quinta-feira, 15 de maio de 2008

SURPRESA

Vê que coisa boa, eu pensando que ninguém teria nada para dizer de mim se eu morresse hoje e ... que boa surpresa, antes que se confirmasse minha suspeita eis que meu querido irmão surge com o risível. Muito muito obrigada. É sempre bem vinda uma surpresa dessas, exatamente como essa foi. Ajuda em parte a te lembrar teu pouco valor, algo como, quem você pensa que é para achar que teriam alguma coisa para dizer a teu respeito (?!), e por outro lado te nega o negativismo na lembrança breve dos que, no caso daquele único que,aqui veio para... é... como eu diria... te lembrar de 20 pratas que vc deixaria de pagar caso morresse hoje...

Bom, foi mal aí, hein... mas ,de novo, obrigada. Fiquei bem mais tranqüila e... não fosse pela grana que vc lembrou, já poderia morrer mais resignada.
bj bj

quinta-feira, 8 de maio de 2008

domingo, 24 de fevereiro de 2008

MY SON´S TRULY FIRST BIKE

My son’s truelly first bike

My son’s truelly first bike is big, it´s done and in the middle of my living room. My son’s truelly first bike it’s not his first bike, it’s precisely the second, but now it’s for real. That’s why I feel like now it’s his truelly first bike. And it’s scary. My son’s truelly first bike makes me terrified.
Not because of the accidents that could happen wile he rides it, not because I thing it is to big for him yet, but because it looks like for trough. It has tires number 20, in our measures here in Brazil, and it looks like with it he’s going to get easily away from me. I look at it, there, in the middle of my living room as it is, and I see that this could be the very beginning of the distances he’s going to take from me so independently.
Of course that I’m worried about him falling while riding it, and I’m worried that he gets hurt because of a fall, but mostly I’m worried about what is going to happen to him after he gets far from me. I’m worried about everything that can happen to him that would make him feel hurt, I’m worried that he may fall apart. I’m worried of not being near when it happens, not to be able to hold him tied and tell him that things are going to be better. With tires like that, in his just (truelly) first bike, imagine where can he go, how distant and for how long. Tires number 20 for my five years old boy. Why? Why does he need it? Why did I bough it? Why the hell did he had to ask it for his birthday. I couldn’t deny it. Sure, for now I’m over reacting. It’s just a bike… for now… It’s a toy, it’s something that may even make us closer than we are. It’s a very good reason for all of us going together for a walk on a sunny Sunday. My son, me, his daddy and his brother, going out for an ice cream. As simple as it is. Just great.
Very soon after that, the classic scene of everybody together for the cause of learning how to ride the bike without the assistant wheels. Thank God. Thank God for moments like that. Please let it be many of them.
And for now I’m good, I mean, I’m still worried about lots of stuff that a mom usually worries about, but for now that’s ok. For that matter let the good moments come and let’s enjoy it the most. Wile we can, wile he doesn’t finds out that a bike it’s all it takes for him to start taking his own steps in to the world so big.

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2008

DIFICULDADES E INCAPACIDADES

Confesso: no começo tudo estava indo muito bem, bastava que eu me sentasse diante do teclado e adentrasse ao BLOG, para muito vir às idéias. Aí... tudo. Férias acabam, aulas começam e com elas a ditadura dos uniformes (não para os filhos,que no meu caso ainda pequenos não se incomodam, mas para nós, mães, que passamos a semana num lava, seca e passa sem fim até que por fim e UFA chega a sexta-feira!). Então... ai, muita coisa, corre corre, veste daqui, arruma dali, olha a hora... Enfim...tudo. Todo esse monte de coisa e fiquei temporariamente assim assim. Ainda estou um pouco, hoje vou colar do caderno. Aquele que já contei, sabe?
Pois é, aqui trago mais ou menos como lá li do que antes escrevi, umas coisinhas sobre dificuldades e incapacidades.
Certamente que há algumas outras, mas aqui (lá) vão três coisa que observo ter muita dificuldade ou mesmo uma incapacidade neurológica de realizar:
1. Caminhar e beber água na garrafinha ao mesmotempo (rsrsrs mas é verdade!)
2. Dirigir e falar ao celular
3.Tocar qualquer instrumento musical (isso eu presumo,é claro, pq não tentei todos, mas nos que eu me arrisquei já deu para ver que não rola.)
Sobre a segunda das dificultades expostas, advirto que já o fiz uma ou outra vez, mas muito mal. Não é por ser caxias, ou querer me gabar de ser uma cidadã exemplar nem nada disso, é um fato neurológico, fisiológico, quem sabe organizacional da estrutura do meu ser ou puríssima estabanação mesmo (o mais provável) e a realidade é que não posso e não consigo atender o celular quando estou ao volante - POR FAVOR NÃO INSISTAM-
A questão da água e das caminhadas, prefiro nem comentar... sempre vai ter um engraçadinho para culpar a cor do meu cabelo... Faça-me o favor, né?! Comentário tão insuficiente e estúpido quanto dizer que o Lula não é capaz de governar o país porque não fala o português gramaticalmente estabelecido (vulgo,vulgar eu diria, "fala errado"). Venhamos e convenhamos, certamente não foi esse o fator determinante e nem a causa ou razão das @#%*@#$% que ele andou cometendo. O que quero dizer é que já tive cabelo de muitas cores nos idos tempos de aventuras tintorescas comuns a adolescentes, e mesmo então, não conseguia caminhar e beber água na garrafa ao mesmo tempo, assim comojá tivemos muitos presidentes e muito mais convencionadamente capazes e que fizeram @#$%**&%$# muito maiores. Talvez até o Lula sendo melhor letrado as faria da mesma forma ou pior. Opa, melhor parar senão a dificuldade toda vai ser mudar o rumo dessa prosa...
Quanto aos instrumentos, anotei logo em seguida lá no caderno:
Para lembrar - insistir em tentar tocar algum instrumento musical!

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2008

+ UM CONTO

Pelo CARNAVAL que passou(quase que há muito), este breve conto que ficou... Ah, para os que não apreciam muito, vou logo avisando: este é cheio de palavrões... (Ops, papai não vai gostar!)

NA CONCENTRAÇÃO

Porra, Betão, me deixa entrar aí, rapá! Não posso, cara, tô na merda aqui, tem neguinho de olho em tudo que é canto. Que isso, meu irmão? Faz três anos que marco presença na avenida, velho. Tu me conhece de outros carnavais. Tô dizendo que não dá,porra. “X-9” pra caralho, não ouviu, não?! Ô betão, qual é, cara, aí dentro eu dou um jeito, fico lá no meião, ninguém vai me ver... Tá surdo, porra? Tô dizendo. Olha em volta e presta atenção, Mané. Tá vendo o Zeca por aí esse ano? Não, porra! O cara foi pro olho da rua, porque deixou a Regininha da Império entrar sem uma ombreira. Uma ombreira, cara e ó que a mulhé é do samba desde que nasceu. Uma ombreira? Ah, Betão não fode! È sério, maluco, tá pensando o quê? ! Carnaval não é mais sair botando o bloco na rua, não. O bicho tá pegando, simpatia. Foda-se, Betão, vou entrar cara... Tá maluco, meu irmão? Olha pra ti ô coisinha. Dou uns dez de tu!
Que isso, velho, tu vai partir pra cima de mim? Tu acha que não? Tenta a sorte pra tu vê! Pô, Betão, na boa... aqui ó cem pratas na tua mão. Cenzinho só pra ti, hein?! Porra, cara, tá me enchendo o saco. Não rola, maluco, te manda, vai. Tu não tem coragem, Betão, qual é, a gente ficou amigo. São só umas peninhas, cara, plumas, sei lá...No adereço de cabeça, caralho! Essa porra aqui não é bagunça, não. Se tu fosse desfilar noutra escola, eu até não embarreirava, mas é a Mangueira, meu irmão.É minha escola, porra. Podia tá faltando um penacho só. Por mim tu não passa. Foda-se, Betão, eu vou entrar, dá licença...Te manda Playboy, tô avisando, cara, eu te conheço. Tu não tem amor porra nenhuma pelo carnaval. Quer entrar só pra se esfregar em mulata. Parece gringo, ô zona sul! Cada ano uma escola diferente, fantasia comprada em setembro, não sabe nem onde fica o barracão. Todo ano a mesma merda, tu chega aqui cheio de marra, cheio de gíria, se sentindo nascido no morro. Vai pra porra. Já disse, é a Mangueira, caralho, minha escola do coração, não sou eu que vou dá motivo pra ela perder ponto. Que isso, Betão? Calma aí, cara! Ta engrossando comigo porque? Essa merda ta caída e tu sabe. Não é só por causa de umas peninhas que faltam na minha cabeça que ela vai perder ponto, não. Tu também tá cheio de onda, escola do meu coração e nhé nhé nhé... Que merda é essa?! Não vai me deixar entra não? É? Vou te mandar a real: essa escolinha aí vai pro segundo grupo, seu merda!


Porra, betão, tá maluco, cara, tu quebrou o meu nariz, caralho!

Que isso, cumpadi, não faz isso comigo não, Betão. Me deixa entrar, cara, pelo amor de Deus...Presta atenção, pô, o amor da minha vida tá aí dentro, velho, na moral... É carnaval, playboy, tá cheio de amor por aí, procura outro. Agora se manda, vai. Vê se acha um lugarzinho pra assistir o show... já que tu veio até aqui não vale a pena perder o espetáculo.

É, já estava por ali, não valia mesmo a pena voltar pra casa. Arrumei um canto até bom, dava pra ver bastante coisa. Só isso. Esse ano foi só isso, fiquei de fora. Só fiz ficar com uma puta dor, o nariz sangrando e vi a Mangueira entrar...
Tive que rir... sozinho. Pior vai ser bolar uma resposta eficiente pra essa piadinha, que com certeza, vou ouvir pra caralho quando essa porra acabar...

domingo, 17 de fevereiro de 2008

FUNERAL

Enquanto isso, no outro lado da cidade, na verdade em outra cidade deste Estado, havia uma outra avó. Havia. Não há mais. No dia 14 de fevereiro de 2008 deixou de haver de fato, mas já fazia algum tempo que ela não se ia havendo muito bem. Nada bem.



Brincou meu irmão que era bom que eu tivesse uma boa desculpa para não postar-me aqui por tanto tempo, "tipo..."minha vó faleceu e eu fui no enterro dela que foi longe p caralho no meio de uma floresta em um lugar chamado secretario..."... ... De fato assim ocorreu, embora não tenha sido isso o que me afastou por um tempo destas linhas. Tanto melhor (para os que me gostam de ler), isso me troxe de volta para dizer um pouco também dela, minha outra avó.



Foi bastante confuso, porque envolveu muita coisa. Eu já estava um pouco hormonalmente descompensada, fui acordada com um telefonema às seis da manhã com a notícia, fui ao trabalho para uma reunião estúpida e desnecessária e de lá parti para o funeral. Com medo. Nunca antes estivera num funeral. Com muito medo.


Chegamos tarde, eu meu irmão e minha cunhada. Fomos os últimos a chegar... ficou uma sensação ruim de que estavam somente a nossa espera para o sepultamento e nós, netos desnaturados, os últimos a chegar. Tudo bem. Nada... Tudo bem, nada. Tudo indo, até que eu a vi ali, deitada sob uma quantidade mórbida e assustadora de margaridas, com apenas o rosto e as mãos sobre o peito à mostra. Fiquei esperando que ela se mexesse, minha cabeça não conseguiu concatenar direito a idéia da imobilidade definitiva e fiquei bastante aflita. Muito aflita, muito mesmo. Fiquei parada a certa distância do caixão, os olhos fixos no algodão que preenchia o vão que não se fechou na boca da vó. Minha mãe dopada, esquisita, sei lá, mais ou menos como ela já é de costume, um pouco para mais, fez uma brincadeira achando ser um momento bom para o risível:


"Não se conhecem? Deixa que eu apresento _ Vovó, Marcella, Marcella, vovó_" Sem graça. Nenhuma. Muito sem graça.


Se não a conhecia? Aqui vai um pouco dela como conheci, talvez alguém tenha a medida para dizer se o que eu tinha dela era suficiente para responder à pergunta.
Tinha setenta e tantos anos, acho que uns dez a menos que minha outra avó, mencionada na postagem anterior, mas ultimamente parecia ter uns cem a mais. Porém não simplesmente. Assim aparentava porque resistira brava e surpreendentemente a dois carcinomas graves. Gravíssimos, coisa de muito mais do que sete pontos na carteira... O primeiro foi na pleura, de leve, com metástase no pulmão e nas costas, se não me falha a memória, e o segundo bem simples, mais ou menos ali pelo CÉREBRO!!!!!!!!!!! Admiráveis cem anos a mais de uma verdadeira guerreira. Highlander começou a pensar que finalmente teria companhia em seu solitário mundo de sobrevivência a todos e até os jedis pensaram tratar-se de uma nova escolhida... Que a força esteja com você, vó, exatamente como esteve enquanto você resistia entre nós antes do derradeiro golpe sei lá por quem executado. Quem quer que tenha sido, se de fato alguém há que seja responsável por chamarnos daqui na hora que é nossa de ir, enfim, quem quer que tenha sido, muito sábio foi. Não era para esta minha vovó ficar de cama, sem fala, sem caminhadas nem longas nem curtas, sem habilidades manuais, sem nada, a deriva de quem a estivesse tomando conta. Melhor como está agora, descansada e independente de novo porque de ninguém precisamos para ir embora de vez.
Lembramo-nos, eu e meu irmão, durante o trajeto da viagem e o longo trajeto do cortejo (de fato o cemitério era longe pra caralho), de algumas lembranças que guardávamos da vó. Eram muitas. Com ela, muito próximos a ela, vivemos muitos anos.
Tarso lembrou-se das comidas: do queijo minas frito com açúcar, da calda de chocolate, da batata especial... Ele brincou sobre como ela estaria se tivesse posado para a morte como se para uma foto. Fazendo uma careta, ele acha. Ela adorava caretear, em muitas fotos assim o fez e talvez, se tivesse tido a chance de escolher, talvez tivesse morrido assim, divertida. Eu me lembrei de como ela dançava e gostava de dançar. Notamos que poderia ter sido apropriado tocar um forró que ela tanto praticava de arrasta pé em arrasta pé que freqüentava. Era muita coisa. Repetimos algumas vezes, para nos forçar a acreditar, que foi melhor assim e escolhemos ficar com as coisas boas. Havia algumas cruéis, porque todos nós temos e deixaremos não só boas coisas, mas era a hora de deixar pra lá. Mais vale uma vó boa no coração do que rancores pairando de algumas vezes uma vó mais malvada...
A saudade depois de passado o enterro, é que tomou mais forma. Uma besteira... Meu Tio, quando já estávamos indo embora, chamou-me no quarto, me entregou um dinheiro e foi dizendo "foi seu aniversário e sua vó gostaria de te dar um presente, você sabe que ela sempre fazia isso, por favor aceite". Carinho de vó, sabe? Aquela história batida do dinheiro que vovó me deu num envelope no meu aniversário e que é só meu, eu posso fazer o que quiser com ele... foi vovó que em deu... Fiquei chorosa. Vou sentir falta. Não do dinheiro(nunca é demais deixar bem claro), mas do carinho, da intenção, do presente batido que personificava doses de independência, me dava ares de independente,exatamente como ela gostava de ser.
Ainda vai na minha cabeça muita coisa. Muito estou reforçando para que fique bem gravado e num outro tanto ainda estou passando a borracha. Pode ser que ainda dure um tempinho esse processo, não sei, mas acho que só quando passar é que vou conseguir gastar o dimdim que minha vó me deu no dia do seu funeral.

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2008

Antes que o tempo acabe ou que eu me esqueça

Tenho medo de perder a memória. Dos medos que tenho, esse é um dos que me lembro de bastante tempo. Já tive pavor, quase pânico de perder a memória, hoje resta algum medo.
Era um pavor ou pânico velado, não tinha desespero nem nada, mas lembro-me (que bom!) de que nas minhas agendas eu fazia anotações com referências, por exemplo:
Leonor (mãe); Paulo (pai); Tarso (irmão)... coisas assim. Nas carteiras sempre carregava um cartãozinho em que escrevia o máximo de dados a meu respeito para,caso eu perdesse a memória, ter uma ajuda para saber quem sou. Não é exagero. Vão em frente se quiserem me achar um pouco maluca... por mim tudo bem, essa não é a questão central aqui.
O que quero dizer é que antes que o tempo se acabe ou nos esqueçamos é bom deixar registrado o que acharmos importante, ainda que pareça piegas ou bobo demais para dizer, gravar escrever ou expor. Tendo dito,pretendo hoje, hoje mesmo, declarar aqui um importante amor, porque se um dia a memória me faltar de maneira irrecuperável (ai que medo) mesmo não me lembrando, certamente no fundo sentiria que teria faltado dizer alguma coisa...
Vamos lá...
Sabe aqueles filmes ou piadas , que nos parecem ou soam tão magníficos a ponto de sentirmos uma imperativa necessidade de que outro partilhe dessas breves alegrias? Lembramos imediatamente de alguém que saberia exatamente de nossa emoção ou risada e na primeira oportunidade de encontro com essa pessoa, recontamos o filme ou a piada, o poema ou a prosa. Sem deixar escapar nem um detalhe, cena a cena, verso a verso, linha a linha, falamos, falamos, falamos e no fim da narrativa, fica a sensação de que ... Nada! parece que não surtiu todo aquele efeito que esperávamos... nessas horas eu acabo por acrescentar "você precisa ver(ouvir, ler...)!" Então, há na minha vida (graças a Deus) uma pessoa que, por mais minuciosamente que eu descreva, não é possível acreditar ou não acredita-se o suficiente que seja possível. É preciso conhecê-la! Muitos já me ouviram dizer brincando que "quero ser minha avó quando crescer"... Tudo bem, crescer já estou bem crescida, já entrei na categoria gente grande, então melhoro a brincadeira que é bem verdade: quero envelhecer como minha avó.
Alguns e algumas podem reclamar que ela não tenha sido a melhor das mães, ou das sogras. Tá certo, vocês têm todo o direito conquistado como filhos e noras ou genros que são ou foram... eu respeito, mas direito por direito, eu e todos os netos que quiserem se manifestar aqui, temos o direito de amá-la muito muito e dizer incansavelmente de nossa admiração. E eu o faço:
Ela tem nada menos que 88 anos, isso mesmo, eu repito caso você tenha achado que leu errado, - 88 anos(!!) e ossos fortíssimos de uma muito saudável moçoila de 20! Todos os dias caminha na praia, não tem empregada e mantém sozinha sua casa impecável. Arrasta a mesa, o sofá, a estante e varre cada canto do ap em Ipanema com rigor de General. Tem um gênio e tanto... Meu pai brinca que ela é do FBI - Federação das Baixinhas Invocadas (rsrsrs).. Toma as dores veementemente dos indefesos quando a causa lhe parece legítima e justa, arruma confusão no banco caso a tentem passar para trás (as histórias são incríveis, vocês têm que ouvir...) e cozinha como o quê, mas, tão autentica que é, prefere comer na rua para não ter tanto trabalho diariamente. Ingressou corajosamente no sapateado aos 87 anos e está aprendendo um novo idioma: Italiano, depois de ter cursado com louvor o espanhol, já na terceira idade! Conhece meio mundo... mais da metade melhor dizendo... quase todo, na verdade. Desde o dia 27 ou 28/01 ela está nos Emirados Árabes. Volta dia 18 deste mês (saudade). E... Ah! ... É claro, não poderia me esquecer... ela tem um vasto bestiário de expressões com a palavra ! Olha que maravilha, minha "vó Letu", com 88 anos e divertidíssimas expressões palavronescas!!
Exemplos:
Não gostou? Meta a mão no cú e rasgue
Ah! Vá cagar na praia e limpar o cú com as conchas...
Mais hein... Eta vó!
Enfim, antes que o tempo se acabe, que meu tempo acabe ou o dela, deixo aqui por escrito meu amor e minha necessidade imperiosa de partilhar com outros essa pessoa incrível, minha abuelita super pra frente que me ensinou, quando conversávamos sobre se eu devia ou não trocar de nome ao casar, ela disse:
"Nao importa que você seja Marcella Bueno, Aôr , de Britto ou do raio que o parta. O importante é você ser Marcella."
TE AMO MUITO, VÓ.

segunda-feira, 28 de janeiro de 2008

ESTE ANO

Minha casa, 28/01/2008 _23:48 _
Faltam alguns poucos minutos para meu aniversário. Encontrei no meu caderno para este ano:



" No dia do meu aniversário vou deixar um recado assim na caixa postal do telefone: Bom dia, boa tarde ou boa noite, aqui é a Marcella. Hoje não vai ser possível falar comigo. Estou sem sinal! Com licença, mas me reservei o direito de ficar fora do ar no meu aniversário. Desliguei-me de tudo menos dos meus.


Bom, se vc ligou pq já sabia que é meu aniversário, obrigada. Se vc não sabia, agora já sabe e pode ficar a vontade para deixar os parabéns que eu agradeço também.
Se quer saber qual é a boa p/comemoração... se aquiete, não vai ter NADA. Fiquei um pouco cansada de combinar, marcar, chamar e ... esquecerem, não irem, ou simplesmente eu ser sem jeito mesmo para amontoar pessoas... Enfim, se vc é do grupo que sempre lembra, liga e comparece, já viu que não é contigo. Se é do outro grupo, pode ficar sem graça... se quiser, mas não precisa porque eu não estou chateada nem nada, só a fim de ficar na minha. Tenham um ótimo 29 de janeiro e obrigada por ter ligado. (RSRSRSRS) _ Aí... vou deixar bem pouquinho tempo para quem ligou deixar recado!!!
Parece um pouco amargo e na verdade foi com alguma amargura que fiz essa cuspida anotação no meu diário de bordo, mas agora já está tudo bem.
Vou sim desligar meus telefones e não atender o de casa, mas numa boa. Só quero um dia de paz só meu com os meninos e o Rogério e só. Nada nas entrelinhas, nada subentendido, quero aprender a lição do só isso e ser muito feliz com meu dia. É o primeiro dia do ano no meu calendário particular e vai ser muito positivo se eu souber o simples.
Agradeço aos que tentarão, eu tenho certeza, falar comigo. Muito obrigada mesmo e não se sintam ofendidos se eu não responder ou com o fato de que não os atendi... fiquem felizes... Estou tentando uma coisa nova! Quem sabe ano que vem.

sábado, 26 de janeiro de 2008

ANOTAÇÕES

Comecei um diário de bordo. Assim chamo porque nele redijo anotações e direções das minhas coisas mais minhas. Na contracapa, para que nenhum desavisado desavisadamente desse uma de esperto, fui logo deixando avisado:
"Marcella Aôr _ ANOTAÇÕES MUITO MUITO PESSOAIS _ Atenção: Caso tenha encontrado este caderno,POR FAVOR NÃO LEIA(!). Principalmente se me conhece. Caso não resista, por favor FINJA QUE NÃO LEU(!!). Para devolver..."
Não é nada demais, na verdade. Anoto umas gracinhas ditas pelo Bê na idade em que ele está, de descoberta das coisas, relembro a receita de mojitos e caipirinhas e escrevo mais uma meia dúzia de besteiras e idéias, sustos, agonias, nervosismos, surpresas, sorrisos, choros,alegrias e felicidades.
Por exemplo, encontrei lá, com data de 04 para 05/01/2008:
Para forjar momentos de solidão, aos quais me furto quando bate ansiedade:
  • Colocar a cabeça bem debaixo do chuveiro forte, de maneira que só se ouça o som da água batendo nos próprios ouvidos
  • Viajar à noite
  • Quando estiver viajando à noite, no banco do carona (é claro) usar óculos escuros (mais ainda em túneis)
  • Ir ao cinema sozinha
  • Boiar (no mar tanto melhor)
  • Ver o dia nascer (o dia se pondo é para ver a dois)

Coisas assim...

sexta-feira, 25 de janeiro de 2008

UM CONTO...

... Por que alguém me disse: Só tem um conto, p...
Bom, aí vai outro e, a propósito, tem dois contos um está na postagem "GENTE DE TALENTO 2007" e outro em "PARA ME REDIMIR..."

Palco


Uma mulher. A boca borrada de batom vermelho vivo, sangue nas mãos que gesticulam as palavras que profere com ódio e lágrimas a fluir pela face, emoldurada por também sangue, porém seco, que vem dos cabelos sob o manto preto cobrindo-a da cabeça aos pés. Um par de mãos. Dentro da bolsa de vinil vermelha; entraram puras, lisas, sem antecedentes e saíram armadas. Mais medrosas do que vingativas: um provável suicídio.
Dois cenários diferentes, paralelos, parecidos, intercalados por um notívago vão de cortinas fechadas.
Abrem-se as cortinas. Ao fundo um pedestal cor de noite das mais escuras e sobre este, um grande homem grande que deixa ver seu rosto em meio ao fogo que está por trás.
Ao centro: NADA. Na boca de cena ele. Começou por assistir e agora estava abandonado naquele palco. As cenas congeladas prosseguiam atuando-se sem platéia, mas ele não vê. Olha para trás atordoado e percebe o rosto no fogo acenando para que ele prossiga, como um desses conselhos mudos, olhares de pai confiante, pedinte que o filho caminhe agora por si só.
Ele vai. Não sabe como, sabe tudo: falas, tempos, marcações... Segue assim por todo o ato narrando, assistindo, atuando, deixando-se movimentar pelo impulso das grandes ondas de marés mundanas que movem as coisas.
Às vezes, tropeça no ar, nas palavras, nos próprios pés e com o tempo não apenas se levanta, se recompõe, como aprende a rir dos tombos e das falhas contando-as em piada ou criando enredos outros como bifurcações inesperadas ao principal.
Parece sonho, mas só hoje percebeu. Foi hoje sua vez de se descobrir sob essas luzes de uma ribalta particular, lotada de milhares de outros personagens entre atentos, dispersos e desconhecidos. Cada um com seus cenários paralelos, parecidos disparates, mesclando-se a outros confundindo tudo, fazendo o mundo pequeno, clareando tudo. Fogo.
Parece interpretação, engano. Parece sonho,... Mas é.
Um negro prognata, queixo grande postado para frente, camisa verde, um cigarro por acender, sorri com o olhar bêbado e me interrompe ininterruptamente enquanto tento conversar. Sinto que gargalha por dentro, mas, por fora, ri baixo, contendo-se como que sem forças e me diz apontando com os olhos: - Olha lá o cachorro, olha, olha lá... (mais risos).
Minha vez, quem sabe não é a minha chance de descobrir? Estou quase sorrindo junto, apoio-me em sua mão, viro-me, correndo os olhos a buscar o cão e o estou quase vendo quando me acorda minha própria voz, cortando meu sono com a lâmina estridente de um latido repentino e assustado.

quinta-feira, 24 de janeiro de 2008

COMENTÁRIOS

"Sua vida é um saco" comentou meu irmão quando finalmente resolveu visitar-me por aqui. Minha vida é um saco. FODA-SE ... e a propósito muito obrigada, fico feliz que você tenha notado. Se é chato demais para você, se manda. Eu vou ficar aqui, exatamente onde estou feliz em estar, desse jeito.
Podia ser que minha vida fosse ou só um saco ou tudo de bom... Podia ser que eu simplesmente discordasse ou simplesmente nem ligasse... mas não.Vê como as coisas, todas elas, têm muito mais do que simplesmente dois lados?! A verdade é que hoje em dia, a maior parte das vezes para muitas coisas , como essa, eu penso "não gostou, se manda" e de fato não me importo muito... É você que vive a minha vida? Você acha que eu estou infeliz vivendo-a? Não? Só acha chatinha? Ah... então tá, né?!
Então por que me deixou meio assim assim esse comentário?
Lembro-me de ouvir dizer quando era criança, que havia uma palavra que, sozinha, dita na hora certa mudaria o mundo(rs). Lembro-me de ter acreditado (rsrsrsrsrsrsrs gargalhadas). Mais que isso foi tão piamente que depositei fé nesse preceito que por alguns dias, mêses, anos, volta e meia me encucava tentando descobrir que palavra poderia ser essa tão forte, capaz de engendrar uma mudança em todas as coisas...
Fui crescendo e me dando conta de que tal palavra não existe e mais ainda não existe força suficiente que se aplique a uma só palavra que possa mudar o mundo.
Talvez uma frase, pensei, e ... não, também não... Hoje sei que mesmo um discurso, por mais forte e mais veemente que fosse não ocuparia alto posto no hall das grandes tentativas de inspirar grandes mudanças. Sobre a tal palavra, nem pensei que podia estar aquilo que ouvira no lado das mentiras, quando ainda pensava que havia somente mentiras e verdades. Ainda bem. Por não ter considerado essa possibilidade, continuei buscando-a e fui aprendendo essas outras coisas. Continuamos todos. Deve haver alguma coisa no inconsciente coletivo que nos diga que podemos mudar o mundo ou as pessoas no mundo... As vezes percebo um exercício diário e exaustivo por buscar o sarcasmo preciso que vai sacudir a vida do outro e fazê-lo mudar o rumo das coisas.
Muito obrigada, Tarso, por ter tentado. Obrigada mesmo, mas não, obrigada. Não vai ser esse o gatilho AINDA que vou aproveitar, porque POR ENQUANTO (e espero que assim permaneça por um bom tempo) estou satisfeita com minhas coisas. Vou programando minhas mudanças, algumas mais, algumas menos, outras nem tanto nem tão pouco,e vou seguindo por esses meus passos mesmo, mesmo que aos olhos de uns sejam tão tediosos e de outros bastante aventureiros (quem sabe... alguém se habilita?). E agora, já tendo agradecido, devo também me desculpar: sinto muito por ter deixado de tentar encontrar as palavras precisas para dar uns saculejos em você também e ver se você muda umas coisinhas meio blah nessa sua vida u-hu(!!)... foi mal.
Tudo bem, já chega. Botando tudo em pratos limpos, o que interessa é que se uma palvra vale mais que mil ações, um gesto vale mais que mil palavras, como todo mundo está careca de saber. O que valeu mais no final das contas foi o belo gesto do querido irmão de ter dado uma visitadinha, mesmo tendo dito não ter tempo de "ficar lendo bobagens na internet", por ser um " garoto muito ocupado etc etc etc..." . Amei! Isso aí, Brother, way to go! Te amo. Te amo mesmo, viu? Você sabe.

segunda-feira, 21 de janeiro de 2008

PROPAGANDA

Bum! Finalmente tomei coragem, mascarei a vergonha (muita) que tinha na cara, dei-la a tapa e criei um BLOG. O primeiro texto redigi sem muita definição do que faria aqui, o segundo foi ainda mais perdido e aos poucos fui me familiarizando com a idéia. Continuo arriscando só, mas com menos medo. Pensei de vez por outra mostrar neste espaço alguns dos contos e crônicas aos quais me arrisco, contar uma ou outra lorota ou aventura e ver no que dá(esperando, é claro, boa coisa). Decidi espalhar por aí de um jeito diferente: fiz um cartão contendo por informação apenas o endereço do BLOG e mais nada. Mandei por correio _ nada convencional, né?! _ e fiquei esperando. Esperei um pouco mais do esperava esperar mas finalmente... O primeiro comentário, que alegria, minha irmã caçula (como ela mesma assinou) toda satisfeita com o BLOG e com a propaganda do BLOG. Oba, bom sinal! Adorei. Mesmo mesmo. Agora continuo aqui esperando outros efeitos do cartão. Isso aqui é para espalhar mais que fofoca, viu?! Pode falar mesmo, para chegar bem longe mais rápido que notícia ruim... aquela velha piadinha já tão desgastada: "Se gostou conte para os amigos e se não gostou para os inimigos" cai como uma luva para este totalmente despretencioso (eu juro) BLOG. Enfim, não é com nenhum tipo de regularidade que preencho algumas linhas para deixar aqui, mas volta e meia venho e volto e todos são bem vindos a bisbilhotar. É de graça (rsrsrs) fiquem a vontade.
Aguardo ainda algumas pessoas aparecerem: TARSO, TIA VIRGÍNIA, TIA SANDRA, VÓ LETU... VAMOS LÁ, FAMÍLIA, PELO MENOS VOCÊS, NÉ?!

quinta-feira, 17 de janeiro de 2008

PARA ME REDIMIR...

É possível que depois de ler meu texto desforado de ontem, algumas pessoas estejam imaginando que vivo rancorosamente meu casamento ressintindo-me do meu marido vez por outra.Não, não é nada disso(!) e para me redimir aqui vai um conto que escrevi já faz algum tempo, inspirada pura,simples e completamente por meu querido maridinho e que conta de minha vontade que assim permanece:

Meu outro lugar

No corpo do meu marido eu queria estar agora. Que fosse um território eu queria. Um país, um pedaço de terra, um canto da sala. Assim que no corpo do meu marido eu queria estar agora. Como num lugar. Estar como estar no Cazaquistão, no Rio, no pátio, numa rua, no mundo. O corpomundo do meu marido.
Não dentro do corpo, como quem in-corpora, mas no corpo do meu marido abraço. No corpo do meu marido abraços que ele já não me oferece mais quando me vê chorar, corpo terra distante, longe de casa, corpo outro planeta: corpo Plutão. Longe.
Corpo do meu marido quando me busca um pouco desajeitado porque tem pressa em saciar sede e fome de mim. Corpo de terra quente, planeta mercúrio.
Corpo do meu marido relógio na burocracia de horários apertados e conversas só as relevantes. Corpo repartição pública, até prático mas sufocante quando quebra o ar condicionado. Como se o corpo do meu marido uma área; exatas. Razão. Aí já quero um corpo mais mar. Água e sal como das lágrimas, mas sem chorar, porque seria já um corpo mais mulher. Alguma coisa como um corpo que tenha lido Manuel Bandeira e saiba um soluço sem lágrima.
Ele leu Manuel Bandeira e lê. Um corpo do meu marido estante, que me encanta, que prioriza livros. Para livros sempre há espaço e sempre vale gastar com eles dinheiro. O corpo do meu marido um lema: comprar livros não é gastar, é investir.
O corpo do meu marido pernas, braços, peito, rosto. Corpo do meu marido que é corpo do meu marido mesmo. Corpo do meu marido pele dele, que é metade da fronteira do outro de mim. A outra metade minha pele. E quando encostadas, nossas peles, não como um corpo só_ corpoclichê_ mas como uma membrana celular semipermeável. Limite e extravasamento. Corpo do meu marido essas linhas, corpo do meu marido só ele mesmo para me dar uso a um termo da biologia do 2º grau. Corpo do meu marido enfim, onde eu queria estar agora.
Exatamente assim, mas não só, exatamente assim e um pouco mais. Não mais que isso e já muito. Corpo vasto do meu marido, corpo latifúndio, milhas e milhas, continente. Corpo terra do meu marido, corpo do meu marido espaço. Como num lugar. Assim que no corpo do meu marido eu queria estar agora.

quarta-feira, 16 de janeiro de 2008

MUDANÇA DE PLANOS

Hoje,16 de janeiro de 2008, foi meu primeiro dia de férias. Como eu planejara com certa antecedência, deixei as crianças na escola e passei a maior parte do dia arrumando armários. Pretendia passar o dia todo fazendo isso, mas depois de almoçar parei para ver um filme. Depois do final, mais algumas coisas para fazer, o dia já ia quase acabando e eu já pronta para, chegado o fim desse dia, finalmente, sentar-me diante do computador e redigir aqui umas boas linhas negativas e mal humoradas sobre romances e finais felizes... O filme que ocupou minha tarde datava de 1982, ano de uma década de exageros em rompantes amorosos cinematográficos, de muitas cores, de muitas ombreiras, penteados volumosos, xadrez com rosa choque e muitas música cujas letras contam histórias muito românticas. Sem falar é claro em muitos, muitos finais felizes ao som das tais músicas... Vê só como eu fiquei um pouco amarga? Eca!
Começaram a subir as letrinhas e eu me lembrei que sempre fui louca por finais felizes e não entendia como era possível que eles não fossem apreciados por absolutamente todas as pessoas na face da terra... ... ... Aí, aconteceu que me dei conta de que as coisa realmente mudam muito: hoje não só compreendo perfeitamente o time dos não simpatizantes por finais felizes e até mesmo contrários a eles, como por vezes ainda assino embaixo. Ultimamente tem sido por muitas vezes, infelizmente, que me vejo criticando vorazmente os açucarados finais romanticamente musicados.
Entendi que o que eles fazem, esses finais, sendo tão perfeitinhos, é de uma crueldade atroz na maioria dos casos (atenção, eu repito, na maioria dos casos...). Lá estamos nós diante da telinha ou da telona, tanto faz, e de lá saímos deslumbrados, querendo do mundo "mansões, iates, mulheres e cem milhões de dólares", ou um príncipe encantado (mesmo que sem cavalo branco), desses mais modernos personagens que aparecem no seu trabalho no meio do dia sem motivo nenhum, cheios de carinhos e te raptam esfregando na cara de todo mundo como você é amada...Oh! É, de lá saímos deslumbradas e de lá voltamos bruscamente à mais pura realidade.. Qual seja: ACORDA, MULHER... principalmente se você já é casada, a verdade é que a monarquia já era e principado só em mônaco. Aliás, se você encontrar um cavalheiro por aí... (prepare-se para a amrgura total agora), é melhor matá-lo de uma vez, porque a concorrência vai ser com meio mundo - de ambos os sexos - e vai ser muito difícil de aguentar... Assim vc garante que ele não vai ser de mais ninguém e acaba logo com esse mito!!
UUUUFFA!! DESCULPAS. MESMO. 1 MINUTO PARA RESPIRAR.


Tudo bem, exagerei. Mas não se engane, você sabe que seu marido não vai te surpreender com declarações e sequestros relâmpago para um final de tarde romântico a dois... e aí está a crueldade dos finais felizes: embora você saiba da realidade eles insistem em iludir nossos pobres corações e nós caímos feito belas patinhas.
Enfim, já estava eu pronta para dizer umas poucas e boas quando, ao buscar os meninos na escola tive uma conversa com uma das professoras. Ela estava muito nervosa porque vai se casar em poucos, pouquíssimos, dias. Veio me perguntar: É normal isso, né, ficar uma pilha como eu estou agora?
Claro(!), eu respondi.Mas foi meio sem saber se é verdade mesmo. Meu casamento não teve grandes preparativos, foi no civíl tendo por perto só os mais próximos das famílias. Mesmo assim fiquei um pouco nervosa e suei bastante... imagino como deve estar sendo para ela que vai ter vestido, igreja e até um "dia de noiva" para relaxar... muita coisa para se preocupar.
Durante a conversa ela acrescentou ainda que falando com o noivo sobre tamanho nervosismo, o comentário dele era simplesmente: Fica tranqüila, o máximo que pode acontecer é você não me encontrar lá no altar!
Aí, não tô dizendo?! Veja vc se algum príncipe que se preze cogitaria uma piadinha dessas? Pensei na hora: (palavrão) te prepara, viu!... mas... durante o silêncio do palavrão que eu não disse e depois de eu ter contado uma ou outra confusão sobre casamentos, percebi os olhinhos dela me perguntando se mesmo assim valia a pena. Achei graça sozinha por ter "respondido" na mesma hora: "Ah, mas é muito bom!" O mais engraçado foi que não estava mentindo ao dizê-lo e cheguei mesmo a suspirar durante o comentário. Eu, que antes tão zangada com as coisas do coração, com tantos impropérios para dizer, ali naquele breve comentário suspiroso até, que não precisou de nenhum motivo ou explicação que o acompanhasse,voltei a ser pelos finais felizes, voltei a acreditar um pouco num final feliz para mim também.
Tá certo, como disse uma vez um casal de amigos meus, casamento é que nem piscina gelada: fria para caralh... mas todo mundo que está lá dentro fica te chamando para entrar... Mas é bom. Depois que vc entra percebe que pode até ser uma fria, mas só se você não souber esquentar e, estando com quem vc realmente quer estar, não importa quase nada a temperatura...
AI MEU DEUS QUE PIEGAS!!!! OLHA AÍ COMO EU FUI ACHAR DE TERMINAR!!!! SOCOOORRROO!!!! !!!! !! !! !!!!

sábado, 12 de janeiro de 2008

AMOR

Se um dia quiserem saber o que penso e me perguntarem o que acho que é o amor, vou responder que o amor é um casal de velhinhos sentados numa praça para admirar o fim de tarde de um dia qualquer e vestindo suéteres da mesma cor. Talvez fosse mais romântico se a tarde fosse de domingo, mas pode ser de um dia qualquer. Pode ser que dissessem que é um tanto quanto cafona casais que se vestem com as mesmas cores para sairem juntos,mas não saberiam estes que o casal não sabia com antecedência e nem combinara previamente o que vestir. O amor é esse casal que sabe-se tanto, que tão intuitivamente sente um ao outro e por tanto tempo, que coincidentemente vez por outra se veste igual sem perceber. Certamente que quando se viram, aquele senhor e sua senhora, entreolharam-se surpresos ao notar as escolhas iguais. É provável entretanto que nada tenham dito um ao outro ou nenhum comentário se tenha tecido e estendido aos ventos que passassem. É possível que tenham sorrido por dentro, cada um consigo, satisfeitos ao reconhecer uma intimidade até inexplicável, mas gostosa, divertida e duradoura.
Poderia ser que fosse mais amor se ao invés de um fim de tarde fosse um pôr de sol, poderia ser amor mais intenso se eles fossem mais novos, bem mais novos. Muitos outros amores e maiores poderiam ser , mas o amor simplesmente, esse estava ali no casal de velhinhos, num fim de tarde com suéteres da mesma cor, sentados na praça tão juntinhos um do outro que dava gosto de ver.

segunda-feira, 7 de janeiro de 2008

GENTE DE TALENTO 2007

Aqui vai o conto que mandei para o concurso GENTE DE TALENTO 2007 e que foi selecionado para publicação:



Título: Rosamundo

RosamundoAcordou no horário costumeiro. Seu organismo funcionava com pontualidade britânica. O jornal do dia já estava a seu lado e ao pé da cama a bandeja de café da manhã, tudo como sempre. Estranhou entretanto que a esposa não estivesse por perto. Chamou-a : Bem?! Nada. Mulher?! Silêncio. Não há de ser nada, pensou, talvez tenha ido à rua comprar o que falta. Começou a leitura. Ao fim da última página a derradeira tentativa de chamar por ela, Rosa?! Resolveu pelo nome para ver se assim respondia... sem resposta partiu para o café. Era alemão, gostava de café húngaro e pão francês com duas fatias de queijo suíço e procciurto di Parma (uma fatia apenas porque não tinha idade para travessuras). Rosa deixava tudo pronto, todo dia, sempre no mesmo horário para o marido alemão de horários britânicos. Já se acostumara ao ritmo pontual das coisas. Agora parecia já ela própria uma alemã um pouco britânica. Antes não, antes, quando se conheceram Rosa era bem brasileira. De família humilde, nascida e criada na Pavuna e freqüentadora do Maracanã com o pai em dias de jogos do Botafogo. Foi lá que se conheceram, ela e o marido. Ele marinheiro aportara no Rio no mesmo dia para partir dois dias depois. Os amigos o levaram para o espetáculo futebolístico carioca. Na arquibancada perto de onde estavam Rosa, a irmã e o pai, não conseguiu tirar os olhos daquela moça que improvisava passos de samba para comemorar um passe bonito, uma defesa ou um gol. Nunca mais embarcou.Rosa, à época brasileira, da Pavuna, foi aprendendo do mundo do marido conforme aprendia a fazer seu café húngaro, comprar seu pão francês, seu queijo e seu procciurto. Para satisfazer seus gostos culinários e culturais foi tendo daqui e de lá aos pouquinhos alguns novos horizontes. A cerveja belga que ele bebia para assistir jogos do Botafogo e de seu time na terra natal, eles tinham TV a cabo para acompanhar o campeonato europeu, a comida alemã , os filmes italianos e os romances russos... os horários ingleses...Nesse dia seu relógio parecia estar com defeito. O marido chamou-a de novo: Bem?! Mulher?! Nem mais Rosa ela era. Só na derradeira tentativa: Rosa?! Nada. Levantou-se por fim, pela primeira vez em todos os anos de casado teria que levar sozinho sua bandeja à cozinha. Ao passar pela sala viu sobre a mesa um bilhete:Adeus. Cansei de ser seu mundo sem fronteiras, não posso seguir sendo seu instrumento para ficar diariamente revisitando um mundo que eu própria não descobri ainda. Parto para tentar conhecê-lo com meus olhos e levar por ele um pouco de mim brasileira. Se cuide.Não há de ser nada, pensou. Ela volta em alguns dias, quem sabe ainda hoje... Mas Rosa nunca mais voltou, Rosa de fato Globalizou-se.
Bem fiquei toda boba!!
Para os que não acreditam, pode conferir www.gentedetalento2007.com.br . Lá, vá em "confira o resutado"... Literatura - contos... e é só achar meu nome(ainda de solteira Marcella Bueno Aôr).

sexta-feira, 4 de janeiro de 2008

tem certeza de que...?

Por que toda vez a máquina me pergunta se tenho certeza de que desejo apagar esta mensagem, ou excluir este perfil ou ocultar este marcador????? Sabe-se lá quantas vezes eu sozinha já não pensei e repensei: apago ou não apago? excluo ou não ... e por aí vai. Para minha segurança responderão os que consideraram que eu de fato estava fazendo esta indagação idiota... É claro que eu sei que é por segurança, para garantir que eu não tenha simplesmente esbarrado na tecla errada e qq coisa do tipo das distrações momentâneas, mas ocorre que eu acabo pensando: Se já comandei que seja passada a borracha neste arquivo, é porque sim, tenho certeza... Afinal para ter comandado significa que eu, como disse antes, já pensei e repensei "apago ou não apago, excluo ou não... e por aí vai..." Agora aconteceu que eu, numa distração momentânea apertei a tecla errada e considerando que já tinha considerado antes de comandar o que gerou a pergunta pentelha da máquina... apaguei minha lista de postagens anteriores e não sei como recuperá-la ... ... ... IDIOTA! Enfim, só um teste para ver se reencontro.
No ano que passou, ficou gravado para o meu aniversário:
"Faz uma chave, mesmo pequena
Entra na casa.
Consente na doçura,tem dó
Da matéria, dos sonhos e das aves.

Invoca o fogo, a claridade, a música
dos flancos.
Não digas pedra, diz janela
Não sejas como a sombra.

Diz homem, diz criança, diz estrela
Repete as sílabas
onde a luz é feliz e se demora

Volta a dizer homem, mulher, criança
onde a beleza é mais nova."

De Eugénio de Andrade, um português inspirador.
O que virá neste 29 de janeiro?