Ontem, 6 de agosto, aconteceu um evento raro: fui ao teatro com meu marido. Vou repetir: fui ao teatro com meu marido! Só eu e ele, sem filhos e para assistir um espetáculo de gente grande... Enquanto escrevo isso, me cresce uma vontade boba de exclamar "CARACA" !! Enfim, fomos ao teatro,nós dois mais como um casal do que como pais (estou repetindo de novo porque já é hoje, já são nove da noite e ainda estou achando o máximo) graças a um convite que ganhamos de uma amiga.
O título da peça “Deus é química”, cujo texto de inspiração em um conto de Jorge Mautner, é de Fernanda torres. No elenco estão a própria Fernanda Torres (batman), Luís Fernando Guimarães (robin), Francisco Cuoco, o próprio Jorge Mautner e mais uma galera bem apanhada. CARACA!! (Não resisti).
A sessão numa quinta feira às nove era uma pré estréia fechada para a eletrobrás que é patrocinadora do espetáculo (o marido de nossa abençoada amiga é funcionário da eletrobrás). Tudo ótimo, tudo acertado e lá fomos.
Chegamos cedo porque a primeira instrução era que precisaríamos trocar o convite por ingressos um pouco antes do horário de abertura do teatro. Lá estávamos nós dois ,eu e meu marido, na fila, quando ficamos sabendo que não seria preciso trocar os ingressos. Como era uma sessão fechada a platéia era livre. Maravilha, poderíamos sentar onde bem entendêssemos. Tudo continuava ótimo quando me ocorreu um pensamento bastante besta: “isso vai ser um grande ensaião com platéia”... Passou, não dei atenção para minha antecipação crítica e continuei serelepe na fila, louca entrar.
Uns quantos passos e entramos. Lugares escolhidos, primeiro sinal, depois o segundo, em seguida vieram os avisos e agradecimentos, dentre os quais um MUITO OBRGADO ao presidente da eletrobrás.
Vamos lá, começa o espetáculo:
“Primeiro ato”diz um narrador sentado em uma cadeira no canto do palco e aí
Um parêntesis, antes de começar tudo, comentei com meu marido que devia tratar-se de um texto muito divertido e bem doidão com a cara da Fernanda Torres mesmo... Depois explico o porque deste encaixe... ... Tenham paciência ou parem de ler, isso vai demorar.
E aí que todos em cena, exceto os músicos, estavam com seus textos em punho. Bufei por dentro, mas vamos lá.
Lá fomos. O texto é como eu pensava divertido e bem doidão. E agora esclareço minha interrupção anterior. Quando já saíamos do teatro, um grupo de pessoas à nossa frente conversava sobre como eles se surpreenderam porque esperavam - “uma coisa mais tipo OS NORMAIS”, assim disseram. Como eu disse antes, sem talvez ter deixado muito claro, não era nem de longe isso que eu esperava, algo como OS NORMAIS. Pensei em um texto com o jeitão da Fernanda Torres. À maneira dela, às maneiras dela. Refiro-me às formas semelhantes que ela imprime à muitos de seus personagens, entre tonalidades, tons, movimentos, expressões e palavrões indiscutivelmente marcantes em suas atuações cômicas, que acabam por ser as mais conhecidas.
É claro que não há como (e no caso do texto não havia também porque) suprimir os anos de trabalho e de sucesso com Luis Fernando Guimarães. Há alguns trejeitos de OS NORMAIS, sim, mas não definem a montagem e se encaixam muito bem. Está certo que também não a engrandecem, mas porque não perpetuar a graça já conhecida e tão adorada? Em time que está ganhando não se mexe e esse time ganha de goleada sempre, então valeu.
Volto à meu estado bufante ao ver os atores com texto em punho.
Antes mais um comentário fora de seqüência, peço que prestem atenção ao fato de ter nomeado meu estado irritadiço de “bufante”. Não tenho a menor idéia se tal adjetivo existe, mas dane-se. Quero apenas que ilustre o fato de que eu bufava e não arfava. De arfante basta o Francisco Cuoco, que, justiça seja feita é até um bom ator, mas já foi um ótimo ator. Hoje é tanto "arf arf arf" para cada palavra que ele pronuncia, que fica difícil não parecer que ele está fazendo a mesmíssima coisa há alguns anos: alguém que acabou de subir vinte lances de escada correndo. Perdoe a crueldade, mas agora já era.
Então, eu bufava por dentro. Primeiro confirmei comigo o pensamento lá da fila: de fato vai ser um ensaio geral.. Depois, aliei-me a meu lado mais romântico e idealista. Pensei que talvez fosse uma nova tendência da tão festejada pós modernidade, mais uma dentre as infinitas possíveis e cabíveis linguagens do Teatro. Uma espécie de leitura expressiva acompanhada de percussão e boa graça, minimalista no cenário, revelando no trabalho preciso de luzes o trabalho incrível dos atores e componentes de criar-nos a ilusão perfeita de qualquer coisa quase apenas com as palavras e as caras dadas a elas. Ah! Espetacular. De fato era em certa (boa) medida tudo isso, mas...
Mas acontece que meu lado romântico e idealista tem andado bastante fraco diante de meu estado de críticas mordazes e recalcadas... E aí..
E aí que tudo valeu mesmo mesmo a pena, mas com uma cara de ensaio. O texto foi lido até pelo menos a metade do espetáculo, Cuoco, enrolado na baba de todo o arf arf, perdeu-se umas quantas vezes e ouvia-se nitidamente o ponto a soprar-lhe a cola de suas falas, Jorge Mautner, adorável mas estranhamente duro como se fora um ator principiante,antecipava-se às falas dos colegas entrecortando embaraçosamente alguns poucos dos muitos momentos risíveis. Tudo isso resolvia-se volta e meia com a velha tática de suspensão da realidade fingida na história contada. Num momento somos platéia de uma história, assistimos a um casal no apartamento, o pedido de pizza, o vizinho homen bomba, ... ... ... texto vai, texto vem tudo correndo como já dito mas muito bom (ainda que não tenha parecido), agora casacos de neve, uma cordilheira gelada ao fundo e ... “ah gente, peraí só um minutinho, ô contra-regra, me ajuda aqui com esse microfone que a situação ta difícil” diz Luis Fernando Guimarães fazendo graça. Pronto, agora somos outra coisa qualquer que parece ter um grau de intimidade maior e tudo fica desculpado... Funciona, é claro. Eu mesma me escangalhei de rir.
Entretanto, não pude deixar de pensar que tudo estava um pouco com jeito de descaso com aquela platéia de gratuidades. O MUITO OBRIGADO ao Presidente da Eletrobrás em certo momento ecoou na minha cabecinha cheia de chatices, soando sarcástico e aí aquilo tudo por um breve momento chegou a beirar o desrespeitoso.
Perguntei-me se na sessão de sexta feira, aberta ao público pagante, os textos estariam em punho, se seriam necessários os sopros do ponto e se o contra-regra seria convocado em voz tão alta. Será?
Porque não? Talvez seja esse exatamente o formato pretendido, para todos os públicos.
Não vou saber se ninguém disser, não porque não pagaria para assistir tal peça de novo, mas porque como disse lá no comecinho é raro eu ter a chance de sair a sós com meu marido, e quando aparecer outra oportunidade mais vale ver algo diferente da vez anterior. Assim sendo, por favor me interem dessa fofoca os que lá forem e aqui vierem.
Esclareço que gostei muito do que vi, ri de perder o ar. Recomendo e espero mesmo que seja um espetáculo de sucesso. Tem grande valor.
É só que eu sou irritante e cansativa desse jeito que sou.. ...
Bom, depois de uma postagem desse tamanho, no Domingo eu talvez não volte. Passei dos limites, né?!
O título da peça “Deus é química”, cujo texto de inspiração em um conto de Jorge Mautner, é de Fernanda torres. No elenco estão a própria Fernanda Torres (batman), Luís Fernando Guimarães (robin), Francisco Cuoco, o próprio Jorge Mautner e mais uma galera bem apanhada. CARACA!! (Não resisti).
A sessão numa quinta feira às nove era uma pré estréia fechada para a eletrobrás que é patrocinadora do espetáculo (o marido de nossa abençoada amiga é funcionário da eletrobrás). Tudo ótimo, tudo acertado e lá fomos.
Chegamos cedo porque a primeira instrução era que precisaríamos trocar o convite por ingressos um pouco antes do horário de abertura do teatro. Lá estávamos nós dois ,eu e meu marido, na fila, quando ficamos sabendo que não seria preciso trocar os ingressos. Como era uma sessão fechada a platéia era livre. Maravilha, poderíamos sentar onde bem entendêssemos. Tudo continuava ótimo quando me ocorreu um pensamento bastante besta: “isso vai ser um grande ensaião com platéia”... Passou, não dei atenção para minha antecipação crítica e continuei serelepe na fila, louca entrar.
Uns quantos passos e entramos. Lugares escolhidos, primeiro sinal, depois o segundo, em seguida vieram os avisos e agradecimentos, dentre os quais um MUITO OBRGADO ao presidente da eletrobrás.
Vamos lá, começa o espetáculo:
“Primeiro ato”diz um narrador sentado em uma cadeira no canto do palco e aí
Um parêntesis, antes de começar tudo, comentei com meu marido que devia tratar-se de um texto muito divertido e bem doidão com a cara da Fernanda Torres mesmo... Depois explico o porque deste encaixe... ... Tenham paciência ou parem de ler, isso vai demorar.
E aí que todos em cena, exceto os músicos, estavam com seus textos em punho. Bufei por dentro, mas vamos lá.
Lá fomos. O texto é como eu pensava divertido e bem doidão. E agora esclareço minha interrupção anterior. Quando já saíamos do teatro, um grupo de pessoas à nossa frente conversava sobre como eles se surpreenderam porque esperavam - “uma coisa mais tipo OS NORMAIS”, assim disseram. Como eu disse antes, sem talvez ter deixado muito claro, não era nem de longe isso que eu esperava, algo como OS NORMAIS. Pensei em um texto com o jeitão da Fernanda Torres. À maneira dela, às maneiras dela. Refiro-me às formas semelhantes que ela imprime à muitos de seus personagens, entre tonalidades, tons, movimentos, expressões e palavrões indiscutivelmente marcantes em suas atuações cômicas, que acabam por ser as mais conhecidas.
É claro que não há como (e no caso do texto não havia também porque) suprimir os anos de trabalho e de sucesso com Luis Fernando Guimarães. Há alguns trejeitos de OS NORMAIS, sim, mas não definem a montagem e se encaixam muito bem. Está certo que também não a engrandecem, mas porque não perpetuar a graça já conhecida e tão adorada? Em time que está ganhando não se mexe e esse time ganha de goleada sempre, então valeu.
Volto à meu estado bufante ao ver os atores com texto em punho.
Antes mais um comentário fora de seqüência, peço que prestem atenção ao fato de ter nomeado meu estado irritadiço de “bufante”. Não tenho a menor idéia se tal adjetivo existe, mas dane-se. Quero apenas que ilustre o fato de que eu bufava e não arfava. De arfante basta o Francisco Cuoco, que, justiça seja feita é até um bom ator, mas já foi um ótimo ator. Hoje é tanto "arf arf arf" para cada palavra que ele pronuncia, que fica difícil não parecer que ele está fazendo a mesmíssima coisa há alguns anos: alguém que acabou de subir vinte lances de escada correndo. Perdoe a crueldade, mas agora já era.
Então, eu bufava por dentro. Primeiro confirmei comigo o pensamento lá da fila: de fato vai ser um ensaio geral.. Depois, aliei-me a meu lado mais romântico e idealista. Pensei que talvez fosse uma nova tendência da tão festejada pós modernidade, mais uma dentre as infinitas possíveis e cabíveis linguagens do Teatro. Uma espécie de leitura expressiva acompanhada de percussão e boa graça, minimalista no cenário, revelando no trabalho preciso de luzes o trabalho incrível dos atores e componentes de criar-nos a ilusão perfeita de qualquer coisa quase apenas com as palavras e as caras dadas a elas. Ah! Espetacular. De fato era em certa (boa) medida tudo isso, mas...
Mas acontece que meu lado romântico e idealista tem andado bastante fraco diante de meu estado de críticas mordazes e recalcadas... E aí..
E aí que tudo valeu mesmo mesmo a pena, mas com uma cara de ensaio. O texto foi lido até pelo menos a metade do espetáculo, Cuoco, enrolado na baba de todo o arf arf, perdeu-se umas quantas vezes e ouvia-se nitidamente o ponto a soprar-lhe a cola de suas falas, Jorge Mautner, adorável mas estranhamente duro como se fora um ator principiante,antecipava-se às falas dos colegas entrecortando embaraçosamente alguns poucos dos muitos momentos risíveis. Tudo isso resolvia-se volta e meia com a velha tática de suspensão da realidade fingida na história contada. Num momento somos platéia de uma história, assistimos a um casal no apartamento, o pedido de pizza, o vizinho homen bomba, ... ... ... texto vai, texto vem tudo correndo como já dito mas muito bom (ainda que não tenha parecido), agora casacos de neve, uma cordilheira gelada ao fundo e ... “ah gente, peraí só um minutinho, ô contra-regra, me ajuda aqui com esse microfone que a situação ta difícil” diz Luis Fernando Guimarães fazendo graça. Pronto, agora somos outra coisa qualquer que parece ter um grau de intimidade maior e tudo fica desculpado... Funciona, é claro. Eu mesma me escangalhei de rir.
Entretanto, não pude deixar de pensar que tudo estava um pouco com jeito de descaso com aquela platéia de gratuidades. O MUITO OBRIGADO ao Presidente da Eletrobrás em certo momento ecoou na minha cabecinha cheia de chatices, soando sarcástico e aí aquilo tudo por um breve momento chegou a beirar o desrespeitoso.
Perguntei-me se na sessão de sexta feira, aberta ao público pagante, os textos estariam em punho, se seriam necessários os sopros do ponto e se o contra-regra seria convocado em voz tão alta. Será?
Porque não? Talvez seja esse exatamente o formato pretendido, para todos os públicos.
Não vou saber se ninguém disser, não porque não pagaria para assistir tal peça de novo, mas porque como disse lá no comecinho é raro eu ter a chance de sair a sós com meu marido, e quando aparecer outra oportunidade mais vale ver algo diferente da vez anterior. Assim sendo, por favor me interem dessa fofoca os que lá forem e aqui vierem.
Esclareço que gostei muito do que vi, ri de perder o ar. Recomendo e espero mesmo que seja um espetáculo de sucesso. Tem grande valor.
É só que eu sou irritante e cansativa desse jeito que sou.. ...
Bom, depois de uma postagem desse tamanho, no Domingo eu talvez não volte. Passei dos limites, né?!
11 comentários:
Hahaha, estava eu na mesma platéia que você, e senti mais ou menos a mesma que que você no início, mas depois eu entendi que era esta aparência de contação de história que a autora realmente pretendia. E agora tive minhas suspeitas confirmadas pelo artigo da Veja que se encontra aqui.
Além disso, aproveitando pra fazer um jabazinho, comecei um blog e fiz um post também sobre o evento, não tenho o mesmo fôlego para escrever como você, mas creio que tenha ficado legal: Link do post
E, como diria William Bonner,
"Boa noite", hahahahaha
Você nunca exagera. Podia ter voltado no domingo que seria sempre pouco, na quantidade é claro, não na qualidade.
Como era de se esperar, sua galeria de leitores está crescendo, já já atropela os 17 e 1/2 do Agamenon.
Beijos,
Pai
Como é? Vai mesmo dar uma checada nos comentários de seus fiéis leitores? Vai mesmo brindar esses mesmos leitores com mais textos por semana? Tomara e tomara! A palavra de verificação hoje serveria para ser nome de grupo de rock: "squelesp", sonora, apesar de soar esquisito.
Beijos,
Pai
Hoe é segunda -feira e ... NADA?!?!?!
Saudades dos seus textos.
Beijos,
Pai
Não estou entendendo: só pelo fato do último texto ser mais longo, nós, os esquecidos leitores, vamos ficar a ver navios? Isso não se faz...
Beijos,
Pai
O último texto começa com "Ontem, 6 de agosto...". Como assim "Ontem"?!?!? Hoje já é dia 20/8 e nada ainda? Vamos lá! Produção!
Beijos,
Pai
Marcella cadê você? Eu vim aqui só pra te ler!
Beijos,
Pai
Pelo menos um dos seus leitores sente muita falta de seus textos: EU!
Coé?!?!?!?!? Cadê?!?!?!?!?
Beijos,
Pai
Até eu que leio pouco seus textos, tô sentindo falta de novos.
Bjs,
Nem depois do feriado? Faça um carinho em seus leitores: R E A P A R E Ç A !!!
Saudades, beijos,
Pai
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