quarta-feira, 20 de fevereiro de 2008

+ UM CONTO

Pelo CARNAVAL que passou(quase que há muito), este breve conto que ficou... Ah, para os que não apreciam muito, vou logo avisando: este é cheio de palavrões... (Ops, papai não vai gostar!)

NA CONCENTRAÇÃO

Porra, Betão, me deixa entrar aí, rapá! Não posso, cara, tô na merda aqui, tem neguinho de olho em tudo que é canto. Que isso, meu irmão? Faz três anos que marco presença na avenida, velho. Tu me conhece de outros carnavais. Tô dizendo que não dá,porra. “X-9” pra caralho, não ouviu, não?! Ô betão, qual é, cara, aí dentro eu dou um jeito, fico lá no meião, ninguém vai me ver... Tá surdo, porra? Tô dizendo. Olha em volta e presta atenção, Mané. Tá vendo o Zeca por aí esse ano? Não, porra! O cara foi pro olho da rua, porque deixou a Regininha da Império entrar sem uma ombreira. Uma ombreira, cara e ó que a mulhé é do samba desde que nasceu. Uma ombreira? Ah, Betão não fode! È sério, maluco, tá pensando o quê? ! Carnaval não é mais sair botando o bloco na rua, não. O bicho tá pegando, simpatia. Foda-se, Betão, vou entrar cara... Tá maluco, meu irmão? Olha pra ti ô coisinha. Dou uns dez de tu!
Que isso, velho, tu vai partir pra cima de mim? Tu acha que não? Tenta a sorte pra tu vê! Pô, Betão, na boa... aqui ó cem pratas na tua mão. Cenzinho só pra ti, hein?! Porra, cara, tá me enchendo o saco. Não rola, maluco, te manda, vai. Tu não tem coragem, Betão, qual é, a gente ficou amigo. São só umas peninhas, cara, plumas, sei lá...No adereço de cabeça, caralho! Essa porra aqui não é bagunça, não. Se tu fosse desfilar noutra escola, eu até não embarreirava, mas é a Mangueira, meu irmão.É minha escola, porra. Podia tá faltando um penacho só. Por mim tu não passa. Foda-se, Betão, eu vou entrar, dá licença...Te manda Playboy, tô avisando, cara, eu te conheço. Tu não tem amor porra nenhuma pelo carnaval. Quer entrar só pra se esfregar em mulata. Parece gringo, ô zona sul! Cada ano uma escola diferente, fantasia comprada em setembro, não sabe nem onde fica o barracão. Todo ano a mesma merda, tu chega aqui cheio de marra, cheio de gíria, se sentindo nascido no morro. Vai pra porra. Já disse, é a Mangueira, caralho, minha escola do coração, não sou eu que vou dá motivo pra ela perder ponto. Que isso, Betão? Calma aí, cara! Ta engrossando comigo porque? Essa merda ta caída e tu sabe. Não é só por causa de umas peninhas que faltam na minha cabeça que ela vai perder ponto, não. Tu também tá cheio de onda, escola do meu coração e nhé nhé nhé... Que merda é essa?! Não vai me deixar entra não? É? Vou te mandar a real: essa escolinha aí vai pro segundo grupo, seu merda!


Porra, betão, tá maluco, cara, tu quebrou o meu nariz, caralho!

Que isso, cumpadi, não faz isso comigo não, Betão. Me deixa entrar, cara, pelo amor de Deus...Presta atenção, pô, o amor da minha vida tá aí dentro, velho, na moral... É carnaval, playboy, tá cheio de amor por aí, procura outro. Agora se manda, vai. Vê se acha um lugarzinho pra assistir o show... já que tu veio até aqui não vale a pena perder o espetáculo.

É, já estava por ali, não valia mesmo a pena voltar pra casa. Arrumei um canto até bom, dava pra ver bastante coisa. Só isso. Esse ano foi só isso, fiquei de fora. Só fiz ficar com uma puta dor, o nariz sangrando e vi a Mangueira entrar...
Tive que rir... sozinho. Pior vai ser bolar uma resposta eficiente pra essa piadinha, que com certeza, vou ouvir pra caralho quando essa porra acabar...

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