Até quando você quer que seus filhos sejam paparicados?
Todas as boas mães são corujas.Fato. Algumas mais que as outras, mas todas o são. Há as que querem para sempre os filhos a seu lado, as que os querem do mundo, as que os querem fortes, bravos, valentões, as que os preferem covardes, as que os querem sérios, caretas, fechados e as que os querem livres, viajantes. Umas preferem tê-los morando consigo e constroem uma casa nos fundos do quintal quando eles se casam e outras querem tê-los de visita. Há muitas outras ainda. Inumeráveis, infinitas, mas dentre todas por certo não há nenhuma que queira ter, ver ou saber de seus filhos maltratados.
Quantas entretanto reconhecem que muitas coisas constituem o crescimento real de seus filhos, inclusive os puxões de orelha, as broncas, os castigos que outras autoridades relacionadas aplicam à seus bebês?
Estou sendo muito vaga. Vamos a exemplos práticos:
Estava eu na primeira reunião de pais do novo colégio de meus filhos, uma reunião para conhecermos a equipe antes que começassem as aulas, quando eis que se apresenta a diretora...
Depois de passar um tempo maior que o cabível falando de si, do seu nome, de como era conhecida e tentando dar grandiosidade à sua formação como normalista ( não vi nada de muito grandioso nisso, pelo contrário pareceu-me pequeno e provinciano demais), enfim, depois dessa tediosa auto afirmação, ela virou-se para uma menininha na primeira fileira e perguntou “como é o seu nome?”. Tendo a resposta prosseguiu “você está indo para o primeiro ano, fulana?” Sim respondeu a pobre cobaia“É mesmo?” replicou ela e acrescentou “isso é muito bom, não é?” Para entender o que eu quero dizer, peço que o releiam como uma lição de cursos de línguas, dessas que tantas vezes foram ridicularizados pelo exagero da entonação...
Imediatamente me lembrei de um anúncio do BRASAS se não me engano, em que duas pessoas se encontravam na rua e falavam em português com essa entonação idiotizada:
“que cor é a sua bolsa?” “minha bolsa é amarela, e a sua bolsa, que cor é?” “minha bolsa é azul”... ... ... ... ... ... ... ...
Somando-se a isso veio um discurso mais batido que milk shake e o pedido de uma cafona salva de palmas para aquelas crianças que eram “os verdadeiros artistas de suas próprias vidas e das nossas” ou qq coisa parecida e melada.
Na mesma hora quis ir embora, desfazer a matrícula e voltar com os meninos para a escola anterior que eu tanto gostava e eles também. Na verdade ainda quero, mas infelizmente estou num momento que não posso.
Fiquei pensando, quando é que vão deixar essas crianças crescerem, quando vão reconhecer o crescimento deles e respeitar esse processo? Não estou falando em tratá-los como adultos e nem em forçar comportamentos ou pular etapas, mas de respeitar o fato de que eles já se perceberam crescendo porque aprenderam a ter mais algumas autonomias e as sabem e querem conquistar outras tantas sem que cada vez que o fazem nós os tratemos como débeiznhos “ah, que fofo ele está falando como um rapazinho” ou “olha só, o jeitão de homenzinho dele...rsrsrs”
Elogiar é importante sim, mas há um limite. Seu filho já vai ao banheiro sozinho faz um ano e vc ainda faz estardalhaço anunciando isso como a grande novidade, ele liga e desliga a tv, aumenta e diminui o som, fala muitas vezes de igual para igual com o pai e tem umas conversas com os amigos como você não esperava que fosse ouvir tão cedo e, dependendo da conversa, isso é normal.
Da primeira à terceira vez que vc o elogiou ele certamente sentiu-se o máximo. Daí para frente ele provavelmente sentiu-se sendo tratado como bobo, teve vergonha dos amigos presentes durante a babação ou vergonha de você. Chega. Menos. É melhor desacelerar nas demonstrações de entusiasmo o tempo todo. Não deixe de ser eufórica com as conquistas deles, mas não o seja o tempo todo porque um dia ele sai mundo afora e a realidade das relações que ele engendrará não vai ser só de sorrisos. Se for muito tarde, na primeira carranca ele desmonta.
É claro que queremos para eles o melhor dos mundos, queremos só gente bonita, simpática, sorridente e cuidadosa ao lado deles,mas devemos sempre lembrar que assim o queremos se for real. Lembre-se que muitas vezes sorrisos mascaram maldades e sentimentos cruéis. Se não tivermos respeitado o crescimento de nossos filhos e não os ensinarmos que nem tudo são flores, eles facilmente serão seduzidos por entonações exageradas e sorrisos falsos. Desconfie sempre do excesso.
No Princípio pode ser reconfortante a idéia de ter alguém, quando você não estiver, que também o trate com aquele olhar e jeito de “para mim você será sempre um bebê” como brincamos toda vez que eles reclamam de nossos mimos bobalhões, mas e depois?
Até quando isso funciona e quando começa a atrapalhar? Até quando você quer que seus filhos sejam paparicados? Para sempre? Quando eles vão crescer de fato? Quanto?
Enfim, sobre o colégio, lá mesmo os meus ficarão porque assim é o que podemos para eles de melhor por enquanto e porque podemos sempre tirar muito boas coisas e aprender excelentes lições em todos os lugares. Uma dessas liçõe por exemplo, posso ter eu ao descobrir que lá eles terão mais crescimento do que eu esperava diante desse primeiro contato.. Quem sabe?!
Todas as boas mães são corujas.Fato. Algumas mais que as outras, mas todas o são. Há as que querem para sempre os filhos a seu lado, as que os querem do mundo, as que os querem fortes, bravos, valentões, as que os preferem covardes, as que os querem sérios, caretas, fechados e as que os querem livres, viajantes. Umas preferem tê-los morando consigo e constroem uma casa nos fundos do quintal quando eles se casam e outras querem tê-los de visita. Há muitas outras ainda. Inumeráveis, infinitas, mas dentre todas por certo não há nenhuma que queira ter, ver ou saber de seus filhos maltratados.
Quantas entretanto reconhecem que muitas coisas constituem o crescimento real de seus filhos, inclusive os puxões de orelha, as broncas, os castigos que outras autoridades relacionadas aplicam à seus bebês?
Estou sendo muito vaga. Vamos a exemplos práticos:
Estava eu na primeira reunião de pais do novo colégio de meus filhos, uma reunião para conhecermos a equipe antes que começassem as aulas, quando eis que se apresenta a diretora...
Depois de passar um tempo maior que o cabível falando de si, do seu nome, de como era conhecida e tentando dar grandiosidade à sua formação como normalista ( não vi nada de muito grandioso nisso, pelo contrário pareceu-me pequeno e provinciano demais), enfim, depois dessa tediosa auto afirmação, ela virou-se para uma menininha na primeira fileira e perguntou “como é o seu nome?”. Tendo a resposta prosseguiu “você está indo para o primeiro ano, fulana?” Sim respondeu a pobre cobaia“É mesmo?” replicou ela e acrescentou “isso é muito bom, não é?” Para entender o que eu quero dizer, peço que o releiam como uma lição de cursos de línguas, dessas que tantas vezes foram ridicularizados pelo exagero da entonação...
Imediatamente me lembrei de um anúncio do BRASAS se não me engano, em que duas pessoas se encontravam na rua e falavam em português com essa entonação idiotizada:
“que cor é a sua bolsa?” “minha bolsa é amarela, e a sua bolsa, que cor é?” “minha bolsa é azul”... ... ... ... ... ... ... ...
Somando-se a isso veio um discurso mais batido que milk shake e o pedido de uma cafona salva de palmas para aquelas crianças que eram “os verdadeiros artistas de suas próprias vidas e das nossas” ou qq coisa parecida e melada.
Na mesma hora quis ir embora, desfazer a matrícula e voltar com os meninos para a escola anterior que eu tanto gostava e eles também. Na verdade ainda quero, mas infelizmente estou num momento que não posso.
Fiquei pensando, quando é que vão deixar essas crianças crescerem, quando vão reconhecer o crescimento deles e respeitar esse processo? Não estou falando em tratá-los como adultos e nem em forçar comportamentos ou pular etapas, mas de respeitar o fato de que eles já se perceberam crescendo porque aprenderam a ter mais algumas autonomias e as sabem e querem conquistar outras tantas sem que cada vez que o fazem nós os tratemos como débeiznhos “ah, que fofo ele está falando como um rapazinho” ou “olha só, o jeitão de homenzinho dele...rsrsrs”
Elogiar é importante sim, mas há um limite. Seu filho já vai ao banheiro sozinho faz um ano e vc ainda faz estardalhaço anunciando isso como a grande novidade, ele liga e desliga a tv, aumenta e diminui o som, fala muitas vezes de igual para igual com o pai e tem umas conversas com os amigos como você não esperava que fosse ouvir tão cedo e, dependendo da conversa, isso é normal.
Da primeira à terceira vez que vc o elogiou ele certamente sentiu-se o máximo. Daí para frente ele provavelmente sentiu-se sendo tratado como bobo, teve vergonha dos amigos presentes durante a babação ou vergonha de você. Chega. Menos. É melhor desacelerar nas demonstrações de entusiasmo o tempo todo. Não deixe de ser eufórica com as conquistas deles, mas não o seja o tempo todo porque um dia ele sai mundo afora e a realidade das relações que ele engendrará não vai ser só de sorrisos. Se for muito tarde, na primeira carranca ele desmonta.
É claro que queremos para eles o melhor dos mundos, queremos só gente bonita, simpática, sorridente e cuidadosa ao lado deles,mas devemos sempre lembrar que assim o queremos se for real. Lembre-se que muitas vezes sorrisos mascaram maldades e sentimentos cruéis. Se não tivermos respeitado o crescimento de nossos filhos e não os ensinarmos que nem tudo são flores, eles facilmente serão seduzidos por entonações exageradas e sorrisos falsos. Desconfie sempre do excesso.
No Princípio pode ser reconfortante a idéia de ter alguém, quando você não estiver, que também o trate com aquele olhar e jeito de “para mim você será sempre um bebê” como brincamos toda vez que eles reclamam de nossos mimos bobalhões, mas e depois?
Até quando isso funciona e quando começa a atrapalhar? Até quando você quer que seus filhos sejam paparicados? Para sempre? Quando eles vão crescer de fato? Quanto?
Enfim, sobre o colégio, lá mesmo os meus ficarão porque assim é o que podemos para eles de melhor por enquanto e porque podemos sempre tirar muito boas coisas e aprender excelentes lições em todos os lugares. Uma dessas liçõe por exemplo, posso ter eu ao descobrir que lá eles terão mais crescimento do que eu esperava diante desse primeiro contato.. Quem sabe?!
2 comentários:
Olá! Esse um de seus leitores já se inteirou de todos os novos textos, até agora,e espera por mais.
Beijos,
Pai
Só pra marcar presença pra vc nao ficar por aí dizendo que a sua irmã é desnaturada . hahaha
e vê se esse ano vc publica mais textos , os seus leitores ficam ansiosos .
beijinhos
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