de subir vinte lances de escada correndo. Perdoe a crueldade, mas agora já era.
Então, eu bufava por dentro. Primeiro confirmei comigo o pensamento lá da fila: de fato vai ser um ensaio geral.. Depois, aliei-me a meu lado mais romântico e idealista. Pensei que talvez fosse uma nova tendência da tão festejada pós modernidade, mais uma dentre as infinitas possíveis e cabíveis linguagens do Teatro. Uma espécie de leitura expressiva acompanhada de percussão e boa graça, minimalista no cenário, revelando no trabalho preciso de luzes o trabalho incrível dos atores e componentes de criar-nos a ilusão perfeita de qualquer coisa quase apenas com as palavras e as caras dadas a elas. Ah! Espetacular. De fato era em certa (boa) medida tudo isso, mas...
Mas acontece que meu lado romântico e idealista tem andado bastante fraco diante de meu estado de críticas mordazes e recalcadas... E aí..
E aí que tudo valeu mesmo mesmo a pena, mas com uma cara de ensaio. O texto foi lido até pelo menos a metade do espetáculo, Cuoco, enrolado na baba de todo o arf arf, perdeu-se umas quantas vezes e ouvia-se nitidamente o ponto a soprar-lhe a cola de suas falas, Jorge Mautner, adorável mas estranhamente duro como se fora um ator principiante,antecipava-se às falas dos colegas entrecortando embaraçosamente alguns poucos dos muitos momentos risíveis. Tudo isso resolvia-se volta e meia com a velha tática de suspensão da realidade fingida na história contada. Num momento somos platéia de uma história, assistimos a um casal no apartamento, o pedido de pizza, o vizinho homen bomba, ... ... ... texto vai, texto vem tudo correndo como já dito mas muito bom (ainda que não tenha parecido), agora casacos de neve, uma cordilheira gelada ao fundo e ... “ah gente, peraí só um minutinho, ô contra-regra, me ajuda aqui com esse microfone que a situação ta difícil” diz Luis Fernando Guimarães fazendo graça. Pronto, agora somos outra coisa qualquer que parece ter um grau de intimidade maior e tudo fica desculpado... Funciona, é claro. Eu mesma me escangalhei de rir.
Entretanto, não pude deixar de pensar que tudo estava um pouco com jeito de descaso com aquela platéia de gratuidades. O MUITO OBRIGADO ao Presidente da Eletrobrás em certo momento ecoou na minha cabecinha cheia de chatices, soando sarcástico e aí aquilo tudo por um breve momento chegou a beirar o desrespeitoso.
Perguntei-me se na sessão de sexta feira, aberta ao público pagante, os textos estariam em punho, se seriam necessários os sopros do ponto e se o contra-regra seria convocado em voz tão alta. Será?
Porque não? Talvez seja esse exatamente o formato pretendido, para todos os públicos.
Não vou saber se ninguém disser, não porque não pagaria para assistir tal peça de novo, mas porque como disse lá no comecinho é raro eu ter a chance de sair a sós com meu marido, e quando aparecer outra oportunidade mais vale ver algo diferente da vez anterior. Assim sendo, por favor me interem dessa fofoca os que lá forem e aqui vierem.
Esclareço que gostei muito do que vi, ri de perder o ar. Recomendo e espero mesmo que seja um espetáculo de sucesso. Tem grande valor.
É só que eu sou irritante e cansativa desse jeito que sou.. ...
Bom, depois de uma postagem desse tamanho, no Domingo eu talvez não volte. Passei dos limites, né?!
O título da peça “Deus é química”, cujo texto de inspiração em um conto de Jorge Mautner, é de Fernanda torres. No elenco estão a própria Fernanda Torres (batman), Luís Fernando Guimarães (robin), Francisco Cuoco, o próprio Jorge Mautner e mais uma galera bem apanhada. CARACA!! (Não resisti).
A sessão numa quinta feira às nove era uma pré estréia fechada para a eletrobrás que é patrocinadora do espetáculo (o marido de nossa abençoada amiga é funcionário da eletrobrás). Tudo ótimo, tudo acertado e lá fomos.
Chegamos cedo porque a primeira instrução era que precisaríamos trocar o convite por ingressos um pouco antes do horário de abertura do teatro. Lá estávamos nós dois ,eu e meu marido, na fila, quando ficamos sabendo que não seria preciso trocar os ingressos. Como era uma sessão fechada a platéia era livre. Maravilha, poderíamos sentar onde bem entendêssemos. Tudo continuava ótimo quando me ocorreu um pensamento bastante besta: “isso vai ser um grande ensaião com platéia”... Passou, não dei atenção para minha antecipação crítica e continuei serelepe na fila, louca entrar.
Uns quantos passos e entramos. Lugares escolhidos, primeiro sinal, depois o segundo, em seguida vieram os avisos e agradecimentos, dentre os quais um MUITO OBRGADO ao presidente da eletrobrás.
Vamos lá, começa o espetáculo:
“Primeiro ato”diz um narrador sentado em uma cadeira no canto do palco e aí
Um parêntesis, antes de começar tudo, comentei com meu marido que devia tratar-se de um texto muito divertido e bem doidão com a cara da Fernanda Torres mesmo... Depois explico o porque deste encaixe... ... Tenham paciência ou parem de ler, isso vai demorar.
E aí que todos em cena, exceto os músicos, estavam com seus textos em punho. Bufei por dentro, mas vamos lá.
Lá fomos. O texto é como eu pensava divertido e bem doidão. E agora esclareço minha interrupção anterior. Quando já saíamos do teatro, um grupo de pessoas à nossa frente conversava sobre como eles se surpreenderam porque esperavam - “uma coisa mais tipo OS NORMAIS”, assim disseram. Como eu disse antes, sem talvez ter deixado muito claro, não era nem de longe isso que eu esperava, algo como OS NORMAIS. Pensei em um texto com o jeitão da Fernanda Torres. À maneira dela, às maneiras dela. Refiro-me às formas semelhantes que ela imprime à muitos de seus personagens, entre tonalidades, tons, movimentos, expressões e palavrões indiscutivelmente marcantes em suas atuações cômicas, que acabam por ser as mais conhecidas.
É claro que não há como (e no caso do texto não havia também porque) suprimir os anos de trabalho e de sucesso com Luis Fernando Guimarães. Há alguns trejeitos de OS NORMAIS, sim, mas não definem a montagem e se encaixam muito bem. Está certo que também não a engrandecem, mas porque não perpetuar a graça já conhecida e tão adorada? Em time que está ganhando não se mexe e esse time ganha de goleada sempre, então valeu.
Volto à meu estado bufante ao ver os atores com texto em punho.
Antes mais um comentário fora de seqüência, peço que prestem atenção ao fato de ter nomeado meu estado irritadiço de “bufante”. Não tenho a menor idéia se tal adjetivo existe, mas dane-se. Quero apenas que ilustre o fato de que eu bufava e não arfava. De arfante basta o Francisco Cuoco, que, justiça seja feita é até um bom ator, mas já foi um ótimo ator. Hoje é tanto "arf arf arf" para cada palavra que ele pronuncia, que fica difícil não parecer que ele está fazendo a mesmíssima coisa há alguns anos: alguém que acabou de subir vinte lances de escada correndo. Perdoe a crueldade, mas agora já era.
Então, eu bufava por dentro. Primeiro confirmei comigo o pensamento lá da fila: de fato vai ser um ensaio geral.. Depois, aliei-me a meu lado mais romântico e idealista. Pensei que talvez fosse uma nova tendência da tão festejada pós modernidade, mais uma dentre as infinitas possíveis e cabíveis linguagens do Teatro. Uma espécie de leitura expressiva acompanhada de percussão e boa graça, minimalista no cenário, revelando no trabalho preciso de luzes o trabalho incrível dos atores e componentes de criar-nos a ilusão perfeita de qualquer coisa quase apenas com as palavras e as caras dadas a elas. Ah! Espetacular. De fato era em certa (boa) medida tudo isso, mas...
Mas acontece que meu lado romântico e idealista tem andado bastante fraco diante de meu estado de críticas mordazes e recalcadas... E aí..
E aí que tudo valeu mesmo mesmo a pena, mas com uma cara de ensaio. O texto foi lido até pelo menos a metade do espetáculo, Cuoco, enrolado na baba de todo o arf arf, perdeu-se umas quantas vezes e ouvia-se nitidamente o ponto a soprar-lhe a cola de suas falas, Jorge Mautner, adorável mas estranhamente duro como se fora um ator principiante,antecipava-se às falas dos colegas entrecortando embaraçosamente alguns poucos dos muitos momentos risíveis. Tudo isso resolvia-se volta e meia com a velha tática de suspensão da realidade fingida na história contada. Num momento somos platéia de uma história, assistimos a um casal no apartamento, o pedido de pizza, o vizinho homen bomba, ... ... ... texto vai, texto vem tudo correndo como já dito mas muito bom (ainda que não tenha parecido), agora casacos de neve, uma cordilheira gelada ao fundo e ... “ah gente, peraí só um minutinho, ô contra-regra, me ajuda aqui com esse microfone que a situação ta difícil” diz Luis Fernando Guimarães fazendo graça. Pronto, agora somos outra coisa qualquer que parece ter um grau de intimidade maior e tudo fica desculpado... Funciona, é claro. Eu mesma me escangalhei de rir.
Entretanto, não pude deixar de pensar que tudo estava um pouco com jeito de descaso com aquela platéia de gratuidades. O MUITO OBRIGADO ao Presidente da Eletrobrás em certo momento ecoou na minha cabecinha cheia de chatices, soando sarcástico e aí aquilo tudo por um breve momento chegou a beirar o desrespeitoso.
Perguntei-me se na sessão de sexta feira, aberta ao público pagante, os textos estariam em punho, se seriam necessários os sopros do ponto e se o contra-regra seria convocado em voz tão alta. Será?
Porque não? Talvez seja esse exatamente o formato pretendido, para todos os públicos.
Não vou saber se ninguém disser, não porque não pagaria para assistir tal peça de novo, mas porque como disse lá no comecinho é raro eu ter a chance de sair a sós com meu marido, e quando aparecer outra oportunidade mais vale ver algo diferente da vez anterior. Assim sendo, por favor me interem dessa fofoca os que lá forem e aqui vierem.
Esclareço que gostei muito do que vi, ri de perder o ar. Recomendo e espero mesmo que seja um espetáculo de sucesso. Tem grande valor.
É só que eu sou irritante e cansativa desse jeito que sou.. ...
Bom, depois de uma postagem desse tamanho, no Domingo eu talvez não volte. Passei dos limites, né?!
domingo, 2 de agosto de 2009
MEIO ANO E DUAS EPIDEMIAS DEPOIS...
Meio ano e duas epidemias depois aqui estamos. Já é Agosto (de novo com letra maiúscúla porque é mês de aniversário de um dos meus), meio ano se foi voando e logo logo a outra metade se fará, ao que parece.
Confesso que torço para que assim seja. Explico: desde que começou há três anos a loucura da dengue, que passo o verão torcendo para que passe logo o verão.
Este ano, passado o verão veio a nova onda epidêmica da modernidade - a gripe ex-suína atual e avassaladora gripeA. Veio e permanece hospedada por aqui. Infelizmente o título desta postagem é falho em sugerir que já tenhamos passado por ela para cá estarmos.
Enfim, fica, em meio a toda a confusão, meu desejo de que toda a confusão se torne passado em breve, ou seja, estou torcendo para que passe logo o inverno!
E agora, o que mais? Quando mais?
Sempre amanhã e depois e o tempo que virá e outro depois dele e de verdade verdadeira... nunca... ou para sempre ou sempre para depois. E agora?
Agora como está, escola fechada, férias antecipadas e na hora de voltar adiadas, as crianças em casa, vitamina c, casacos, álcool gel e todo o arsenal paranóico-preventivo que couber dentro da sanidade mental que vai se tornando um conceito cada vez mais elástico dadas as circunstâncias.
Na medida do possível dorme mais um domingo de nariz entupido e de sabe-se lá quantas mães à beira da cama esforçando-se para ouvir com precisão o tom da tosse de seus filhos, levando-lhes a mão à testa umas quantas vezes e, já cansadas, torcendo por fim junto comigo para que passe logo o inverno.
Queira Deus que acorde uma segunda feira novinha em folha respirando a plenos pulmões a nova vida, mesma de todo dia de novo, agora para melhorar sempre e mais.
Mais um dia, menos um e para ambos os casos, o copo meio vazio ou meio cheio, alegria e alívio e lá vamos nós!Vamos?
domingo, 5 de julho de 2009
UM MONTE DE COISAS, COISA NENHUMA
Definitivamente domingo não é um bom dia para um compromisso rotineiro. Domingo passado mais uma vez daqui faltei e este por pouco não vai para as cucuias com esta página.
Segunda também não dá, terça pode até ser, quarta não sei, quinta é véspera de sexta, sexta é sexta... Bom, veremos quando.
Veremos também sobre o que... Estou bastante sem assunto. Coisa minha, né, porque assunto é o que não falta. Air bus, Michael Jackson, Farrah Fawcet, o acidente da van... ... Está certo que sobre Michael Jackson não vale muito a pena perder tempo nem gastar linha alguma, palavras ou mesmo uma letrinha sequer. Perdoem-me, ou melhor, que se danem os fanáticos, mas o superastro.pop.racista.pedófilo.anoréxico.infeliz.endividado.neurótico e tantas outras coisitas mais, só fez foi morrer “na contramão atrapalhando o trânsito”. Por conta disso a pobrezinha da linda atriz lutadora talentosa divertida e engajada tomou no cu (literalmente... foi mal o trocadilho, mas não resisti) e teve sua morte contemplada por dois ou três minutinhos de Fantástico e uma notinha de jornal, depois de ter guerreado contra um raro tipo de cancêr por três anos cansativos.
Ah, pronto falei! Bom, quem sabe isso não aumenta os acessos?! Ao digitarem o super nome super pop no super site de busca, meu humilde e irregular blog talvez figure entre as possibilidades de pesquisa.... página1.999.999.999 de 2.000.000.000 kkkkkk kkkkkkk
Fora isso to meio assim ta tudo às tortas, mas indo. Morreram o esquisito e a pantera, o louco, retardado e ilegal motorista porrou com a van num caminhão reboque que estava parado, quatro crianças morreram, ele foi preso sob fiança e disse em rede nacional que pretende continuar fazendo transporte infantil, e teve o avião, mas isso é notícia velha, passado.
Mais um domingo ou outro dia qualquer, uns dois ou três e tudo isso vira história. O cantor vira um clássico imortalizado em edições especiais de DVDS para colecionadores, a beldade vira poeira, o motorista continua dirigindo, as buscas terminam e viram um best seller jornalístico sobre um misterioso acidente. Presente e passado, nesse perder contínuo das relevâncias são conceitos muito voláteis, e como álcool na pele depois de um sopro, evaporam deixando um medo gélido das coisas serem como simplesmente são. E aí que muito assunto e muito pouco para dizer ... ...
Até outro dia
Segunda também não dá, terça pode até ser, quarta não sei, quinta é véspera de sexta, sexta é sexta... Bom, veremos quando.
Veremos também sobre o que... Estou bastante sem assunto. Coisa minha, né, porque assunto é o que não falta. Air bus, Michael Jackson, Farrah Fawcet, o acidente da van... ... Está certo que sobre Michael Jackson não vale muito a pena perder tempo nem gastar linha alguma, palavras ou mesmo uma letrinha sequer. Perdoem-me, ou melhor, que se danem os fanáticos, mas o superastro.pop.racista.pedófilo.anoréxico.infeliz.endividado.neurótico e tantas outras coisitas mais, só fez foi morrer “na contramão atrapalhando o trânsito”. Por conta disso a pobrezinha da linda atriz lutadora talentosa divertida e engajada tomou no cu (literalmente... foi mal o trocadilho, mas não resisti) e teve sua morte contemplada por dois ou três minutinhos de Fantástico e uma notinha de jornal, depois de ter guerreado contra um raro tipo de cancêr por três anos cansativos.
Ah, pronto falei! Bom, quem sabe isso não aumenta os acessos?! Ao digitarem o super nome super pop no super site de busca, meu humilde e irregular blog talvez figure entre as possibilidades de pesquisa.... página1.999.999.999 de 2.000.000.000 kkkkkk kkkkkkk
Fora isso to meio assim ta tudo às tortas, mas indo. Morreram o esquisito e a pantera, o louco, retardado e ilegal motorista porrou com a van num caminhão reboque que estava parado, quatro crianças morreram, ele foi preso sob fiança e disse em rede nacional que pretende continuar fazendo transporte infantil, e teve o avião, mas isso é notícia velha, passado.
Mais um domingo ou outro dia qualquer, uns dois ou três e tudo isso vira história. O cantor vira um clássico imortalizado em edições especiais de DVDS para colecionadores, a beldade vira poeira, o motorista continua dirigindo, as buscas terminam e viram um best seller jornalístico sobre um misterioso acidente. Presente e passado, nesse perder contínuo das relevâncias são conceitos muito voláteis, e como álcool na pele depois de um sopro, evaporam deixando um medo gélido das coisas serem como simplesmente são. E aí que muito assunto e muito pouco para dizer ... ...
Até outro dia
p.s. Uma coisinha que vale muito a pena registrar, na quinta feira, dia 03.07.09, nasceu Maria Clara, a princesinha de minha grande amiga Marina. Bjs nocês, moças!
domingo, 21 de junho de 2009
FÔLEGO
Dos meus dias de bailarina, resta-me uma vontade de rodopiar em uma demorada pirueta tripla. É uma vontade sorridente de girar e girar e de, enquanto giro, ir levantando os braços soltos e devagar até que cheguem ao céu, suaves.
Poucas vezes nos meus dias de bailarina consegui dar piruetas triplas, mas hoje as quero como se fossem naturais de mim. Há dias em que as desejo para depois num movimento bruto tender largada ao chão e há outros em que, abusada, sonho quicar de leve o pé de base no chão e pondo-o de novo em meia ponta, girar uma vez mais num promenade tão demorado que meu tronco se entorte ao voltear.
Tenho sentido essas vontades muito frequentemente de uns tempos para cá. Qualquer dia, sozinha e sem música mesmo, vou tentar. Para rir que seja...
Nesses dias em que me imagino em rodopios infinitos é como se tomasse um fôlego demorado, desses de fechar os olhos e suspirar no final, depois de ter esvaziado os pulmões de todo o ar, de todo o mal, de toda angústia, toda ansiedade, toda euforia que beire o histérico, todo choro entrecortado, todo riso gargalhado demais quando for vazio, tudo.
Aí ffffffffffffffffffffffffffffffffff ... vazia, puxo todo todo o ar que posso, abro os olhos e pronto! Estou, de novo, pronta para a eventual angústia que me trouxer a vida em meio à correria urbana, a ansiedade das tentativas de acompanhar o pique da vida corrida, as euforias momentâneas dos breves ou prolongados sucessos no corre corre, ou a euforia em êxtase diária de depois de toda loucura voltar para os filhos amados,pronta. Pronta para chorar se doer muito ou muito profundamente, e para rir gargalhadamente mesmo quando for vazio, porque tudo isso é isso mesmo que é. É isso mesmo que sou, mesmo quando estou em processo de aprender a chorar menos e de não rir de tudo ou o tempo todo.
Tudo isso, confesso um pouco envergonhada, sonho bailarina com um fundo musical cafoninha de leve (bastante cafona, digamos), mas que inspira esses rodopios em devaneios de retomada de um passado efêmero de sapatilhas e hoje ouvi essa música... Por isso esse papo meio sem pé nem cabeça... ... ... BANDOLIM de Osvaldo Montenegro.
domingo, 17 de maio de 2009
BALA DE GOMA
Além das fotos, que desde meu penúltimo retorno decidi postar, achei de deixar vez por outra um vídeo também.
Este me pareceu uma boa estréia!
Atenção, não parem por aqui. Abaixo segue a postagem desta semana.
Volta incerta
Sem muitas garantias de retomar a regularidade desta página, aqui estou numa volta incerta para dizer o quanto me diverti ao inadvertidamente voltar. Como vocês sabem, meus leitores contam-se (com folga) nos dedos de uma das mãos... Valeu, pai, irmãos e tia pela frequência... ... Sendo assim, considerando que são raros os casos de familiares diretos passarem a odiar uns aos outros por falta de umas linhas aqui e ali, e estando eu deveras cansada nessa correria diária acabei deixando pra lá esse canto meu. Mas, ao voltar deparei-me com uma risonha insistência de pedidos por meu retorno que achei que valiam agradecer. Obrigada!Além do cansaço algumas outras razões enumero para justificar minha ausência. Advirto que algumas são normais e esperadas, como o próprio cansaço que não canso de repetir porque de fato é razão que abunda (e nesse caso prejudica), outras são meio chatas e outras ainda positivas.
. problemas com:
a empregada
a organização da casa
mudança de horário no trabalho
gripe
tpm
. O "FEIRÃO DA CASA PRÓPRIA" e a sobrecarga de trabalho sobre minha pessoa que ele representa
. A correria deliciosa que foi minha maratona de dia das mães, que incluiu
o torneio de futebol do meu mais velho
um evento maravilhoso na escola dos meninos
um telefonema logo cedo de uns vinte minutos para minha mãe
um almoço na casa da minha sogra, com muitas mães, risada e a criançada toda
um café na casa do meu pai com petit fours muito saborosos, minha amada vovó, minha tiadrinha, minha irmã, minha tia babeth brevemente, minha madastra, os meninos, meu marido, meu pai uma e fantástica torta de chocolate com morangos
ufa!
Tanta coisa que acaba que no fim da semana, nas últimas horas dos domingos, eu já ronco profundamente depois de não ter tido chance nas horas anteriores de sentar-me diante do computador e produzir.
Hoje cá estou relativamente cedo porque o mais novo já dorme e o mais velho se distrai com a televisão.
Entretanto, eu tenho uma penca de coisas para fazer e por isso... tchau!
Até a próxima... ... ... quem sabe
domingo, 12 de abril de 2009
DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL - IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA
Figura entre as coisas pelas quais eu tinha fascínio quando era pequena e boba. Eu achava o máximo pessoas que diziam “ah, estou sem tempo” ou “não tenho tempo para isso, ou aquilo ou para nada!” e não via a hora de chegar minha vez de ter que declarar imposto.
Coisa de criança e criança bem tola, não? Pois é... O tempo passa, voa, a poupança Bamerindus foi para as cucuias e eis que cresci, não encontro tempo para mais quase nada e declaro imposto e, sinceramente, não vejo a menor graça! Aliás algumas vezes é uma piada de muito mau gosto essa de virar gente grande.
Os dias encurtam, ninguém faz a nossa comidinha, arruma nossa cama, ou passa e dobra nossas roupas, a não ser que a gente pague, as noites ganham motivos aqui e ali para serem mal dormidas, e todo ano tem a declaração de ajuste anual do imposto de renda. Dolorida, dolorosa, dispendiosa (mais a cada ano) e decepcionante, mas não vou eu gastar aqui linhas e mais sobre tudo o que já se tem dito sobre esse vil compromisso anual. Vim só para dizer da minha inocência absurda aos ,sei lá, 10, 12, 13 de idade e da minha posterior triste constatação da realidade sem graça de não ter tempo (ou $$$) para tudo que queremos ou gostaríamos de fazer e perdermos o pouco tempo (ou $$$) que temos com a declaração de ajuste anual do imposto de renda .
Você já fez a sua?
Coisa de criança e criança bem tola, não? Pois é... O tempo passa, voa, a poupança Bamerindus foi para as cucuias e eis que cresci, não encontro tempo para mais quase nada e declaro imposto e, sinceramente, não vejo a menor graça! Aliás algumas vezes é uma piada de muito mau gosto essa de virar gente grande.
Os dias encurtam, ninguém faz a nossa comidinha, arruma nossa cama, ou passa e dobra nossas roupas, a não ser que a gente pague, as noites ganham motivos aqui e ali para serem mal dormidas, e todo ano tem a declaração de ajuste anual do imposto de renda. Dolorida, dolorosa, dispendiosa (mais a cada ano) e decepcionante, mas não vou eu gastar aqui linhas e mais sobre tudo o que já se tem dito sobre esse vil compromisso anual. Vim só para dizer da minha inocência absurda aos ,sei lá, 10, 12, 13 de idade e da minha posterior triste constatação da realidade sem graça de não ter tempo (ou $$$) para tudo que queremos ou gostaríamos de fazer e perdermos o pouco tempo (ou $$$) que temos com a declaração de ajuste anual do imposto de renda .
Você já fez a sua?
CLICHÊ E DESESPERO
Tenho pensado muito ultimamente sobre o que é isso que sinto por CHICO BUARQUE. É imenso. Imenso que me preencha e me incomode. Existe uma pessoa, o CHICO, que só de pensar naqueles olhos me acalmo, diluo, me disfaço indisfarçavelmente, diante do mais fugaz vislumbrar de seu par de olhos. Mesmo que azuis não fossem eu deles morreria em amores. Alguma coisa naquele rosto, naquela voz que trazem aquelas suas palavras que não sei. Não faço a menor idéia. Nunca nunca que fui de tietar. Olhava com desdém o desvairado fanatismo das amigas dadas ao exagero de pôsteres na parede do quarto. Mesmo de CHICO nunca tive uma foto em caderno que fosse. Uma vezinha só, em bricadeira da edição de maio do jornal da escola, escolhi ele por meu noivo ideal... Mas juro com os pés colados que foi leve, leve. Brincadeira e só. Nem em sonho nenhum pensei de casar com ele e só uma vez o vi de perto, assim, do outro lado da rua em frente ao GARCIA E RODIGUES no Leblon. Deus do céu, foi êxtase puro! Meu pai vinha falando comigo e até parei de ouvir. Na horinha mesmo fiquei sem mais nada, nem voz, nem atenção. Por dentro um histerismo taquicárdico "O CHICO, O CHICO, O CHICO". Acabou. Foi só isso. Me ocupa um baita de um espação, quando penso nele. Não é o tempo todo, nem todo o dia, nem todos os dias, é de vez em quando, mas quando é ...é um negócio.
Até hoje desde que fui apresentada a seus cantares e contos só senti raiva uma vez. Eu (crítica) detestando aquela chatice que me soou sem harmonia nenhuma, do "ela faz cinema, ela faz cinema..."Argh! Colo os pés de novo que não teve ponta de ciúme, só desgostei mesmo.
Desse espaço todo que me toma conta, guardo umas histórias minhas, umas conversas boas, um bocado de coisas, tudas mais, muito mais, para boas. Num dos cantinhos entretanto, fica uma coisa ou outra que me enfurecem um tantinho, umas coisas que eu não sou normalmente, mas que com o CHICO na levada, mudo toda.
Me chateia a idéia disso que sinto cair no clichê universal de mulheres serem loucas por Chico Buarque. Ora essa, não é obsessão mas também não é só isso não... O delas com letra maiúscula, que respeito muito o sentimento de todas, mas o meu em caixa alta! Vê só, fico logo boba. Por exemplo, manifesto-me enfurecida contra covardes agressores de mulheres, mas um dia disseram-me que CHICO batia em Marieta e eu nem nada...Muito feio, eu sei, mas fazer o que... Não senti nem um tiquinho de raiva. Cheguei a forçar desilusão, mas não veio, nunca que chegou. Mais feio que isso é inveja e inveja senti seca de minha rmã, e confessei, ao ver foto em seu quarto de um show dele que ela fora. Não, eu nunca fui a um mísero showzinho daqueles olhos, aquela voz que trazem aquelas suas palavras.
A verdade verdadeira é que hoje já sei sentir-me feliz por minha irmã, mas em alguma caverna de mim se esconde ainda uma pontada viscosa dessa invejazinha boba, que me escapa feito peixe vivo cada vez que tento capturá-lo a tentar dar fim a essa prosa de vez por todas. Ainda bem que sabe minha irmã do quanto gosto dela, senão podia até entristecer.
Marido meu nem se incomoda, ou tenta não se incomodar e debocha dos meus olhos a brilhar mais diante daqueles olhos, aquela voz a trazer aquelas suas palavras.
Encho o peito de ar a não mais poder e quase suspiro caricata, como num filme romântico de segunda(ai-ai). Depois passa, me ocupo de novo de todas as outras coisas e sabe-se lá quando evoco CHICO de novo a me desfazer e apaziguar os ânimos.
Que será que é isso tudo que não dói feito amor as vezes e não desfaz feito papel molhado?
domingo, 5 de abril de 2009
ONBUDSMAN 01- BREVE EXEMPLO-
Há poucas coisas que faço atualmente que se relacionam com a faculdade que cursei: Letras.
Como a modéstia me excede dentre as atitudes que pratico, não considero que este blog seja uma delas. Para falar a verdade seria muitíssimo pretencioso se o considerasse relacionado diretamente às Letras que cursei. Para os que estiverem pensando em dizer "ah, que isso, o blog tem tudo a ver com alguém que fez faculdade de Letras e blá blá blá", admito antes que o digam que sim, INDIRETAMENTE tem a ver com o curso mencionado, afinal trata-se de escrever, de produzir linhas para serem lidas e só por isso.
Como a modéstia me excede dentre as atitudes que pratico, não considero que este blog seja uma delas. Para falar a verdade seria muitíssimo pretencioso se o considerasse relacionado diretamente às Letras que cursei. Para os que estiverem pensando em dizer "ah, que isso, o blog tem tudo a ver com alguém que fez faculdade de Letras e blá blá blá", admito antes que o digam que sim, INDIRETAMENTE tem a ver com o curso mencionado, afinal trata-se de escrever, de produzir linhas para serem lidas e só por isso.
O que quero dizer é que, desconsiderando o blog, que tenho estabelecido como atividade semanal, restam-me apenas uma(zinha) ou duas (pequenas) atividades ou programações relacionadas ao tema e sem nenhuma regularidade.
Dentre essas esparsas e esporádicas retomadas literárias, encontra-se assistir vez por outra o programa ESPAÇO ABERTO LITERATURA, apresentado por Ediney Silvestre.
Antes de prosseguir, parei por um instante tomando folego. Pensei em talvez, antes de despejar, perguntar se algum dos meus dois ou três leitores conhece o programa, se já o assistiu. Ou talvez eu deva dar uma fuxicada na internet primeiro para saber o que há por lá sobre o programa . Pode ser que o que penso a respeito dele, ou o que tenho sentido vontade de dizer sobre ele já tenha sido dito...mas melhor (ou muito pior) não. Pode ser que eu desanime de dizer também, e aí vou ficar sem assunto neste domingo, devendo mais uma postagem...
Sem mais enrolação, lá vou eu. Tudo começou com um excelente programa em que o citado jornalista entrevistava autores e autoras, algumas vezes criava debates com editores, e durante a entrevista lia algumas linhas dos entrevistados.
Quase tudo seguiu do mesmo jeito, o programa continua ótimo, a escolha dos entrevistados é, na maioria das vezes (dentre as que consigo assistir), impecável, mas... ... ... Mas as leituras de Ediney Silvestre, desculpem, PUTA QUE PARIU! (Foi mal, pai, mas não tinha outro jeito).
Não sei o que ouve no meio do caminho, mas desconfio que tenham sido os elogios. Da maneira como tudo começou, era previsível que o formato fosse ganhar alto conceito e que o apresentador fosse ganhar terreno como literato.
Dentre essas esparsas e esporádicas retomadas literárias, encontra-se assistir vez por outra o programa ESPAÇO ABERTO LITERATURA, apresentado por Ediney Silvestre.
Antes de prosseguir, parei por um instante tomando folego. Pensei em talvez, antes de despejar, perguntar se algum dos meus dois ou três leitores conhece o programa, se já o assistiu. Ou talvez eu deva dar uma fuxicada na internet primeiro para saber o que há por lá sobre o programa . Pode ser que o que penso a respeito dele, ou o que tenho sentido vontade de dizer sobre ele já tenha sido dito...mas melhor (ou muito pior) não. Pode ser que eu desanime de dizer também, e aí vou ficar sem assunto neste domingo, devendo mais uma postagem...
Sem mais enrolação, lá vou eu. Tudo começou com um excelente programa em que o citado jornalista entrevistava autores e autoras, algumas vezes criava debates com editores, e durante a entrevista lia algumas linhas dos entrevistados.
Quase tudo seguiu do mesmo jeito, o programa continua ótimo, a escolha dos entrevistados é, na maioria das vezes (dentre as que consigo assistir), impecável, mas... ... ... Mas as leituras de Ediney Silvestre, desculpem, PUTA QUE PARIU! (Foi mal, pai, mas não tinha outro jeito).
Não sei o que ouve no meio do caminho, mas desconfio que tenham sido os elogios. Da maneira como tudo começou, era previsível que o formato fosse ganhar alto conceito e que o apresentador fosse ganhar terreno como literato.
A entonação no princípio, tinha força, verdade, dava carga emotiva às palavras lidas, tinha envolvimento com o texto. Depois, não consigo entender muito bem como, todas as leituras ficaram iguais, sem cor, sem força, todas exatamente com o mesmíssimo ritmo. Parece que uma única fórmula foi escolhida para ser aplicada a inúmeras variáveis.
Tudo ficou com um jeitão de voz de café em livraria, sabe como? Aqueles papos entre pretensos intelectuais, falando meio baixo, meio querendo que os outros ouçam suas brilhantes formulações, num ritmo pausado e com respirações mais demoradas sobrepostas às falas , como quem busca no âmago o grande final para cada frase. AAAAAAAAAAAIIIIIII,como eu sou chata!
Desculpa, aí, Silvestre, perdoe se peguei pesado demais.
Tudo ficou com um jeitão de voz de café em livraria, sabe como? Aqueles papos entre pretensos intelectuais, falando meio baixo, meio querendo que os outros ouçam suas brilhantes formulações, num ritmo pausado e com respirações mais demoradas sobrepostas às falas , como quem busca no âmago o grande final para cada frase. AAAAAAAAAAAIIIIIII,como eu sou chata!
Desculpa, aí, Silvestre, perdoe se peguei pesado demais.
Acho uma pena. Com esse tom definitivo que ele adotou, o programa ficou mais travado, ficou formal, pomposo demais. Em vez de ampliar o acesso à literaturas de qualidade, reforçou o status literário elitista.
Por vezes Ediney soa mesmo pedante com seu olhar (clichesérrimo) blasé apontado para o entrevistado, com suas mãos entrelaçadas sobre a mesa e acenando com a cabeça como quem compreende em profundidade a complexidade e as minúcias daquela criação artística. Oh!
As vezes nem é nada disso, mas quem, diante de um cenário destes, de um interlocutor direto tão tchan, vai assumir que "não, na verdade escrever esse livro foi muito tranquilo" ou "minha inspiração veio de uma bobagem bastante cotidiana", ou "olha, se eu te disser que nem sei como foi que isso aconteceu..."? O cara pode até dizer "escrever este romance foi um processo relativamente fácil", ou "Na verdade a idéia central veio de uma imagem bastante frívola" ou ainda "Eu comecei a obra com alguma insegurança mas ela acabou surgindo espontaneamente e foi acontecendo, em certa medida alheia a minha vontade"... E aí danou-se. Quem já não gosta do assunto, quando não vê verdade, muda de canal. Eu mesma confesso que algumas vezes mudei.
Alguns dirão depois de tudo isso "quem não gosta tem mais é que mudar de canal, mesmo" e é verdade, mas é verdade também que o programa tinha tudo para fomentar a literatura com alguma informalidade ainda que com muita classe e, na minha opinião, isso seria bem mais amplo e melhor do que apenas criar mais um espaço para um determinado restrito grupo de pessoas... Mas, ah, que bobagem, esta é só minha humilde opinião, se valesse a pena dar a ela ouvidos, eu estaria sendo lida por mais que três ou quatro (até que está aumentando).
Por vezes Ediney soa mesmo pedante com seu olhar (clichesérrimo) blasé apontado para o entrevistado, com suas mãos entrelaçadas sobre a mesa e acenando com a cabeça como quem compreende em profundidade a complexidade e as minúcias daquela criação artística. Oh!
As vezes nem é nada disso, mas quem, diante de um cenário destes, de um interlocutor direto tão tchan, vai assumir que "não, na verdade escrever esse livro foi muito tranquilo" ou "minha inspiração veio de uma bobagem bastante cotidiana", ou "olha, se eu te disser que nem sei como foi que isso aconteceu..."? O cara pode até dizer "escrever este romance foi um processo relativamente fácil", ou "Na verdade a idéia central veio de uma imagem bastante frívola" ou ainda "Eu comecei a obra com alguma insegurança mas ela acabou surgindo espontaneamente e foi acontecendo, em certa medida alheia a minha vontade"... E aí danou-se. Quem já não gosta do assunto, quando não vê verdade, muda de canal. Eu mesma confesso que algumas vezes mudei.
Alguns dirão depois de tudo isso "quem não gosta tem mais é que mudar de canal, mesmo" e é verdade, mas é verdade também que o programa tinha tudo para fomentar a literatura com alguma informalidade ainda que com muita classe e, na minha opinião, isso seria bem mais amplo e melhor do que apenas criar mais um espaço para um determinado restrito grupo de pessoas... Mas, ah, que bobagem, esta é só minha humilde opinião, se valesse a pena dar a ela ouvidos, eu estaria sendo lida por mais que três ou quatro (até que está aumentando).
segunda-feira, 30 de março de 2009
OPS, I DID IT AGAIN!
E então, já é segunda – feira. Mais uma vez lá se foi o domingo e mais uma vez teve um pouco a ver com filmes... Admito, entretanto, que poderia ter postado depois da sessão, mas ficou muito tarde e eu estava muito cansada e um pouco aflita pela segunda-feira atarantada que seria. E foi.
Desta vez me lembro dos filmes que me fizeram dispersar, porém confesso abestalhada, que deixarei alguns decepcionados ao dizê-los! Tudo bem, lá vai ... vou dizê-los rápido e depois explico:
OS BAD BOYS e na seqüência, como se não bastasse, OS BAD BOYS II.
PAUSA. LONGA PAUSA... ... ... CARETAS, SURPRESAS, DECEPÇÕES, O QUE VIER .
Agora já chega e me explico: Sim, eu gosto de filmes nesse estilo “ação descabida com exageros cinematográficos e explosões absurdas’. Adoro 007, aprendi de pequena a saborear as intrigas de Bond, James Bond. Assisto até hoje e não me canso de assistir de novo e mais uma vez Máquina mortífera, adoro aquele filme com o Mel Gibson e a Goldie Hawn que não lembro o nome agora, assisti vorazmente Missão impossível I e II e aguardei com ansiedade que o terceiro desse as caras no telecine . Sou louca também por Indiana Jones. Pronto contei! Contribuição indubitável de meu pai para minha cultura da telona ou do videocassete, que era só o que existia na época em que ele alugava filmes para ver comigo e com meu irmão ou nos levava ao cinema. Assim foi que, apesar de meu marido não acreditar, eu assisti no cinema com meu pai e meu irmão OS BAD BOYS.
Achei divertidíssimo rever esse título de 1995 no domingo que passou. As roupas, as falas, o exagero, a irritação que senti agora diante de um filme que pareceu-me barulhento como certamente não deve ter sido lá em 95 no cinema. Achei tudo mais descabido que o normal, muitos exageros, alguma vasta cafonice, mas ainda me diverti bastante. Comentei sobre as explosões todas e todo o blá blá blá alto demais e quando percebi estava diante do título que dava continuidade ao enredo, OS BAD BOYS II. Ávida por comparações entre os dois, filmados com oito anos de intervalo, e procurando sutilezas que marcassem toda essa distância temporal , pus-me congelada diante da TV a ver sem piscar Martin Lawrence e Will Smith em presepadas sem fim no melhor estilo True lies (que a propósito consagrou todas as produções do tipo, justamente ao ironiza-las e que eu amo).
Pronto, aí está porque não ontem eu pude estar aqui. Perdoem-me os leitores que possam estar achando ser péssimo meu gosto, mas essa foi a mais pura verdade desse domingo que passou.
Caso ajude a melhorar meu conceito, deixo dito e bem claro, que não é só desses filmes que gosto. Um pouco antes de OS BAD BOYS, na tarde do mesmo domingo por exemplo, eu revi LADO A LADO (Susan Sarandom e Julia Roberts). E embora esse filme faça parte de um outro grupo de produções também suspeitas, nesse caso pelo exagerado apelo dramático como constituinte principal do enredo, há que ser reconhecida a versatilidade das minhas escolhas no último 29 de março.
Não se espantem os que estiverem a tentar me desvendar ou descobrir aqui como me vou contando nesse espaço. Tendo dito da contribuição paternal dos filmes que gosto, seria injusto não mencionar a maternal, que tende justamente para obras como LADO A LADO.
No caminho entre uma coisa e outra, durante uma coisa e outra, apesar de uma coisa e outra e a partir de uma coisa e outra aos poucos fui buscando coisas minhas, filmes meus.
Nas próximas quem sabe trago outras confissões cinematográficas, para ver se rendem debates ou pavor. Por enquanto melhor ficar por aqui antes que pareça uma desocupada que passa os domingos diante do hipnotizador...
Desta vez me lembro dos filmes que me fizeram dispersar, porém confesso abestalhada, que deixarei alguns decepcionados ao dizê-los! Tudo bem, lá vai ... vou dizê-los rápido e depois explico:
OS BAD BOYS e na seqüência, como se não bastasse, OS BAD BOYS II.
PAUSA. LONGA PAUSA... ... ... CARETAS, SURPRESAS, DECEPÇÕES, O QUE VIER .
Agora já chega e me explico: Sim, eu gosto de filmes nesse estilo “ação descabida com exageros cinematográficos e explosões absurdas’. Adoro 007, aprendi de pequena a saborear as intrigas de Bond, James Bond. Assisto até hoje e não me canso de assistir de novo e mais uma vez Máquina mortífera, adoro aquele filme com o Mel Gibson e a Goldie Hawn que não lembro o nome agora, assisti vorazmente Missão impossível I e II e aguardei com ansiedade que o terceiro desse as caras no telecine . Sou louca também por Indiana Jones. Pronto contei! Contribuição indubitável de meu pai para minha cultura da telona ou do videocassete, que era só o que existia na época em que ele alugava filmes para ver comigo e com meu irmão ou nos levava ao cinema. Assim foi que, apesar de meu marido não acreditar, eu assisti no cinema com meu pai e meu irmão OS BAD BOYS.
Achei divertidíssimo rever esse título de 1995 no domingo que passou. As roupas, as falas, o exagero, a irritação que senti agora diante de um filme que pareceu-me barulhento como certamente não deve ter sido lá em 95 no cinema. Achei tudo mais descabido que o normal, muitos exageros, alguma vasta cafonice, mas ainda me diverti bastante. Comentei sobre as explosões todas e todo o blá blá blá alto demais e quando percebi estava diante do título que dava continuidade ao enredo, OS BAD BOYS II. Ávida por comparações entre os dois, filmados com oito anos de intervalo, e procurando sutilezas que marcassem toda essa distância temporal , pus-me congelada diante da TV a ver sem piscar Martin Lawrence e Will Smith em presepadas sem fim no melhor estilo True lies (que a propósito consagrou todas as produções do tipo, justamente ao ironiza-las e que eu amo).
Pronto, aí está porque não ontem eu pude estar aqui. Perdoem-me os leitores que possam estar achando ser péssimo meu gosto, mas essa foi a mais pura verdade desse domingo que passou.
Caso ajude a melhorar meu conceito, deixo dito e bem claro, que não é só desses filmes que gosto. Um pouco antes de OS BAD BOYS, na tarde do mesmo domingo por exemplo, eu revi LADO A LADO (Susan Sarandom e Julia Roberts). E embora esse filme faça parte de um outro grupo de produções também suspeitas, nesse caso pelo exagerado apelo dramático como constituinte principal do enredo, há que ser reconhecida a versatilidade das minhas escolhas no último 29 de março.
Não se espantem os que estiverem a tentar me desvendar ou descobrir aqui como me vou contando nesse espaço. Tendo dito da contribuição paternal dos filmes que gosto, seria injusto não mencionar a maternal, que tende justamente para obras como LADO A LADO.
No caminho entre uma coisa e outra, durante uma coisa e outra, apesar de uma coisa e outra e a partir de uma coisa e outra aos poucos fui buscando coisas minhas, filmes meus.
Nas próximas quem sabe trago outras confissões cinematográficas, para ver se rendem debates ou pavor. Por enquanto melhor ficar por aqui antes que pareça uma desocupada que passa os domingos diante do hipnotizador...
domingo, 22 de março de 2009
ONBUDSMAN
Ops! Fiquei devendo uma. Não foi intencional e nem teve nenhum motivo absurdo ou desculpa boa. Pura distração... Só me dei conta na segunda de que se passara o domingo.
Sou bastante concentrada, não diria que muito, mas bastante, porém algumas coisas me distraem além do normal. Filmes por exemplo. Formulando melhor, acho que não é exatamente distrair-me, pelo contrário é concentrar-me em coisas alheias à minha “rotina funcional” de mãe, esposa, funcionária, blogueira.
Diante de um filme, alheia à muitas coisas fico eu. Sendo bom, desligo-me porque não resisto ao enredo, aos personagens, à fotografia, às atuações, ao roteiro, etc. Sendo ruim, não resisto a ficar diante dele com quase a mesma vidração reclamando do enredo, dos personagens, da fotografia, das atuações, do roteiro, etc. Só não é exatamente com a mesma vidração, porque se no mesmo horário estiver passando um filme bom, eu abandono o porcaria. Fora isso eu pego pesado.
Domingo passado eu estava assistindo um filme no horário que deveria estar postando. Nesse caso acho até que foi distraidamente mesmo. Não me lembro nem que filme era (desculpas). Lembro que não gostei muito ou nada, mas só formulei alguma crítica na segunda, quando me dei conta de que passara o domingo e eu precisava de algum tema que justificasse minha falta por aqui. Depois passou e até esqueci.
Normalmente não é assim que acontece. Quando um filme não me agrada, guardo rancor, falo dele com raiva (quase babando) e exagero nas observações. Sou capaz de desmotivar o espectador mais voraz. Assim também é com música, livros... chata de cansar! Meu marido já sugeriu, na verdade declarou enfaticamente, que a profissão ideal para mim é a de ONBUDSMAN.
Confesso que até gostei da idéia. Receber críticas, elogios e sugestões, avaliá-los, avaliar pessoalmente o objeto de tais comentários recebidos e formular mais direta e efetivamente novas críticas. Para fins construtivos, meios um pouco cruéis.
Quem sabe qualquer dia exemplifico aqui minha gana em encontrar defeitos. Só para ilustrar, tenho amigas que se recusam a assistir TV comigo.
É claro que com isso vem a velha história de “quem não sabe fazer, critica (ou ensina)”, o que eu concordo em certa medida, mas com uma larga folga de bom senso e sem generalizações.
A crítica se origina de muitas maneiras. Dentre as mais famosas estão o conhecimento excessivo sobre determinado assunto apesar da incapacidade de realizá-lo, o conhecimento sobre determinado assunto justamente pela vasta experiência em tê-lo executado ou vivido, ou mesmo por arrogância e prepotência.
Eu, como não sou detentora de nenhum conhecimento profundo que não intuitivo sobre a maioria das coisas das quais reclamo, entre as três alternativas acima, teria que me enquadrar em arrogância e prepotência.
Reconheço entretanto, em minha própria defesa, que a intuição não é algo que deva ser desconsiderado ou desmerecido apesar de não ser sempre suficiente para acertar ou embasar um comentário crítico. E que as opções acima mencionadas ( totalmente inventadas intuitivamente por mim), não são as únicas centelhas para as boas e más críticas.
Enfim, enquanto não trago aqui a pessoa insuportável que sou diante do que não me agrada, declaro para os que me estiverem a ler procurando (e encontrando) buracos e falhas a serem preenchidos por críticas igualmente cruéis às minhas, que aguardo por ouvi-las ou lê-las com imensa ansiedade. Dependendo do dia e da crítica, vou reconhecer, me penitenciar e policiar ou assumir que sou isso mesmo e ferre-se, ou vou desgostosa declarar que é inveja pura! Pelo menos estou aqui, vez por outra, dando minhas linhas a tapas.
Sou bastante concentrada, não diria que muito, mas bastante, porém algumas coisas me distraem além do normal. Filmes por exemplo. Formulando melhor, acho que não é exatamente distrair-me, pelo contrário é concentrar-me em coisas alheias à minha “rotina funcional” de mãe, esposa, funcionária, blogueira.
Diante de um filme, alheia à muitas coisas fico eu. Sendo bom, desligo-me porque não resisto ao enredo, aos personagens, à fotografia, às atuações, ao roteiro, etc. Sendo ruim, não resisto a ficar diante dele com quase a mesma vidração reclamando do enredo, dos personagens, da fotografia, das atuações, do roteiro, etc. Só não é exatamente com a mesma vidração, porque se no mesmo horário estiver passando um filme bom, eu abandono o porcaria. Fora isso eu pego pesado.
Domingo passado eu estava assistindo um filme no horário que deveria estar postando. Nesse caso acho até que foi distraidamente mesmo. Não me lembro nem que filme era (desculpas). Lembro que não gostei muito ou nada, mas só formulei alguma crítica na segunda, quando me dei conta de que passara o domingo e eu precisava de algum tema que justificasse minha falta por aqui. Depois passou e até esqueci.
Normalmente não é assim que acontece. Quando um filme não me agrada, guardo rancor, falo dele com raiva (quase babando) e exagero nas observações. Sou capaz de desmotivar o espectador mais voraz. Assim também é com música, livros... chata de cansar! Meu marido já sugeriu, na verdade declarou enfaticamente, que a profissão ideal para mim é a de ONBUDSMAN.
Confesso que até gostei da idéia. Receber críticas, elogios e sugestões, avaliá-los, avaliar pessoalmente o objeto de tais comentários recebidos e formular mais direta e efetivamente novas críticas. Para fins construtivos, meios um pouco cruéis.
Quem sabe qualquer dia exemplifico aqui minha gana em encontrar defeitos. Só para ilustrar, tenho amigas que se recusam a assistir TV comigo.
É claro que com isso vem a velha história de “quem não sabe fazer, critica (ou ensina)”, o que eu concordo em certa medida, mas com uma larga folga de bom senso e sem generalizações.
A crítica se origina de muitas maneiras. Dentre as mais famosas estão o conhecimento excessivo sobre determinado assunto apesar da incapacidade de realizá-lo, o conhecimento sobre determinado assunto justamente pela vasta experiência em tê-lo executado ou vivido, ou mesmo por arrogância e prepotência.
Eu, como não sou detentora de nenhum conhecimento profundo que não intuitivo sobre a maioria das coisas das quais reclamo, entre as três alternativas acima, teria que me enquadrar em arrogância e prepotência.
Reconheço entretanto, em minha própria defesa, que a intuição não é algo que deva ser desconsiderado ou desmerecido apesar de não ser sempre suficiente para acertar ou embasar um comentário crítico. E que as opções acima mencionadas ( totalmente inventadas intuitivamente por mim), não são as únicas centelhas para as boas e más críticas.
Enfim, enquanto não trago aqui a pessoa insuportável que sou diante do que não me agrada, declaro para os que me estiverem a ler procurando (e encontrando) buracos e falhas a serem preenchidos por críticas igualmente cruéis às minhas, que aguardo por ouvi-las ou lê-las com imensa ansiedade. Dependendo do dia e da crítica, vou reconhecer, me penitenciar e policiar ou assumir que sou isso mesmo e ferre-se, ou vou desgostosa declarar que é inveja pura! Pelo menos estou aqui, vez por outra, dando minhas linhas a tapas.
domingo, 8 de março de 2009
9 DE MARÇO DE 2009
Escrever é de tudo um pouco. Assim como todas as coisas o são. Dizem alguns que é dom, outros que é um exercício e mais uns tantos que é um hábito caso se queira criá-lo e habituar-se a ele.
Para alguns é doloroso, Rachel de Queiroz declarou certa vez em entrevista que não gostava de fazê-lo, que sempre deixava seus textos que tinham prazo para cima da hora e os redigia a duras penas. Para alguns é e só. Vai saindo sem muito esforço, um pouco sem feder nem cheirar... Não sei se de fato ou se só da boca para fora. Nunca ouvi falar de nenhum dos grandes que desse jeito, a toa, tenham surgido suas linhas, mas quem sabe?!
Para uns escrever é inextricável à suas existências. Rainer Maria Rilke ao aconselhar o jovem poeta confuso de seu fazer poético, recomenda-lhe buscar consigo respostas sobre seu escrever e formula a primeira pergunta a ser feita: “morreria se lhe fosse vedado escrever?”. Adiante, depois do roteiro breve que sugere que o poeta tome adentro de si , alerta: “talvez se dê o caso de, após essa descida em si mesmo e em seu âmago solitário, ter o senhor de renunciar a se tornar poeta.” E acrescenta entre parêntesis “Basta, como já disse, sentir que se poderia viver sem escrever para não mais se ter o direito de fazê-lo.” Severo, mas dito com um cuidado quase paternal, à maneira Rilke, de quem humildemente aceita a tarefa proposta pelo rapaz. Fosse um desavisado de seu eleito conselheiro e mais temeroso que grato dos conselhos que pediu, teria talvez desistido da empreitada de dar-se a ler criticamente por Rainer Maria Rilke. Talvez não. Gosto muitíssimo desse livro e já faz anos que o li e que não o releio, mas guardo em algum lugar de mim um outro trecho que às pressas não consegui encontrar para citá-lo, o que pode significar que eu o tenha inventado, não sei... Enfim, era alguma coisa que me lembro lá pelas cartas finais, em que Rainer diz a seu leitor em tom de encerramento e com uma leveza infinita que, se ele ao acordar tinha por primeiro pensamento escrever, então era já um escritor.
Parecendo muito simples, mas a verdade é que raramente, ainda que tão íntimo, é simples quando se trata de escrever.
Em muitos casos é vital. Jorge de Sena em seu poema “Os trabalhos e os dias” relata escrever como quem respira, sentado à uma mesa como se diante do mundo todo estivesse. É grandioso, intenso e inevitável. Ter diante de si o mundo, é ter todas as coisas e nenhuma delas. No caso de Sena todas as pátrias e nenhuma por não ter a sua própria que não o quis por bem querer, mas isso fica para uma outra vez... Talvez.
São muitas coisas, assuntos demais e nenhum. A folha em branco por onde passou a formiga de Mário Quintana e só. Tudo que nela cabe e tudo que escapa a quem diante dela se vê.
João Ubaldo Ribeiro, diz meu Pai, como um atleta de palavras dedica-se à vinte páginas diárias, pelo menos, tenha o que dizer ou não. Exercita-se diante da primeira página em branco e tira de si vinte delas preenchidas como um maratonista apaixonado. Será? Não acho que meu pai tenha inventado um João Ubaldo absurdo, mas não sei até aonde é verdade. Também não acho que seja de todo uma mentira. Uma lorota bem intencionada pode ser... Essa história ele volta e meia repete antes de me aconselhar que escreva mais e mais e sempre, e que, quando me faltar o assunto eu escreva sobre não ter o que escrever.
Viu no que deu? Hoje, eu diante da página em branco e do compromisso dominical de minha postagem, falando disso que é escrever, que admiro e me arrisco e temo e deixo acontecer e batalho e não sei no que dá para os outros, mas que normalmente gosto para mim (pretensiosa), e vou preenchendo umas linhas e enchendo a página.
Nove de março (amanhã) é aniversário do meu pai e depois disso tudo ou disso nada, vou deixar aqui um beijo e agradecer o conselho que ele talvez tenha pensado que eu nem dava ouvidos. Um beijo e obrigada!
Para alguns é doloroso, Rachel de Queiroz declarou certa vez em entrevista que não gostava de fazê-lo, que sempre deixava seus textos que tinham prazo para cima da hora e os redigia a duras penas. Para alguns é e só. Vai saindo sem muito esforço, um pouco sem feder nem cheirar... Não sei se de fato ou se só da boca para fora. Nunca ouvi falar de nenhum dos grandes que desse jeito, a toa, tenham surgido suas linhas, mas quem sabe?!
Para uns escrever é inextricável à suas existências. Rainer Maria Rilke ao aconselhar o jovem poeta confuso de seu fazer poético, recomenda-lhe buscar consigo respostas sobre seu escrever e formula a primeira pergunta a ser feita: “morreria se lhe fosse vedado escrever?”. Adiante, depois do roteiro breve que sugere que o poeta tome adentro de si , alerta: “talvez se dê o caso de, após essa descida em si mesmo e em seu âmago solitário, ter o senhor de renunciar a se tornar poeta.” E acrescenta entre parêntesis “Basta, como já disse, sentir que se poderia viver sem escrever para não mais se ter o direito de fazê-lo.” Severo, mas dito com um cuidado quase paternal, à maneira Rilke, de quem humildemente aceita a tarefa proposta pelo rapaz. Fosse um desavisado de seu eleito conselheiro e mais temeroso que grato dos conselhos que pediu, teria talvez desistido da empreitada de dar-se a ler criticamente por Rainer Maria Rilke. Talvez não. Gosto muitíssimo desse livro e já faz anos que o li e que não o releio, mas guardo em algum lugar de mim um outro trecho que às pressas não consegui encontrar para citá-lo, o que pode significar que eu o tenha inventado, não sei... Enfim, era alguma coisa que me lembro lá pelas cartas finais, em que Rainer diz a seu leitor em tom de encerramento e com uma leveza infinita que, se ele ao acordar tinha por primeiro pensamento escrever, então era já um escritor.
Parecendo muito simples, mas a verdade é que raramente, ainda que tão íntimo, é simples quando se trata de escrever.
Em muitos casos é vital. Jorge de Sena em seu poema “Os trabalhos e os dias” relata escrever como quem respira, sentado à uma mesa como se diante do mundo todo estivesse. É grandioso, intenso e inevitável. Ter diante de si o mundo, é ter todas as coisas e nenhuma delas. No caso de Sena todas as pátrias e nenhuma por não ter a sua própria que não o quis por bem querer, mas isso fica para uma outra vez... Talvez.
São muitas coisas, assuntos demais e nenhum. A folha em branco por onde passou a formiga de Mário Quintana e só. Tudo que nela cabe e tudo que escapa a quem diante dela se vê.
João Ubaldo Ribeiro, diz meu Pai, como um atleta de palavras dedica-se à vinte páginas diárias, pelo menos, tenha o que dizer ou não. Exercita-se diante da primeira página em branco e tira de si vinte delas preenchidas como um maratonista apaixonado. Será? Não acho que meu pai tenha inventado um João Ubaldo absurdo, mas não sei até aonde é verdade. Também não acho que seja de todo uma mentira. Uma lorota bem intencionada pode ser... Essa história ele volta e meia repete antes de me aconselhar que escreva mais e mais e sempre, e que, quando me faltar o assunto eu escreva sobre não ter o que escrever.
Viu no que deu? Hoje, eu diante da página em branco e do compromisso dominical de minha postagem, falando disso que é escrever, que admiro e me arrisco e temo e deixo acontecer e batalho e não sei no que dá para os outros, mas que normalmente gosto para mim (pretensiosa), e vou preenchendo umas linhas e enchendo a página.
Nove de março (amanhã) é aniversário do meu pai e depois disso tudo ou disso nada, vou deixar aqui um beijo e agradecer o conselho que ele talvez tenha pensado que eu nem dava ouvidos. Um beijo e obrigada!
domingo, 1 de março de 2009
Meus filhos, meus tesouros. Dr. Delamare que me desculpe, mas copiei!
Danem-se minhas linhas anteriores, vou atacar pelo lado pessoal de novo! Estou até sentindo um pouco, porque prometera tentar não fazê-lo há tão pouco tempo e já não consegui por duas vezes (contando com esta). Desculpem. Só não sinto mais que só um pouco, porque trata-se de um bom motivo o que motiva essa recaída: Meu bebê 01 fez aniversário!
No último sábado, 28 de fevereiro, ele completou 6 (seis!) anos! MEU DEUS! Meu Deus, obrigada!
Seis anos se passaram de um tempo que me vai vaga a memória. Tanto ele me preencheu e ocupou, é claro, nesses últimos seis anos, que nem me lembro com exatidão do que era ser sem ele. Lembro que era diferente, lembro as vezes com alguma saudadezinha, não vou mentir, mas nunca com arrependimento.
Quando chegou meu pequeno, aprendi lições de uma grandeza infinita. Desaprendi umas tantas e temi mais um bocado de outras. Por mais que eu diga, por mais que se diga, que digam todos e todas, pais e mães, nunca ficará suficientemente dito o que é sê-lo,o que é tê-los, os filhos, essas coisas a que nos cedemos.
Sem querer puxar sardinha para o feminino dessa experiência, mas, nós mães que o sabemos tanto mais. Ainda assim sabemos aprendendo.
Essa coisinha que germina dentro da barriga, cresce, cresce, um belo dia sai e é inteiro. Sozinho. Precisa que dá gosto da gente, só para termos a ilusão de que é nosso, mas vai aprendendo, cresce, cresce, agora do lado de fora e aí a gente percebe que o mundo nos tomou foi de empréstimo, como se fossemos o ninho e a chocadeira. Com o tempo a casca em que tentamos mantê-los se rompe e depressa eles ganham o mundo pergunta a pergunta, tentativa a tentativa, surpresa a surpresa e em algumas decepções. Sozinhos, inteiros.
Seis anos se passaram e obviamente meu filhote 01 ainda não vai sair mundo afora, como muito menos o fez ano passado, apesar da minha preocupação registrada aqui a respeito da bicicleta que ele ganhara. Assim como ele poucas vezes se arriscou no presente de aro 20 de lá pra cá, eu agora apenas antecipo agoniada ao que ele há de fazer e que eu espero que assim seja, que ele conquiste o mundo, que venha a crescer saudável, desejoso de sair do ninhoeu e do ninhocasadamamãe, e que seja capaz de construir sua vida e que seja linda... Parece mais confuso do que realmente é, mas é complicado de sentir apesar de simples e natural.
É algo como pensá-los nossos, até os descobrirmos do mundo, aí os querermos de volta, mas sabendo-os de si próprios torcermos que conquistem sua melhor autonomia e os queremos ter formado habilmente para a liberdade (com responsabilidade preferimos). UFA!
Enfim, mais uma vez dei uma viajada aproveitando-me do aniversário do Bê! Foi mal, meu amor. FELIZ ANIVERSÁRIO.
Mamãe ama você tudo isso aí e mais infinito e assim mesmo, igualzinho, ama seu irmão.
Preparem-se, porque, se não antes, no aniversário do 02 eu provavelmente retomo esse tom apaixonado, meio bobo, muito viajandão e com certeza coruja.
No último sábado, 28 de fevereiro, ele completou 6 (seis!) anos! MEU DEUS! Meu Deus, obrigada!
Seis anos se passaram de um tempo que me vai vaga a memória. Tanto ele me preencheu e ocupou, é claro, nesses últimos seis anos, que nem me lembro com exatidão do que era ser sem ele. Lembro que era diferente, lembro as vezes com alguma saudadezinha, não vou mentir, mas nunca com arrependimento.
Quando chegou meu pequeno, aprendi lições de uma grandeza infinita. Desaprendi umas tantas e temi mais um bocado de outras. Por mais que eu diga, por mais que se diga, que digam todos e todas, pais e mães, nunca ficará suficientemente dito o que é sê-lo,o que é tê-los, os filhos, essas coisas a que nos cedemos.
Sem querer puxar sardinha para o feminino dessa experiência, mas, nós mães que o sabemos tanto mais. Ainda assim sabemos aprendendo.
Essa coisinha que germina dentro da barriga, cresce, cresce, um belo dia sai e é inteiro. Sozinho. Precisa que dá gosto da gente, só para termos a ilusão de que é nosso, mas vai aprendendo, cresce, cresce, agora do lado de fora e aí a gente percebe que o mundo nos tomou foi de empréstimo, como se fossemos o ninho e a chocadeira. Com o tempo a casca em que tentamos mantê-los se rompe e depressa eles ganham o mundo pergunta a pergunta, tentativa a tentativa, surpresa a surpresa e em algumas decepções. Sozinhos, inteiros.
Seis anos se passaram e obviamente meu filhote 01 ainda não vai sair mundo afora, como muito menos o fez ano passado, apesar da minha preocupação registrada aqui a respeito da bicicleta que ele ganhara. Assim como ele poucas vezes se arriscou no presente de aro 20 de lá pra cá, eu agora apenas antecipo agoniada ao que ele há de fazer e que eu espero que assim seja, que ele conquiste o mundo, que venha a crescer saudável, desejoso de sair do ninhoeu e do ninhocasadamamãe, e que seja capaz de construir sua vida e que seja linda... Parece mais confuso do que realmente é, mas é complicado de sentir apesar de simples e natural.
É algo como pensá-los nossos, até os descobrirmos do mundo, aí os querermos de volta, mas sabendo-os de si próprios torcermos que conquistem sua melhor autonomia e os queremos ter formado habilmente para a liberdade (com responsabilidade preferimos). UFA!
Enfim, mais uma vez dei uma viajada aproveitando-me do aniversário do Bê! Foi mal, meu amor. FELIZ ANIVERSÁRIO.
Mamãe ama você tudo isso aí e mais infinito e assim mesmo, igualzinho, ama seu irmão.
Preparem-se, porque, se não antes, no aniversário do 02 eu provavelmente retomo esse tom apaixonado, meio bobo, muito viajandão e com certeza coruja.
domingo, 15 de fevereiro de 2009
BREVE SUGESTÃO
Bom, vamos lá... Domingo, cá estou eu, nada de falar de assuntos pessoais e... Então, estou aqui me coçando para não mencionar que minha cabeça está levemente a mil porque meu mais novo está dodói. Ops, já mencionei, né?! Ai aiaiaiai, ser uma mãe coruja.
Certo, vou mudar de assunto. Vou tentar.
Passei a semana pensando no que trazer, que não fosse de foro íntimo e aí, como tinha deixado sugerido na última postagem, achei de talvez falar num filme. Tenho umas listas anotadas separadas por categorias de classificações minhas (pessoais), mas... nada muito recente. Acontece que eu não vou ao cinema já faz um tempo. A não ser para ver filmes cuja temática se destina aos seres divertidíssimos de pouca idade que são meus meninos e seus amiguinhos, numa tarde no shopping com telão e pipoca... Viu só, lá vai meu leme de novo a apontar para esses meus tesouros.
Enfim, as listas quem sabe as menciono aos poucos, mas hoje vou falar de música. Isso eu tenho conseguido atinar com algumas novidades dentro dos tipos que aprecio. Recentemente encontrei por acaso um CD da Luiza Possi, intitulado “A vida é mesmo agora” pelo qual me apaixonei. Não gosto de ser assim muito cheia de entusiasmo a respeito das coisas que gosto, porque acabo criando expectativas insuperáveis com meus excessos... Infelizmente não sei de uma vezinha sequer que eu tenha conseguido controlar este impulso de me empolgar e querer que outros partilhem do mesmo sentimento. Hoje não vai ser diferente. O repertório é surpreendente na diversidade de ritmos e na coincidência desavisada de assuntos. A versão de Tango de Nancy na voz dessa jovem encantadora é simplesmente o máximo. Dá vontade de passar o dia cantando. A música 9 (Mulher segundo meu pai) tem um não sei quê de não sei quê, que MEU DEUS!
Veja você minha humilde opinião é simplesmente de uma leiga ouvinte de gostares excessivos e ouvidos mareados de melodias tão díspares que talvez nem valha dar conta.
Porém, se você leitor amigo(kkkkk) quiser correr o risco de perder-se brevemente na voz aveludada da moça, esta recomendado.
Certo, vou mudar de assunto. Vou tentar.
Passei a semana pensando no que trazer, que não fosse de foro íntimo e aí, como tinha deixado sugerido na última postagem, achei de talvez falar num filme. Tenho umas listas anotadas separadas por categorias de classificações minhas (pessoais), mas... nada muito recente. Acontece que eu não vou ao cinema já faz um tempo. A não ser para ver filmes cuja temática se destina aos seres divertidíssimos de pouca idade que são meus meninos e seus amiguinhos, numa tarde no shopping com telão e pipoca... Viu só, lá vai meu leme de novo a apontar para esses meus tesouros.
Enfim, as listas quem sabe as menciono aos poucos, mas hoje vou falar de música. Isso eu tenho conseguido atinar com algumas novidades dentro dos tipos que aprecio. Recentemente encontrei por acaso um CD da Luiza Possi, intitulado “A vida é mesmo agora” pelo qual me apaixonei. Não gosto de ser assim muito cheia de entusiasmo a respeito das coisas que gosto, porque acabo criando expectativas insuperáveis com meus excessos... Infelizmente não sei de uma vezinha sequer que eu tenha conseguido controlar este impulso de me empolgar e querer que outros partilhem do mesmo sentimento. Hoje não vai ser diferente. O repertório é surpreendente na diversidade de ritmos e na coincidência desavisada de assuntos. A versão de Tango de Nancy na voz dessa jovem encantadora é simplesmente o máximo. Dá vontade de passar o dia cantando. A música 9 (Mulher segundo meu pai) tem um não sei quê de não sei quê, que MEU DEUS!
Veja você minha humilde opinião é simplesmente de uma leiga ouvinte de gostares excessivos e ouvidos mareados de melodias tão díspares que talvez nem valha dar conta.
Porém, se você leitor amigo(kkkkk) quiser correr o risco de perder-se brevemente na voz aveludada da moça, esta recomendado.
domingo, 8 de fevereiro de 2009
BREVE BAGUNÇA

Está certo, eu acabei de estabelecer uma nova ordem (postagem anterior), e já estou aqui a desordená-la... Não vai virar rotina essa segunda postagem, mas não podia deixar passar a primeira vez do meu mais novo no Maraca. A primeira visita do Bê, o mais velho, ao estádio foi registrada pela telinha, no intervalo da novela... Horário nobre! A do Tim foi hoje, junto conosco (é claro) e com os primos, dos quais dois vascaínos e um flARGHmenguista! - nada pessoal, lucca. Te adoro, mas seu timinho...- O jogo: FLUMINENSE X VASCO. Está certo também que foi um baita jogo de jagunço, feio de se ver tanto de lá quanto de cá. De um lado e de outro só tropeção, passes idiotas, faltas tolas e nada de motivo para festejar. Mesmo assim valeu para deixar essa bela foto e comemorar a estréia do pequeno!!
ORDEM NO BUTECO
Ai se eu tivesse retomado com o BLOG lá no comecinho das minhas férias... 12 de Janeiro (é mês e não deveria ter letra maiúscula eu sei, mas dá licença que é o meu mês e eu acho que merece!)... Teria tido mais tempo para ficar entupindo isso aqui de postagens. “Acabou-se o que era doce”, fim das férias minhas e dos meninos. Correria, salto alto, mochilas, uniformes, lanche, escola nova, esquema novo, empregada, medo, horários e breves ataques de ansiedade aqui e acolá. No meio disso tudo cadê tempo de sentar e mandar ver nesse blá blá blá meio vazio meio tão cheio de coisas que chega a ser revelador.
Não sei se fico cabisbaixa porque quase ninguém tem aparecido por aqui para me desvendar, ou se fico satisfeita porque estou começando a achar que tem informação demais por esses cantos...
O que sei é que, perdoem-me os esporádicos leitores, não me arrependo deveras de não ter retomado antes a brincadeira. Estava ocupadíssima com umas saborosas férias na primeira semana de dar inveja. Sozinha eu mais as crianças (que o papai querido viajou a trabalho), bolei uma cansativa programação que rendesse a eles boas histórias para contar na volta às aulas. Praia, praia, praia, cinema, praia, roda gigante da SKOL, praia, sol, amigos, zoológico, praia... ai ai vida difícil,não?! Claro que não! Ta doido? VIDÃO isso sim.
Muito, muito bom!!
Aí que ficou assim, só mais lá pro finzinho de tudo foi que voltei... Primeiro com a história do concurso de contos desse ano, depois um papinho aqui, uma lorota ali...
Enfim, o resto quem visita sabe. Quem não vinha antes, sinta-se convidado. Para ambos os grupos aviso entretanto, que vou começar a tentar botar um pouco de ordem no buteco. Para não passar minha semana, que já é um pouco entupida, me preocupando com minha baixa assiduidade neste espaço, vou postar apenas uma vez por semana. A princípio fica sendo domingo mesmo. E para não ficar espalhando aos quatro ventos conversas, segredos e rancores íntimos, vou me esforçar para tornar minoria as postagens pessoais . Não sei como vou fazer isso, de repente falo uma baboseira qq sobre um filme ou um livro... Sei lá mesmo... Vamos ver. Mas olha só, se vc é observador o suficiente deve ter notado alguns elementos suavizantes estrategicamente colocados nesse meu discurso: “tentar”, “A princípio”, “me esforçar”... Isso tudo pode mudar se de uma hora para outra eu resolver restaurar a desordem, sentir vontade de escrever numa quarta-feira, por exemplo, achar que o que quero mesmo é espalhar por aí o que vai se passando comigo ou me entregar ao esforço mínimo de falar de assuntos meus mesmo em vez de ficar catando coisas outras para tratar.
Então é isso. Se achar bom assim, pode vir! Se não, que se dane, pq por enquanto assim vai ser.
Não sei se fico cabisbaixa porque quase ninguém tem aparecido por aqui para me desvendar, ou se fico satisfeita porque estou começando a achar que tem informação demais por esses cantos...
O que sei é que, perdoem-me os esporádicos leitores, não me arrependo deveras de não ter retomado antes a brincadeira. Estava ocupadíssima com umas saborosas férias na primeira semana de dar inveja. Sozinha eu mais as crianças (que o papai querido viajou a trabalho), bolei uma cansativa programação que rendesse a eles boas histórias para contar na volta às aulas. Praia, praia, praia, cinema, praia, roda gigante da SKOL, praia, sol, amigos, zoológico, praia... ai ai vida difícil,não?! Claro que não! Ta doido? VIDÃO isso sim.
Muito, muito bom!!
Aí que ficou assim, só mais lá pro finzinho de tudo foi que voltei... Primeiro com a história do concurso de contos desse ano, depois um papinho aqui, uma lorota ali...
Enfim, o resto quem visita sabe. Quem não vinha antes, sinta-se convidado. Para ambos os grupos aviso entretanto, que vou começar a tentar botar um pouco de ordem no buteco. Para não passar minha semana, que já é um pouco entupida, me preocupando com minha baixa assiduidade neste espaço, vou postar apenas uma vez por semana. A princípio fica sendo domingo mesmo. E para não ficar espalhando aos quatro ventos conversas, segredos e rancores íntimos, vou me esforçar para tornar minoria as postagens pessoais . Não sei como vou fazer isso, de repente falo uma baboseira qq sobre um filme ou um livro... Sei lá mesmo... Vamos ver. Mas olha só, se vc é observador o suficiente deve ter notado alguns elementos suavizantes estrategicamente colocados nesse meu discurso: “tentar”, “A princípio”, “me esforçar”... Isso tudo pode mudar se de uma hora para outra eu resolver restaurar a desordem, sentir vontade de escrever numa quarta-feira, por exemplo, achar que o que quero mesmo é espalhar por aí o que vai se passando comigo ou me entregar ao esforço mínimo de falar de assuntos meus mesmo em vez de ficar catando coisas outras para tratar.
Então é isso. Se achar bom assim, pode vir! Se não, que se dane, pq por enquanto assim vai ser.
sábado, 31 de janeiro de 2009
CORUGICE
Até quando você quer que seus filhos sejam paparicados?
Todas as boas mães são corujas.Fato. Algumas mais que as outras, mas todas o são. Há as que querem para sempre os filhos a seu lado, as que os querem do mundo, as que os querem fortes, bravos, valentões, as que os preferem covardes, as que os querem sérios, caretas, fechados e as que os querem livres, viajantes. Umas preferem tê-los morando consigo e constroem uma casa nos fundos do quintal quando eles se casam e outras querem tê-los de visita. Há muitas outras ainda. Inumeráveis, infinitas, mas dentre todas por certo não há nenhuma que queira ter, ver ou saber de seus filhos maltratados.
Quantas entretanto reconhecem que muitas coisas constituem o crescimento real de seus filhos, inclusive os puxões de orelha, as broncas, os castigos que outras autoridades relacionadas aplicam à seus bebês?
Estou sendo muito vaga. Vamos a exemplos práticos:
Estava eu na primeira reunião de pais do novo colégio de meus filhos, uma reunião para conhecermos a equipe antes que começassem as aulas, quando eis que se apresenta a diretora...
Depois de passar um tempo maior que o cabível falando de si, do seu nome, de como era conhecida e tentando dar grandiosidade à sua formação como normalista ( não vi nada de muito grandioso nisso, pelo contrário pareceu-me pequeno e provinciano demais), enfim, depois dessa tediosa auto afirmação, ela virou-se para uma menininha na primeira fileira e perguntou “como é o seu nome?”. Tendo a resposta prosseguiu “você está indo para o primeiro ano, fulana?” Sim respondeu a pobre cobaia“É mesmo?” replicou ela e acrescentou “isso é muito bom, não é?” Para entender o que eu quero dizer, peço que o releiam como uma lição de cursos de línguas, dessas que tantas vezes foram ridicularizados pelo exagero da entonação...
Imediatamente me lembrei de um anúncio do BRASAS se não me engano, em que duas pessoas se encontravam na rua e falavam em português com essa entonação idiotizada:
“que cor é a sua bolsa?” “minha bolsa é amarela, e a sua bolsa, que cor é?” “minha bolsa é azul”... ... ... ... ... ... ... ...
Somando-se a isso veio um discurso mais batido que milk shake e o pedido de uma cafona salva de palmas para aquelas crianças que eram “os verdadeiros artistas de suas próprias vidas e das nossas” ou qq coisa parecida e melada.
Na mesma hora quis ir embora, desfazer a matrícula e voltar com os meninos para a escola anterior que eu tanto gostava e eles também. Na verdade ainda quero, mas infelizmente estou num momento que não posso.
Fiquei pensando, quando é que vão deixar essas crianças crescerem, quando vão reconhecer o crescimento deles e respeitar esse processo? Não estou falando em tratá-los como adultos e nem em forçar comportamentos ou pular etapas, mas de respeitar o fato de que eles já se perceberam crescendo porque aprenderam a ter mais algumas autonomias e as sabem e querem conquistar outras tantas sem que cada vez que o fazem nós os tratemos como débeiznhos “ah, que fofo ele está falando como um rapazinho” ou “olha só, o jeitão de homenzinho dele...rsrsrs”
Elogiar é importante sim, mas há um limite. Seu filho já vai ao banheiro sozinho faz um ano e vc ainda faz estardalhaço anunciando isso como a grande novidade, ele liga e desliga a tv, aumenta e diminui o som, fala muitas vezes de igual para igual com o pai e tem umas conversas com os amigos como você não esperava que fosse ouvir tão cedo e, dependendo da conversa, isso é normal.
Da primeira à terceira vez que vc o elogiou ele certamente sentiu-se o máximo. Daí para frente ele provavelmente sentiu-se sendo tratado como bobo, teve vergonha dos amigos presentes durante a babação ou vergonha de você. Chega. Menos. É melhor desacelerar nas demonstrações de entusiasmo o tempo todo. Não deixe de ser eufórica com as conquistas deles, mas não o seja o tempo todo porque um dia ele sai mundo afora e a realidade das relações que ele engendrará não vai ser só de sorrisos. Se for muito tarde, na primeira carranca ele desmonta.
É claro que queremos para eles o melhor dos mundos, queremos só gente bonita, simpática, sorridente e cuidadosa ao lado deles,mas devemos sempre lembrar que assim o queremos se for real. Lembre-se que muitas vezes sorrisos mascaram maldades e sentimentos cruéis. Se não tivermos respeitado o crescimento de nossos filhos e não os ensinarmos que nem tudo são flores, eles facilmente serão seduzidos por entonações exageradas e sorrisos falsos. Desconfie sempre do excesso.
No Princípio pode ser reconfortante a idéia de ter alguém, quando você não estiver, que também o trate com aquele olhar e jeito de “para mim você será sempre um bebê” como brincamos toda vez que eles reclamam de nossos mimos bobalhões, mas e depois?
Até quando isso funciona e quando começa a atrapalhar? Até quando você quer que seus filhos sejam paparicados? Para sempre? Quando eles vão crescer de fato? Quanto?
Enfim, sobre o colégio, lá mesmo os meus ficarão porque assim é o que podemos para eles de melhor por enquanto e porque podemos sempre tirar muito boas coisas e aprender excelentes lições em todos os lugares. Uma dessas liçõe por exemplo, posso ter eu ao descobrir que lá eles terão mais crescimento do que eu esperava diante desse primeiro contato.. Quem sabe?!
Todas as boas mães são corujas.Fato. Algumas mais que as outras, mas todas o são. Há as que querem para sempre os filhos a seu lado, as que os querem do mundo, as que os querem fortes, bravos, valentões, as que os preferem covardes, as que os querem sérios, caretas, fechados e as que os querem livres, viajantes. Umas preferem tê-los morando consigo e constroem uma casa nos fundos do quintal quando eles se casam e outras querem tê-los de visita. Há muitas outras ainda. Inumeráveis, infinitas, mas dentre todas por certo não há nenhuma que queira ter, ver ou saber de seus filhos maltratados.
Quantas entretanto reconhecem que muitas coisas constituem o crescimento real de seus filhos, inclusive os puxões de orelha, as broncas, os castigos que outras autoridades relacionadas aplicam à seus bebês?
Estou sendo muito vaga. Vamos a exemplos práticos:
Estava eu na primeira reunião de pais do novo colégio de meus filhos, uma reunião para conhecermos a equipe antes que começassem as aulas, quando eis que se apresenta a diretora...
Depois de passar um tempo maior que o cabível falando de si, do seu nome, de como era conhecida e tentando dar grandiosidade à sua formação como normalista ( não vi nada de muito grandioso nisso, pelo contrário pareceu-me pequeno e provinciano demais), enfim, depois dessa tediosa auto afirmação, ela virou-se para uma menininha na primeira fileira e perguntou “como é o seu nome?”. Tendo a resposta prosseguiu “você está indo para o primeiro ano, fulana?” Sim respondeu a pobre cobaia“É mesmo?” replicou ela e acrescentou “isso é muito bom, não é?” Para entender o que eu quero dizer, peço que o releiam como uma lição de cursos de línguas, dessas que tantas vezes foram ridicularizados pelo exagero da entonação...
Imediatamente me lembrei de um anúncio do BRASAS se não me engano, em que duas pessoas se encontravam na rua e falavam em português com essa entonação idiotizada:
“que cor é a sua bolsa?” “minha bolsa é amarela, e a sua bolsa, que cor é?” “minha bolsa é azul”... ... ... ... ... ... ... ...
Somando-se a isso veio um discurso mais batido que milk shake e o pedido de uma cafona salva de palmas para aquelas crianças que eram “os verdadeiros artistas de suas próprias vidas e das nossas” ou qq coisa parecida e melada.
Na mesma hora quis ir embora, desfazer a matrícula e voltar com os meninos para a escola anterior que eu tanto gostava e eles também. Na verdade ainda quero, mas infelizmente estou num momento que não posso.
Fiquei pensando, quando é que vão deixar essas crianças crescerem, quando vão reconhecer o crescimento deles e respeitar esse processo? Não estou falando em tratá-los como adultos e nem em forçar comportamentos ou pular etapas, mas de respeitar o fato de que eles já se perceberam crescendo porque aprenderam a ter mais algumas autonomias e as sabem e querem conquistar outras tantas sem que cada vez que o fazem nós os tratemos como débeiznhos “ah, que fofo ele está falando como um rapazinho” ou “olha só, o jeitão de homenzinho dele...rsrsrs”
Elogiar é importante sim, mas há um limite. Seu filho já vai ao banheiro sozinho faz um ano e vc ainda faz estardalhaço anunciando isso como a grande novidade, ele liga e desliga a tv, aumenta e diminui o som, fala muitas vezes de igual para igual com o pai e tem umas conversas com os amigos como você não esperava que fosse ouvir tão cedo e, dependendo da conversa, isso é normal.
Da primeira à terceira vez que vc o elogiou ele certamente sentiu-se o máximo. Daí para frente ele provavelmente sentiu-se sendo tratado como bobo, teve vergonha dos amigos presentes durante a babação ou vergonha de você. Chega. Menos. É melhor desacelerar nas demonstrações de entusiasmo o tempo todo. Não deixe de ser eufórica com as conquistas deles, mas não o seja o tempo todo porque um dia ele sai mundo afora e a realidade das relações que ele engendrará não vai ser só de sorrisos. Se for muito tarde, na primeira carranca ele desmonta.
É claro que queremos para eles o melhor dos mundos, queremos só gente bonita, simpática, sorridente e cuidadosa ao lado deles,mas devemos sempre lembrar que assim o queremos se for real. Lembre-se que muitas vezes sorrisos mascaram maldades e sentimentos cruéis. Se não tivermos respeitado o crescimento de nossos filhos e não os ensinarmos que nem tudo são flores, eles facilmente serão seduzidos por entonações exageradas e sorrisos falsos. Desconfie sempre do excesso.
No Princípio pode ser reconfortante a idéia de ter alguém, quando você não estiver, que também o trate com aquele olhar e jeito de “para mim você será sempre um bebê” como brincamos toda vez que eles reclamam de nossos mimos bobalhões, mas e depois?
Até quando isso funciona e quando começa a atrapalhar? Até quando você quer que seus filhos sejam paparicados? Para sempre? Quando eles vão crescer de fato? Quanto?
Enfim, sobre o colégio, lá mesmo os meus ficarão porque assim é o que podemos para eles de melhor por enquanto e porque podemos sempre tirar muito boas coisas e aprender excelentes lições em todos os lugares. Uma dessas liçõe por exemplo, posso ter eu ao descobrir que lá eles terão mais crescimento do que eu esperava diante desse primeiro contato.. Quem sabe?!
sexta-feira, 30 de janeiro de 2009
PARABÉNS

Ontem foi meu parabéns! 18 aninhos(oh Deus, estou ficando velha ... )kkkkkkk kkkkkkkkkkkkkkkkkkk
Bota mais dez nisso aí!
Viram, consegui fazer diferente daquela solidão toda do ano passado.
Nesse 29/01/2009 teve gente, teve bolo, teve música e risada.
Muito muito obrigada aos que lá estiveram, pela presença e pelo carinho e por terem tornado a comemoração tão especial. Gostei muuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuito!
P.S. Algumas pessoas que eu gostaria muito que lá estivessem não puderam ir porque não consegui nem falar com elas. Faço questão de mencioná-las aqui:
Carol, perdi o telefone em que estava gravado o seu celular e só tenho seu telefone fixo antigo...
Dani fiquei esperando vc me ligar depois de ter mandado meus telefones pq não tenho o seu aí em Terê...
Mari, na boa, vc sumiu do mapa, né?!
E é claro que meio boba e romântica que sou sempre tenho essa idéia utópica de conseguir reunir a galera toda da faculdade, mas é bastante difícil
Quem sabe na próxima...
quinta-feira, 29 de janeiro de 2009
29/01/2009
Apesar de parecer e mesmo ser alguém aparentemente razoável, eu sou uma pessoa meio sem medida. Vizinha de ser responsável, precavida (as vezes – muitas – em excesso), preocupada, neurótica com organização e horários e rotina e cositas mais ... Sou além da conta em muitas coisas.
Ops, terminando de escrever isso me pareceu que pode se dar a ler de maneira pretensiosa esse “além da conta em muitas coisas”. Não foi assim que quis dizer. O que tento colocar é que passo da conta em muitas coisas, não tenho muito a conta das coisas, sou meio sem medida, sem noção, sabe?
Quando digo que assim sou de maneira vizinha à todas as outras maneiras do meu jeito, quero dizer vizinha mesmo. Porta com porta... uma de mim que toca a campainha das outras que me habitam (muitas vezes às duas da madrugada, porque sem medidas é) diversas vezes para dar pitaco sobre as outras , conversar ou só pedir um pouco de açúcar quando o dela acabou. Melhor dizer um pouco de café, porque açúcar não costuma faltar. Essa sem medida de mim é demais de tudo menos do café, que muitas vezes de fato precisa para acordar. Falo mais do que devia, falo o que não devia, choro mais do que é preciso (isso estou aprendendo a controlar... um pouco... ), durmo mais do que posso ou menos demais e aí é bem menos mesmo, menos do que preciso. Preciso mais do que deveria (acho que preciso), reclamo de tudo todo o dia, me desculpo quando não devia, culpo quem não merecia (algumas vezes), agradeço mais do que podia (menos a Deus, que a ele nunca é demais)... Ufa! Ah, e, é claro, amo demais! As pessoas que amo, amo sem medida, mas isso é natural. Filhos, marido, meus irmãos, minha família (no cômputo geral)... o normal por aí, que todo mundo exagera de amar mesmo, mas o negócio, nessa exagerada de mim, é amar demais tudo que podia só gostar muito. Uma música, duas, três, dez mil, todas que eu gosto eu amo demais e ouço e aprendo e canto e canto e canto até o Rogério odiá-la pq já não agüenta mais me ouvir amando tanto as tais músicas (ou por ciúme ou porque minha voz e minha afinação são totalmente sem noção também!). Um vinho – riesling – amo, chocolate amo, biscoito de chocolate amo, de maçã com canela amo, de maisena da Piraquê (pqp) amo, sorvete amo, sorvete de creme com bolo de chocolate amo, não sei quantas comidas amo, quantos livros alguns que nem folheei amo, quantos autores amo, quantas linhas amo, parágrafos, entonações amo amo amo, discursos amo.... Ahhhhhh! Isso está ficando uma verdadeira apologia ao Macdonald´s (amo muito tudo isso), mas assim é que sou nesses exageros em mim.
Contudo, nem só de amor e açúcar e ternura eu sou demais... ninguém, né?! Quando não gosto, não gosto nada mesmo e digo que odeio! Há textos que odeio, atores e atrizes e atuações e filmes e roupas e dias e tarefas e algumas horas de alguns dias e latidos altos de cachorros pequenos e barulhos estridentes e agudos e gente demais num lugar só e ser paternalizada e ser deixada pra lá e ser deixada de lado e Gggggggrrrrrrrrr, arrrrrrghhhhh, sei lá, o-dei-o!
Costuma ser assim. Costumo. Costumava talvez. Com o tempo a gente vai se apaziguando das coisas e um pouco até se apagando delas. Acho que vai demorar para eu me apagar de tudo que amo e odeio e preciso e quero e choro e gargalho e parece-me que o processo de apaziguar-me vai um tanto mais lento que o normal, mas vai indo ou vem vindo até que chegue for para chegar.
Não sei não. É da gente escolher se envelhecemos. Eu prefiro crescer, aprender, acalmar de uns trecos e ganhar a medida de uns outros tantos, mas não perder a capacidade dos exageros e assim não chegar nunca ficar velha sem também morrer cedo!
Ops, terminando de escrever isso me pareceu que pode se dar a ler de maneira pretensiosa esse “além da conta em muitas coisas”. Não foi assim que quis dizer. O que tento colocar é que passo da conta em muitas coisas, não tenho muito a conta das coisas, sou meio sem medida, sem noção, sabe?
Quando digo que assim sou de maneira vizinha à todas as outras maneiras do meu jeito, quero dizer vizinha mesmo. Porta com porta... uma de mim que toca a campainha das outras que me habitam (muitas vezes às duas da madrugada, porque sem medidas é) diversas vezes para dar pitaco sobre as outras , conversar ou só pedir um pouco de açúcar quando o dela acabou. Melhor dizer um pouco de café, porque açúcar não costuma faltar. Essa sem medida de mim é demais de tudo menos do café, que muitas vezes de fato precisa para acordar. Falo mais do que devia, falo o que não devia, choro mais do que é preciso (isso estou aprendendo a controlar... um pouco... ), durmo mais do que posso ou menos demais e aí é bem menos mesmo, menos do que preciso. Preciso mais do que deveria (acho que preciso), reclamo de tudo todo o dia, me desculpo quando não devia, culpo quem não merecia (algumas vezes), agradeço mais do que podia (menos a Deus, que a ele nunca é demais)... Ufa! Ah, e, é claro, amo demais! As pessoas que amo, amo sem medida, mas isso é natural. Filhos, marido, meus irmãos, minha família (no cômputo geral)... o normal por aí, que todo mundo exagera de amar mesmo, mas o negócio, nessa exagerada de mim, é amar demais tudo que podia só gostar muito. Uma música, duas, três, dez mil, todas que eu gosto eu amo demais e ouço e aprendo e canto e canto e canto até o Rogério odiá-la pq já não agüenta mais me ouvir amando tanto as tais músicas (ou por ciúme ou porque minha voz e minha afinação são totalmente sem noção também!). Um vinho – riesling – amo, chocolate amo, biscoito de chocolate amo, de maçã com canela amo, de maisena da Piraquê (pqp) amo, sorvete amo, sorvete de creme com bolo de chocolate amo, não sei quantas comidas amo, quantos livros alguns que nem folheei amo, quantos autores amo, quantas linhas amo, parágrafos, entonações amo amo amo, discursos amo.... Ahhhhhh! Isso está ficando uma verdadeira apologia ao Macdonald´s (amo muito tudo isso), mas assim é que sou nesses exageros em mim.
Contudo, nem só de amor e açúcar e ternura eu sou demais... ninguém, né?! Quando não gosto, não gosto nada mesmo e digo que odeio! Há textos que odeio, atores e atrizes e atuações e filmes e roupas e dias e tarefas e algumas horas de alguns dias e latidos altos de cachorros pequenos e barulhos estridentes e agudos e gente demais num lugar só e ser paternalizada e ser deixada pra lá e ser deixada de lado e Gggggggrrrrrrrrr, arrrrrrghhhhh, sei lá, o-dei-o!
Costuma ser assim. Costumo. Costumava talvez. Com o tempo a gente vai se apaziguando das coisas e um pouco até se apagando delas. Acho que vai demorar para eu me apagar de tudo que amo e odeio e preciso e quero e choro e gargalho e parece-me que o processo de apaziguar-me vai um tanto mais lento que o normal, mas vai indo ou vem vindo até que chegue for para chegar.
Não sei não. É da gente escolher se envelhecemos. Eu prefiro crescer, aprender, acalmar de uns trecos e ganhar a medida de uns outros tantos, mas não perder a capacidade dos exageros e assim não chegar nunca ficar velha sem também morrer cedo!
sábado, 24 de janeiro de 2009
ANTES TARDE DO QUE NUNCA
O RETORNO
Voltar está sendo muito divertido. Não sei se alguma vez cheguei a mencionar aqui como foi a criação desse BLOG e sua divulgação iniciática... Não é uma história longa, mas mesmo assim vou encurtá-la para não me demorar muito antes de chegar onde quero: Um dia, do nada, pensei em comprar um caderno e andar com ele para cima e para baixo escrevendo tudo o que me viesse à cabeça, que me apetecesse escrever. Depois, um outro dia, do nada, amanheci com a idéia louca de perder meu medo relativamente grande de me expor... No caderno, logo na contracapa, tinha um aviso (isso eu acho que já mencionei) do tipo "se encontrar este caderno por favor não leia, mas se não resistir não me diga que leu nem me deixe ficar sabendo... principalmente se vc me conhece." ,ou qualqer coisa assim. Enfim, lá no princípio do caderno eu queria escrever e escrever e guardar para nínguém ver, e lá pelo meio dele bateu essa loucura de mostrar e mostrar! Vai entender. Nasceu o wwwaorblog.blogspot.com e eu tinha que contar por aí a novidade, se não não tinha como saber, não é?! Não, nã é! A verdade verdadeira mesmo foi que antes que eu começasse a criá-lo aqui, escolher modelo, cores, escrever e etc, eu já tinha bolado um jeito de espalhar a fofoca. Jeito esse que,confesso, encantou-me mais até do que a própria idéia do BLOG. Não foi nada muito tchan, mas eu achei o máximo: fiz uns cartões meio improvisados, do tamanho de um cartão de visitas, em que constava apenas o endereço do blog bem centralizado e grande, e enviei pelo correio para algumas poucas pessoas que gostaria que dessem conta das primeiras visitas.
Tudo em famíli, sabe... pai, irmão irmã, tias, e uns pouco, puquíssimos amigos.
Foi engraçado. Do dia que enviei as cartas, fiquei contando os dias para ter as primeiras manifestações e todo santo dia dava um pulinho aqui, cheia de curiosidade.
Aí, depois de tanto tempo fora, quando resolvi voltar precisava espalhar a fofoca de novo. Pensei em escrever um e-mail, alguma coisa como "Caros generosos leitores das minhas tão faltosas e humides linhas... blá blá blá, etc etc etc... " Contudo, como seria bem fácil presumir, cansei só de pensar no texto que tendia obviamente ao pomposo e exaustivo. Optei então pelo mais breve impossível e, mais uma vez muitíssimo divertidamente, criei um falso E-MAIL AUTOMÁTICO, que dizia apenas AVISO DE REATIVAÇÃO DO ENDEREÇO TAL EM __ /__ /__.
Aí veio a melhor parte do e-mail: ESTA É UMA MENSAGEM AUTOMÁTICA QUE NÃO REQUER RESPOSTA e nas linhas seguintes resgatei meus tempos de criança diante de um teclado ou de uma máquina de escrever... saí apertando todas as teclas a imitar uma supersecretária, dessas que digita super rápido e sem olhar para as letrinhas. Muito bom. E então ficou mais ou menos bem parecido com um desses e-mails qdo são reais. Depois disso o melhor... rever por aqui meus dois leitores mais assíduos, acho até que os únicos, meu irmão (sempre engraçadinho - TE AMO-) e meu pai. Valeu hein, pessoal!
quinta-feira, 22 de janeiro de 2009
MUDANÇAS E EXPERIÊNCIAS
Os poucos que por estas paradas me acompanhavam por certo notaram as diferenças na retomada do blog meu. Algumas delas gritantes, como o layout do modelo (agora cheio de bolinhas divertidas), outras mais discretas porém muito significativas.
A foto mudou, apesar de permanecer no mesmo molde "eu, meus pequenos e a presença indireta do meu marido como fotógrafo" e por isso mantive a legenda: assim como gosto de ser : com os meus por perto.
Mudou também minha descrição no QUEM SOU EU ... Essa de extrema importância para deixar claro que pretendo fazer maiores esforços para aqui estar, mas não vou prometer nem garantir regularidade alguma apesar de não querer sumir de novo.
A apresentação de slides é nova e traz consigo uma nova proposta: ir passando de tempos em tempos por meus pintores preferidos. Este primeiro é MATISSE... Não pude escolher apenas as obras, pq trata-se de um álbum que já vem pronto e por este motivo algumas das fotos são de exposições da obra do pintor e etc.
Minha postagem anterior esta foi mais uma experiência... Simplesmente uma foto sob o título. Cheguei até a acrescentar um texto que anunciava um motivo, que eu traria posteriormente, que explicasse tal foto por ali. Todavia ...a verdade é que não há motivo algum, que não o fato de que eu queria tentar algo mais imagético, mais ilustrado e para estrear essa vontade pensei que nada mais belo que uma foto dos pequenos. Eles são lindos, né?
Enfim, pode ser que todas essas coisinhas novas sejam tão somente só isso, ou tudo isso, e pode ser também que sejam umas outras coisas.
Nosso caríssimo ministronovobaianopopreggaemulticoisaepalavras (ufa!) GilbertoGil, formulou certa vez que a única coisa constante no universo é a mudança... Então... tenho pensado até em comemorar meu aniversário este ano! Estou querendo muito espantar aquela minha irritação baixo astral com a data no ano passado, lembram-se?! Arrrrghhh! Xô! Esse ano (sem desmerecer meu 29.01.2008, que foi um lindo dia com momentos de felicidade plena mesmo sem as ligações e os votos e os sorrisos e essas coisas), eu quero música, talvez gente, mesmo que um pouco só, e uma torta de sorvete ITÁLIA! Ninguém quer não,né?
ESSE ANO NÃO ROLOU...
Colo aqui o conto enviado para o concurso "gente de talento 2008", cujo tema foi O VALOR DA AMIZADE. Esse ano minhas linhas não foram suficientes para que meu nome figurasse dentre os selecionados, mas vá lá... pode haver quem goste.
1. UMA FOTO PARA UM CONCURSO
Como parecerá aos olhos de um jurado? Como a uma banca inteira deles. Com que olhos a verão ao examiná-la todos aqueles olhos pelos quais deve passar? Terá valor? Quanto? O primeiro prêmio, algum prêmio, uma boa colocação? Eu ficaria feliz. Tê-la publicada, reconhecida nas páginas de um livro bem cuidado para ser mais e mais vista. Ou menos.
Fecho os olhos meus e a vejo. Só aí está para mim, nalgum lugar de um estado meu comtemplativo de olhos fechados. Só.
Pronta, impressa, não a vi. Não era preciso. Tão logo a busquei, já estando com o envelope preenchido de acordo com o regulamento do concurso, corri ao correio a enviá-la.
Com o cuidado de não lhe passar os olhos, retirei-a de um envelope que me foi entregue na pequena loja bairrista de fotografia e passei-a ao outro. Mais dez passos, o correio, selo, A.R., preço, pagamento, troco e lá se foi .
Lá se foi ela, a foto, ganhar seu rumo a correr pelos olhos de outros a julgá-la, a ver se vale alguma coisa.
Não era preciso. A mim só já tinha todo o valor que lhe era possível dentre os maiores que lhe quisessem ofertar. No “quem dá mais”, ninguém para mais dar que eu. Por mais altos que fossem os lances e por mais cara que ficasse, ainda seria pouco posto o que é para mim. Mesmo sem a ter visto pronta.
De olhos fechados a revejo, tentando fazer dos meus os olhos de quem a receberá com a tarefa de atribuir-lhe nota.
Há que lembrar que é preciso que a foto tenha por assunto a temática sugerida pelos organizadores do concurso, ou pelo menos a tangencie.Com força aperto os olhos fechados perscrutando-a na tentativa de encontrar onde eles possam ver o que sei. Em que canto do cenário que esta foto compõe estaria sua história? Em que profundidade perceberiam sua relação com o tema? Em que ponto sua luz e sua sombra irão revelar o valor que tem a honra de eu lá ter estado a criá-la numa tarde quente mas agradável, de boas conversas.
Não sei se chegarão a vê-lo, o motivo, o dia, as conversas, o céu tão lindo que estava.
Sim, o céu verão e o dia bonito sem fim. Ao que me lembro, o dia como estava fez a foto ainda mais bela. O céu em moldura, azul infinito, e a rua tranqüila. Os carros, todos os que aparecem estão estacionados. Nenhum trânsito. O único movimento, minha coisa favorita na foto, é a ousadia de um senhor que vai a pedalar pelo meio da rua.
Veja que abuso, pelo meio da rua. O cabelo todo branco de uma idade que vai avançada e a pele de uma cor saborosa e uma firmeza antagônica aos fios brancos que leva na cabeça erguida. A postura indefectível, mas pura, natural. Não há rigidez nem força em seus movimentos, é um pedalar relaxado, leve, sem preocupações. Vai ele tão solto, que um assobio lhe sai dos lábios ensaiando uma melodia doce e contínua. Pedala e assobia, pedala e assobia e pedala. Enquanto pedala vai assobiando displicente ao atravessar a rua vazia. Vai só e lá vai, bem pelo meião dela, sem medo. É o dono do mundo. Daquele pedaço de mundo, onde além dele lá estávamos eu e Marcella a bater fotos e bater papo sobre o projeto que pretendíamos engendrar.
Não era coisa de muito tempo nos termos conhecido, mas já parecia estar vindo bons frutos. As idéias foram boas. São. Quem sabe junto forças para levá-las a termo. A foto foi para umas linhas que ela vinha escrevendo numa dessas idéias que bolamos.
Foi uma tarde boa e produtiva a da foto. Falamos, falamos, tivemos mais idéias e conseguimos a foto. Ela adorou. Quando nos voltamos a ver, no trabalho, me disse que não precisaríamos das outras, desde o momento em que a foto se fez à nossa frente e que eu a capturei, ela já sabia que seria aquela. Acrescentou que não tirava o velhinho de bicicleta da cabeça.
Sim, era do trabalho que nos conhecíamos e não fazia muito tempo. Talvez seja pouco para o que se tenha convencionado dizer que seja necessário ao nomearmos alguém de amigo. Talvez nessas medidas nunca tenhamos sido amigas. Que valores e que critérios para definir esses laços? Então uma tarde com uma máquina fotográfica na mão e umas conversas soltas que nos tenha rendido uma boa foto é pouco? Pouco quanto? Tomara que não muito pouco.
Forço a memória da foto e já nem sei se era isso tudo. Espero que de algum pouco valha aos jurados e que a publiquem, porque gostaria muito de vê-la. Senão fico sendo só eu o que restou daquela tarde. A foto, depois de mandá-la imprimir, apaguei da máquina com as outras que ela descartara sem ver. Guardo-a somente na memória. Eu, a lembrança da foto e aquele senhor na bicicleta, que por certo ainda pedala por aí com seu assobio em deboche do perigo que não corria ao atravessar a rua tranqüila. E a rua, é claro, porque a rua ainda está lá, no mesmo lugar.
Até que são muitas coisas, mas eu gostaria que se somasse a foto pronta, impressa, para eu vê-la de olhos abertos. Para eu sabê-la no real do papel e saber que nela os jurados acharam minha história de uma tarde breve com uma amiga, ou pelo menos perceberam que só tendo amigos para numa idade daquela sair a pedalar por aí pelo meio da rua. Sem outras pessoas as pessoas não pedalam por aí assobiando. Sem outras pessoas o que fazemos é levantar com dificuldade de poltronas velhas, resmungando de dor nos quartos.
Como parecerá aos olhos de um jurado? Como a uma banca inteira deles. Com que olhos a verão ao examiná-la todos aqueles olhos pelos quais deve passar? Terá valor? Quanto? O primeiro prêmio, algum prêmio, uma boa colocação? Eu ficaria feliz. Tê-la publicada, reconhecida nas páginas de um livro bem cuidado para ser mais e mais vista. Ou menos.
Fecho os olhos meus e a vejo. Só aí está para mim, nalgum lugar de um estado meu comtemplativo de olhos fechados. Só.
Pronta, impressa, não a vi. Não era preciso. Tão logo a busquei, já estando com o envelope preenchido de acordo com o regulamento do concurso, corri ao correio a enviá-la.
Com o cuidado de não lhe passar os olhos, retirei-a de um envelope que me foi entregue na pequena loja bairrista de fotografia e passei-a ao outro. Mais dez passos, o correio, selo, A.R., preço, pagamento, troco e lá se foi .
Lá se foi ela, a foto, ganhar seu rumo a correr pelos olhos de outros a julgá-la, a ver se vale alguma coisa.
Não era preciso. A mim só já tinha todo o valor que lhe era possível dentre os maiores que lhe quisessem ofertar. No “quem dá mais”, ninguém para mais dar que eu. Por mais altos que fossem os lances e por mais cara que ficasse, ainda seria pouco posto o que é para mim. Mesmo sem a ter visto pronta.
De olhos fechados a revejo, tentando fazer dos meus os olhos de quem a receberá com a tarefa de atribuir-lhe nota.
Há que lembrar que é preciso que a foto tenha por assunto a temática sugerida pelos organizadores do concurso, ou pelo menos a tangencie.Com força aperto os olhos fechados perscrutando-a na tentativa de encontrar onde eles possam ver o que sei. Em que canto do cenário que esta foto compõe estaria sua história? Em que profundidade perceberiam sua relação com o tema? Em que ponto sua luz e sua sombra irão revelar o valor que tem a honra de eu lá ter estado a criá-la numa tarde quente mas agradável, de boas conversas.
Não sei se chegarão a vê-lo, o motivo, o dia, as conversas, o céu tão lindo que estava.
Sim, o céu verão e o dia bonito sem fim. Ao que me lembro, o dia como estava fez a foto ainda mais bela. O céu em moldura, azul infinito, e a rua tranqüila. Os carros, todos os que aparecem estão estacionados. Nenhum trânsito. O único movimento, minha coisa favorita na foto, é a ousadia de um senhor que vai a pedalar pelo meio da rua.
Veja que abuso, pelo meio da rua. O cabelo todo branco de uma idade que vai avançada e a pele de uma cor saborosa e uma firmeza antagônica aos fios brancos que leva na cabeça erguida. A postura indefectível, mas pura, natural. Não há rigidez nem força em seus movimentos, é um pedalar relaxado, leve, sem preocupações. Vai ele tão solto, que um assobio lhe sai dos lábios ensaiando uma melodia doce e contínua. Pedala e assobia, pedala e assobia e pedala. Enquanto pedala vai assobiando displicente ao atravessar a rua vazia. Vai só e lá vai, bem pelo meião dela, sem medo. É o dono do mundo. Daquele pedaço de mundo, onde além dele lá estávamos eu e Marcella a bater fotos e bater papo sobre o projeto que pretendíamos engendrar.
Não era coisa de muito tempo nos termos conhecido, mas já parecia estar vindo bons frutos. As idéias foram boas. São. Quem sabe junto forças para levá-las a termo. A foto foi para umas linhas que ela vinha escrevendo numa dessas idéias que bolamos.
Foi uma tarde boa e produtiva a da foto. Falamos, falamos, tivemos mais idéias e conseguimos a foto. Ela adorou. Quando nos voltamos a ver, no trabalho, me disse que não precisaríamos das outras, desde o momento em que a foto se fez à nossa frente e que eu a capturei, ela já sabia que seria aquela. Acrescentou que não tirava o velhinho de bicicleta da cabeça.
Sim, era do trabalho que nos conhecíamos e não fazia muito tempo. Talvez seja pouco para o que se tenha convencionado dizer que seja necessário ao nomearmos alguém de amigo. Talvez nessas medidas nunca tenhamos sido amigas. Que valores e que critérios para definir esses laços? Então uma tarde com uma máquina fotográfica na mão e umas conversas soltas que nos tenha rendido uma boa foto é pouco? Pouco quanto? Tomara que não muito pouco.
Forço a memória da foto e já nem sei se era isso tudo. Espero que de algum pouco valha aos jurados e que a publiquem, porque gostaria muito de vê-la. Senão fico sendo só eu o que restou daquela tarde. A foto, depois de mandá-la imprimir, apaguei da máquina com as outras que ela descartara sem ver. Guardo-a somente na memória. Eu, a lembrança da foto e aquele senhor na bicicleta, que por certo ainda pedala por aí com seu assobio em deboche do perigo que não corria ao atravessar a rua tranqüila. E a rua, é claro, porque a rua ainda está lá, no mesmo lugar.
Até que são muitas coisas, mas eu gostaria que se somasse a foto pronta, impressa, para eu vê-la de olhos abertos. Para eu sabê-la no real do papel e saber que nela os jurados acharam minha história de uma tarde breve com uma amiga, ou pelo menos perceberam que só tendo amigos para numa idade daquela sair a pedalar por aí pelo meio da rua. Sem outras pessoas as pessoas não pedalam por aí assobiando. Sem outras pessoas o que fazemos é levantar com dificuldade de poltronas velhas, resmungando de dor nos quartos.
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