Bom, aí vai outro e, a propósito, tem dois contos um está na postagem "GENTE DE TALENTO 2007" e outro em "PARA ME REDIMIR..."
Palco
Uma mulher. A boca borrada de batom vermelho vivo, sangue nas mãos que gesticulam as palavras que profere com ódio e lágrimas a fluir pela face, emoldurada por também sangue, porém seco, que vem dos cabelos sob o manto preto cobrindo-a da cabeça aos pés. Um par de mãos. Dentro da bolsa de vinil vermelha; entraram puras, lisas, sem antecedentes e saíram armadas. Mais medrosas do que vingativas: um provável suicídio.
Dois cenários diferentes, paralelos, parecidos, intercalados por um notívago vão de cortinas fechadas.
Abrem-se as cortinas. Ao fundo um pedestal cor de noite das mais escuras e sobre este, um grande homem grande que deixa ver seu rosto em meio ao fogo que está por trás.
Ao centro: NADA. Na boca de cena ele. Começou por assistir e agora estava abandonado naquele palco. As cenas congeladas prosseguiam atuando-se sem platéia, mas ele não vê. Olha para trás atordoado e percebe o rosto no fogo acenando para que ele prossiga, como um desses conselhos mudos, olhares de pai confiante, pedinte que o filho caminhe agora por si só.
Ele vai. Não sabe como, sabe tudo: falas, tempos, marcações... Segue assim por todo o ato narrando, assistindo, atuando, deixando-se movimentar pelo impulso das grandes ondas de marés mundanas que movem as coisas.
Às vezes, tropeça no ar, nas palavras, nos próprios pés e com o tempo não apenas se levanta, se recompõe, como aprende a rir dos tombos e das falhas contando-as em piada ou criando enredos outros como bifurcações inesperadas ao principal.
Parece sonho, mas só hoje percebeu. Foi hoje sua vez de se descobrir sob essas luzes de uma ribalta particular, lotada de milhares de outros personagens entre atentos, dispersos e desconhecidos. Cada um com seus cenários paralelos, parecidos disparates, mesclando-se a outros confundindo tudo, fazendo o mundo pequeno, clareando tudo. Fogo.
Parece interpretação, engano. Parece sonho,... Mas é.
Um negro prognata, queixo grande postado para frente, camisa verde, um cigarro por acender, sorri com o olhar bêbado e me interrompe ininterruptamente enquanto tento conversar. Sinto que gargalha por dentro, mas, por fora, ri baixo, contendo-se como que sem forças e me diz apontando com os olhos: - Olha lá o cachorro, olha, olha lá... (mais risos).
Minha vez, quem sabe não é a minha chance de descobrir? Estou quase sorrindo junto, apoio-me em sua mão, viro-me, correndo os olhos a buscar o cão e o estou quase vendo quando me acorda minha própria voz, cortando meu sono com a lâmina estridente de um latido repentino e assustado.
Uma mulher. A boca borrada de batom vermelho vivo, sangue nas mãos que gesticulam as palavras que profere com ódio e lágrimas a fluir pela face, emoldurada por também sangue, porém seco, que vem dos cabelos sob o manto preto cobrindo-a da cabeça aos pés. Um par de mãos. Dentro da bolsa de vinil vermelha; entraram puras, lisas, sem antecedentes e saíram armadas. Mais medrosas do que vingativas: um provável suicídio.
Dois cenários diferentes, paralelos, parecidos, intercalados por um notívago vão de cortinas fechadas.
Abrem-se as cortinas. Ao fundo um pedestal cor de noite das mais escuras e sobre este, um grande homem grande que deixa ver seu rosto em meio ao fogo que está por trás.
Ao centro: NADA. Na boca de cena ele. Começou por assistir e agora estava abandonado naquele palco. As cenas congeladas prosseguiam atuando-se sem platéia, mas ele não vê. Olha para trás atordoado e percebe o rosto no fogo acenando para que ele prossiga, como um desses conselhos mudos, olhares de pai confiante, pedinte que o filho caminhe agora por si só.
Ele vai. Não sabe como, sabe tudo: falas, tempos, marcações... Segue assim por todo o ato narrando, assistindo, atuando, deixando-se movimentar pelo impulso das grandes ondas de marés mundanas que movem as coisas.
Às vezes, tropeça no ar, nas palavras, nos próprios pés e com o tempo não apenas se levanta, se recompõe, como aprende a rir dos tombos e das falhas contando-as em piada ou criando enredos outros como bifurcações inesperadas ao principal.
Parece sonho, mas só hoje percebeu. Foi hoje sua vez de se descobrir sob essas luzes de uma ribalta particular, lotada de milhares de outros personagens entre atentos, dispersos e desconhecidos. Cada um com seus cenários paralelos, parecidos disparates, mesclando-se a outros confundindo tudo, fazendo o mundo pequeno, clareando tudo. Fogo.
Parece interpretação, engano. Parece sonho,... Mas é.
Um negro prognata, queixo grande postado para frente, camisa verde, um cigarro por acender, sorri com o olhar bêbado e me interrompe ininterruptamente enquanto tento conversar. Sinto que gargalha por dentro, mas, por fora, ri baixo, contendo-se como que sem forças e me diz apontando com os olhos: - Olha lá o cachorro, olha, olha lá... (mais risos).
Minha vez, quem sabe não é a minha chance de descobrir? Estou quase sorrindo junto, apoio-me em sua mão, viro-me, correndo os olhos a buscar o cão e o estou quase vendo quando me acorda minha própria voz, cortando meu sono com a lâmina estridente de um latido repentino e assustado.
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