Se um dia quiserem saber o que penso e me perguntarem o que acho que é o amor, vou responder que o amor é um casal de velhinhos sentados numa praça para admirar o fim de tarde de um dia qualquer e vestindo suéteres da mesma cor. Talvez fosse mais romântico se a tarde fosse de domingo, mas pode ser de um dia qualquer. Pode ser que dissessem que é um tanto quanto cafona casais que se vestem com as mesmas cores para sairem juntos,mas não saberiam estes que o casal não sabia com antecedência e nem combinara previamente o que vestir. O amor é esse casal que sabe-se tanto, que tão intuitivamente sente um ao outro e por tanto tempo, que coincidentemente vez por outra se veste igual sem perceber. Certamente que quando se viram, aquele senhor e sua senhora, entreolharam-se surpresos ao notar as escolhas iguais. É provável entretanto que nada tenham dito um ao outro ou nenhum comentário se tenha tecido e estendido aos ventos que passassem. É possível que tenham sorrido por dentro, cada um consigo, satisfeitos ao reconhecer uma intimidade até inexplicável, mas gostosa, divertida e duradoura.
Poderia ser que fosse mais amor se ao invés de um fim de tarde fosse um pôr de sol, poderia ser amor mais intenso se eles fossem mais novos, bem mais novos. Muitos outros amores e maiores poderiam ser , mas o amor simplesmente, esse estava ali no casal de velhinhos, num fim de tarde com suéteres da mesma cor, sentados na praça tão juntinhos um do outro que dava gosto de ver.
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