segunda-feira, 28 de janeiro de 2008

ESTE ANO

Minha casa, 28/01/2008 _23:48 _
Faltam alguns poucos minutos para meu aniversário. Encontrei no meu caderno para este ano:



" No dia do meu aniversário vou deixar um recado assim na caixa postal do telefone: Bom dia, boa tarde ou boa noite, aqui é a Marcella. Hoje não vai ser possível falar comigo. Estou sem sinal! Com licença, mas me reservei o direito de ficar fora do ar no meu aniversário. Desliguei-me de tudo menos dos meus.


Bom, se vc ligou pq já sabia que é meu aniversário, obrigada. Se vc não sabia, agora já sabe e pode ficar a vontade para deixar os parabéns que eu agradeço também.
Se quer saber qual é a boa p/comemoração... se aquiete, não vai ter NADA. Fiquei um pouco cansada de combinar, marcar, chamar e ... esquecerem, não irem, ou simplesmente eu ser sem jeito mesmo para amontoar pessoas... Enfim, se vc é do grupo que sempre lembra, liga e comparece, já viu que não é contigo. Se é do outro grupo, pode ficar sem graça... se quiser, mas não precisa porque eu não estou chateada nem nada, só a fim de ficar na minha. Tenham um ótimo 29 de janeiro e obrigada por ter ligado. (RSRSRSRS) _ Aí... vou deixar bem pouquinho tempo para quem ligou deixar recado!!!
Parece um pouco amargo e na verdade foi com alguma amargura que fiz essa cuspida anotação no meu diário de bordo, mas agora já está tudo bem.
Vou sim desligar meus telefones e não atender o de casa, mas numa boa. Só quero um dia de paz só meu com os meninos e o Rogério e só. Nada nas entrelinhas, nada subentendido, quero aprender a lição do só isso e ser muito feliz com meu dia. É o primeiro dia do ano no meu calendário particular e vai ser muito positivo se eu souber o simples.
Agradeço aos que tentarão, eu tenho certeza, falar comigo. Muito obrigada mesmo e não se sintam ofendidos se eu não responder ou com o fato de que não os atendi... fiquem felizes... Estou tentando uma coisa nova! Quem sabe ano que vem.

sábado, 26 de janeiro de 2008

ANOTAÇÕES

Comecei um diário de bordo. Assim chamo porque nele redijo anotações e direções das minhas coisas mais minhas. Na contracapa, para que nenhum desavisado desavisadamente desse uma de esperto, fui logo deixando avisado:
"Marcella Aôr _ ANOTAÇÕES MUITO MUITO PESSOAIS _ Atenção: Caso tenha encontrado este caderno,POR FAVOR NÃO LEIA(!). Principalmente se me conhece. Caso não resista, por favor FINJA QUE NÃO LEU(!!). Para devolver..."
Não é nada demais, na verdade. Anoto umas gracinhas ditas pelo Bê na idade em que ele está, de descoberta das coisas, relembro a receita de mojitos e caipirinhas e escrevo mais uma meia dúzia de besteiras e idéias, sustos, agonias, nervosismos, surpresas, sorrisos, choros,alegrias e felicidades.
Por exemplo, encontrei lá, com data de 04 para 05/01/2008:
Para forjar momentos de solidão, aos quais me furto quando bate ansiedade:
  • Colocar a cabeça bem debaixo do chuveiro forte, de maneira que só se ouça o som da água batendo nos próprios ouvidos
  • Viajar à noite
  • Quando estiver viajando à noite, no banco do carona (é claro) usar óculos escuros (mais ainda em túneis)
  • Ir ao cinema sozinha
  • Boiar (no mar tanto melhor)
  • Ver o dia nascer (o dia se pondo é para ver a dois)

Coisas assim...

sexta-feira, 25 de janeiro de 2008

UM CONTO...

... Por que alguém me disse: Só tem um conto, p...
Bom, aí vai outro e, a propósito, tem dois contos um está na postagem "GENTE DE TALENTO 2007" e outro em "PARA ME REDIMIR..."

Palco


Uma mulher. A boca borrada de batom vermelho vivo, sangue nas mãos que gesticulam as palavras que profere com ódio e lágrimas a fluir pela face, emoldurada por também sangue, porém seco, que vem dos cabelos sob o manto preto cobrindo-a da cabeça aos pés. Um par de mãos. Dentro da bolsa de vinil vermelha; entraram puras, lisas, sem antecedentes e saíram armadas. Mais medrosas do que vingativas: um provável suicídio.
Dois cenários diferentes, paralelos, parecidos, intercalados por um notívago vão de cortinas fechadas.
Abrem-se as cortinas. Ao fundo um pedestal cor de noite das mais escuras e sobre este, um grande homem grande que deixa ver seu rosto em meio ao fogo que está por trás.
Ao centro: NADA. Na boca de cena ele. Começou por assistir e agora estava abandonado naquele palco. As cenas congeladas prosseguiam atuando-se sem platéia, mas ele não vê. Olha para trás atordoado e percebe o rosto no fogo acenando para que ele prossiga, como um desses conselhos mudos, olhares de pai confiante, pedinte que o filho caminhe agora por si só.
Ele vai. Não sabe como, sabe tudo: falas, tempos, marcações... Segue assim por todo o ato narrando, assistindo, atuando, deixando-se movimentar pelo impulso das grandes ondas de marés mundanas que movem as coisas.
Às vezes, tropeça no ar, nas palavras, nos próprios pés e com o tempo não apenas se levanta, se recompõe, como aprende a rir dos tombos e das falhas contando-as em piada ou criando enredos outros como bifurcações inesperadas ao principal.
Parece sonho, mas só hoje percebeu. Foi hoje sua vez de se descobrir sob essas luzes de uma ribalta particular, lotada de milhares de outros personagens entre atentos, dispersos e desconhecidos. Cada um com seus cenários paralelos, parecidos disparates, mesclando-se a outros confundindo tudo, fazendo o mundo pequeno, clareando tudo. Fogo.
Parece interpretação, engano. Parece sonho,... Mas é.
Um negro prognata, queixo grande postado para frente, camisa verde, um cigarro por acender, sorri com o olhar bêbado e me interrompe ininterruptamente enquanto tento conversar. Sinto que gargalha por dentro, mas, por fora, ri baixo, contendo-se como que sem forças e me diz apontando com os olhos: - Olha lá o cachorro, olha, olha lá... (mais risos).
Minha vez, quem sabe não é a minha chance de descobrir? Estou quase sorrindo junto, apoio-me em sua mão, viro-me, correndo os olhos a buscar o cão e o estou quase vendo quando me acorda minha própria voz, cortando meu sono com a lâmina estridente de um latido repentino e assustado.

quinta-feira, 24 de janeiro de 2008

COMENTÁRIOS

"Sua vida é um saco" comentou meu irmão quando finalmente resolveu visitar-me por aqui. Minha vida é um saco. FODA-SE ... e a propósito muito obrigada, fico feliz que você tenha notado. Se é chato demais para você, se manda. Eu vou ficar aqui, exatamente onde estou feliz em estar, desse jeito.
Podia ser que minha vida fosse ou só um saco ou tudo de bom... Podia ser que eu simplesmente discordasse ou simplesmente nem ligasse... mas não.Vê como as coisas, todas elas, têm muito mais do que simplesmente dois lados?! A verdade é que hoje em dia, a maior parte das vezes para muitas coisas , como essa, eu penso "não gostou, se manda" e de fato não me importo muito... É você que vive a minha vida? Você acha que eu estou infeliz vivendo-a? Não? Só acha chatinha? Ah... então tá, né?!
Então por que me deixou meio assim assim esse comentário?
Lembro-me de ouvir dizer quando era criança, que havia uma palavra que, sozinha, dita na hora certa mudaria o mundo(rs). Lembro-me de ter acreditado (rsrsrsrsrsrsrs gargalhadas). Mais que isso foi tão piamente que depositei fé nesse preceito que por alguns dias, mêses, anos, volta e meia me encucava tentando descobrir que palavra poderia ser essa tão forte, capaz de engendrar uma mudança em todas as coisas...
Fui crescendo e me dando conta de que tal palavra não existe e mais ainda não existe força suficiente que se aplique a uma só palavra que possa mudar o mundo.
Talvez uma frase, pensei, e ... não, também não... Hoje sei que mesmo um discurso, por mais forte e mais veemente que fosse não ocuparia alto posto no hall das grandes tentativas de inspirar grandes mudanças. Sobre a tal palavra, nem pensei que podia estar aquilo que ouvira no lado das mentiras, quando ainda pensava que havia somente mentiras e verdades. Ainda bem. Por não ter considerado essa possibilidade, continuei buscando-a e fui aprendendo essas outras coisas. Continuamos todos. Deve haver alguma coisa no inconsciente coletivo que nos diga que podemos mudar o mundo ou as pessoas no mundo... As vezes percebo um exercício diário e exaustivo por buscar o sarcasmo preciso que vai sacudir a vida do outro e fazê-lo mudar o rumo das coisas.
Muito obrigada, Tarso, por ter tentado. Obrigada mesmo, mas não, obrigada. Não vai ser esse o gatilho AINDA que vou aproveitar, porque POR ENQUANTO (e espero que assim permaneça por um bom tempo) estou satisfeita com minhas coisas. Vou programando minhas mudanças, algumas mais, algumas menos, outras nem tanto nem tão pouco,e vou seguindo por esses meus passos mesmo, mesmo que aos olhos de uns sejam tão tediosos e de outros bastante aventureiros (quem sabe... alguém se habilita?). E agora, já tendo agradecido, devo também me desculpar: sinto muito por ter deixado de tentar encontrar as palavras precisas para dar uns saculejos em você também e ver se você muda umas coisinhas meio blah nessa sua vida u-hu(!!)... foi mal.
Tudo bem, já chega. Botando tudo em pratos limpos, o que interessa é que se uma palvra vale mais que mil ações, um gesto vale mais que mil palavras, como todo mundo está careca de saber. O que valeu mais no final das contas foi o belo gesto do querido irmão de ter dado uma visitadinha, mesmo tendo dito não ter tempo de "ficar lendo bobagens na internet", por ser um " garoto muito ocupado etc etc etc..." . Amei! Isso aí, Brother, way to go! Te amo. Te amo mesmo, viu? Você sabe.

segunda-feira, 21 de janeiro de 2008

PROPAGANDA

Bum! Finalmente tomei coragem, mascarei a vergonha (muita) que tinha na cara, dei-la a tapa e criei um BLOG. O primeiro texto redigi sem muita definição do que faria aqui, o segundo foi ainda mais perdido e aos poucos fui me familiarizando com a idéia. Continuo arriscando só, mas com menos medo. Pensei de vez por outra mostrar neste espaço alguns dos contos e crônicas aos quais me arrisco, contar uma ou outra lorota ou aventura e ver no que dá(esperando, é claro, boa coisa). Decidi espalhar por aí de um jeito diferente: fiz um cartão contendo por informação apenas o endereço do BLOG e mais nada. Mandei por correio _ nada convencional, né?! _ e fiquei esperando. Esperei um pouco mais do esperava esperar mas finalmente... O primeiro comentário, que alegria, minha irmã caçula (como ela mesma assinou) toda satisfeita com o BLOG e com a propaganda do BLOG. Oba, bom sinal! Adorei. Mesmo mesmo. Agora continuo aqui esperando outros efeitos do cartão. Isso aqui é para espalhar mais que fofoca, viu?! Pode falar mesmo, para chegar bem longe mais rápido que notícia ruim... aquela velha piadinha já tão desgastada: "Se gostou conte para os amigos e se não gostou para os inimigos" cai como uma luva para este totalmente despretencioso (eu juro) BLOG. Enfim, não é com nenhum tipo de regularidade que preencho algumas linhas para deixar aqui, mas volta e meia venho e volto e todos são bem vindos a bisbilhotar. É de graça (rsrsrs) fiquem a vontade.
Aguardo ainda algumas pessoas aparecerem: TARSO, TIA VIRGÍNIA, TIA SANDRA, VÓ LETU... VAMOS LÁ, FAMÍLIA, PELO MENOS VOCÊS, NÉ?!

quinta-feira, 17 de janeiro de 2008

PARA ME REDIMIR...

É possível que depois de ler meu texto desforado de ontem, algumas pessoas estejam imaginando que vivo rancorosamente meu casamento ressintindo-me do meu marido vez por outra.Não, não é nada disso(!) e para me redimir aqui vai um conto que escrevi já faz algum tempo, inspirada pura,simples e completamente por meu querido maridinho e que conta de minha vontade que assim permanece:

Meu outro lugar

No corpo do meu marido eu queria estar agora. Que fosse um território eu queria. Um país, um pedaço de terra, um canto da sala. Assim que no corpo do meu marido eu queria estar agora. Como num lugar. Estar como estar no Cazaquistão, no Rio, no pátio, numa rua, no mundo. O corpomundo do meu marido.
Não dentro do corpo, como quem in-corpora, mas no corpo do meu marido abraço. No corpo do meu marido abraços que ele já não me oferece mais quando me vê chorar, corpo terra distante, longe de casa, corpo outro planeta: corpo Plutão. Longe.
Corpo do meu marido quando me busca um pouco desajeitado porque tem pressa em saciar sede e fome de mim. Corpo de terra quente, planeta mercúrio.
Corpo do meu marido relógio na burocracia de horários apertados e conversas só as relevantes. Corpo repartição pública, até prático mas sufocante quando quebra o ar condicionado. Como se o corpo do meu marido uma área; exatas. Razão. Aí já quero um corpo mais mar. Água e sal como das lágrimas, mas sem chorar, porque seria já um corpo mais mulher. Alguma coisa como um corpo que tenha lido Manuel Bandeira e saiba um soluço sem lágrima.
Ele leu Manuel Bandeira e lê. Um corpo do meu marido estante, que me encanta, que prioriza livros. Para livros sempre há espaço e sempre vale gastar com eles dinheiro. O corpo do meu marido um lema: comprar livros não é gastar, é investir.
O corpo do meu marido pernas, braços, peito, rosto. Corpo do meu marido que é corpo do meu marido mesmo. Corpo do meu marido pele dele, que é metade da fronteira do outro de mim. A outra metade minha pele. E quando encostadas, nossas peles, não como um corpo só_ corpoclichê_ mas como uma membrana celular semipermeável. Limite e extravasamento. Corpo do meu marido essas linhas, corpo do meu marido só ele mesmo para me dar uso a um termo da biologia do 2º grau. Corpo do meu marido enfim, onde eu queria estar agora.
Exatamente assim, mas não só, exatamente assim e um pouco mais. Não mais que isso e já muito. Corpo vasto do meu marido, corpo latifúndio, milhas e milhas, continente. Corpo terra do meu marido, corpo do meu marido espaço. Como num lugar. Assim que no corpo do meu marido eu queria estar agora.

quarta-feira, 16 de janeiro de 2008

MUDANÇA DE PLANOS

Hoje,16 de janeiro de 2008, foi meu primeiro dia de férias. Como eu planejara com certa antecedência, deixei as crianças na escola e passei a maior parte do dia arrumando armários. Pretendia passar o dia todo fazendo isso, mas depois de almoçar parei para ver um filme. Depois do final, mais algumas coisas para fazer, o dia já ia quase acabando e eu já pronta para, chegado o fim desse dia, finalmente, sentar-me diante do computador e redigir aqui umas boas linhas negativas e mal humoradas sobre romances e finais felizes... O filme que ocupou minha tarde datava de 1982, ano de uma década de exageros em rompantes amorosos cinematográficos, de muitas cores, de muitas ombreiras, penteados volumosos, xadrez com rosa choque e muitas música cujas letras contam histórias muito românticas. Sem falar é claro em muitos, muitos finais felizes ao som das tais músicas... Vê só como eu fiquei um pouco amarga? Eca!
Começaram a subir as letrinhas e eu me lembrei que sempre fui louca por finais felizes e não entendia como era possível que eles não fossem apreciados por absolutamente todas as pessoas na face da terra... ... ... Aí, aconteceu que me dei conta de que as coisa realmente mudam muito: hoje não só compreendo perfeitamente o time dos não simpatizantes por finais felizes e até mesmo contrários a eles, como por vezes ainda assino embaixo. Ultimamente tem sido por muitas vezes, infelizmente, que me vejo criticando vorazmente os açucarados finais romanticamente musicados.
Entendi que o que eles fazem, esses finais, sendo tão perfeitinhos, é de uma crueldade atroz na maioria dos casos (atenção, eu repito, na maioria dos casos...). Lá estamos nós diante da telinha ou da telona, tanto faz, e de lá saímos deslumbrados, querendo do mundo "mansões, iates, mulheres e cem milhões de dólares", ou um príncipe encantado (mesmo que sem cavalo branco), desses mais modernos personagens que aparecem no seu trabalho no meio do dia sem motivo nenhum, cheios de carinhos e te raptam esfregando na cara de todo mundo como você é amada...Oh! É, de lá saímos deslumbradas e de lá voltamos bruscamente à mais pura realidade.. Qual seja: ACORDA, MULHER... principalmente se você já é casada, a verdade é que a monarquia já era e principado só em mônaco. Aliás, se você encontrar um cavalheiro por aí... (prepare-se para a amrgura total agora), é melhor matá-lo de uma vez, porque a concorrência vai ser com meio mundo - de ambos os sexos - e vai ser muito difícil de aguentar... Assim vc garante que ele não vai ser de mais ninguém e acaba logo com esse mito!!
UUUUFFA!! DESCULPAS. MESMO. 1 MINUTO PARA RESPIRAR.


Tudo bem, exagerei. Mas não se engane, você sabe que seu marido não vai te surpreender com declarações e sequestros relâmpago para um final de tarde romântico a dois... e aí está a crueldade dos finais felizes: embora você saiba da realidade eles insistem em iludir nossos pobres corações e nós caímos feito belas patinhas.
Enfim, já estava eu pronta para dizer umas poucas e boas quando, ao buscar os meninos na escola tive uma conversa com uma das professoras. Ela estava muito nervosa porque vai se casar em poucos, pouquíssimos, dias. Veio me perguntar: É normal isso, né, ficar uma pilha como eu estou agora?
Claro(!), eu respondi.Mas foi meio sem saber se é verdade mesmo. Meu casamento não teve grandes preparativos, foi no civíl tendo por perto só os mais próximos das famílias. Mesmo assim fiquei um pouco nervosa e suei bastante... imagino como deve estar sendo para ela que vai ter vestido, igreja e até um "dia de noiva" para relaxar... muita coisa para se preocupar.
Durante a conversa ela acrescentou ainda que falando com o noivo sobre tamanho nervosismo, o comentário dele era simplesmente: Fica tranqüila, o máximo que pode acontecer é você não me encontrar lá no altar!
Aí, não tô dizendo?! Veja vc se algum príncipe que se preze cogitaria uma piadinha dessas? Pensei na hora: (palavrão) te prepara, viu!... mas... durante o silêncio do palavrão que eu não disse e depois de eu ter contado uma ou outra confusão sobre casamentos, percebi os olhinhos dela me perguntando se mesmo assim valia a pena. Achei graça sozinha por ter "respondido" na mesma hora: "Ah, mas é muito bom!" O mais engraçado foi que não estava mentindo ao dizê-lo e cheguei mesmo a suspirar durante o comentário. Eu, que antes tão zangada com as coisas do coração, com tantos impropérios para dizer, ali naquele breve comentário suspiroso até, que não precisou de nenhum motivo ou explicação que o acompanhasse,voltei a ser pelos finais felizes, voltei a acreditar um pouco num final feliz para mim também.
Tá certo, como disse uma vez um casal de amigos meus, casamento é que nem piscina gelada: fria para caralh... mas todo mundo que está lá dentro fica te chamando para entrar... Mas é bom. Depois que vc entra percebe que pode até ser uma fria, mas só se você não souber esquentar e, estando com quem vc realmente quer estar, não importa quase nada a temperatura...
AI MEU DEUS QUE PIEGAS!!!! OLHA AÍ COMO EU FUI ACHAR DE TERMINAR!!!! SOCOOORRROO!!!! !!!! !! !! !!!!

sábado, 12 de janeiro de 2008

AMOR

Se um dia quiserem saber o que penso e me perguntarem o que acho que é o amor, vou responder que o amor é um casal de velhinhos sentados numa praça para admirar o fim de tarde de um dia qualquer e vestindo suéteres da mesma cor. Talvez fosse mais romântico se a tarde fosse de domingo, mas pode ser de um dia qualquer. Pode ser que dissessem que é um tanto quanto cafona casais que se vestem com as mesmas cores para sairem juntos,mas não saberiam estes que o casal não sabia com antecedência e nem combinara previamente o que vestir. O amor é esse casal que sabe-se tanto, que tão intuitivamente sente um ao outro e por tanto tempo, que coincidentemente vez por outra se veste igual sem perceber. Certamente que quando se viram, aquele senhor e sua senhora, entreolharam-se surpresos ao notar as escolhas iguais. É provável entretanto que nada tenham dito um ao outro ou nenhum comentário se tenha tecido e estendido aos ventos que passassem. É possível que tenham sorrido por dentro, cada um consigo, satisfeitos ao reconhecer uma intimidade até inexplicável, mas gostosa, divertida e duradoura.
Poderia ser que fosse mais amor se ao invés de um fim de tarde fosse um pôr de sol, poderia ser amor mais intenso se eles fossem mais novos, bem mais novos. Muitos outros amores e maiores poderiam ser , mas o amor simplesmente, esse estava ali no casal de velhinhos, num fim de tarde com suéteres da mesma cor, sentados na praça tão juntinhos um do outro que dava gosto de ver.

segunda-feira, 7 de janeiro de 2008

GENTE DE TALENTO 2007

Aqui vai o conto que mandei para o concurso GENTE DE TALENTO 2007 e que foi selecionado para publicação:



Título: Rosamundo

RosamundoAcordou no horário costumeiro. Seu organismo funcionava com pontualidade britânica. O jornal do dia já estava a seu lado e ao pé da cama a bandeja de café da manhã, tudo como sempre. Estranhou entretanto que a esposa não estivesse por perto. Chamou-a : Bem?! Nada. Mulher?! Silêncio. Não há de ser nada, pensou, talvez tenha ido à rua comprar o que falta. Começou a leitura. Ao fim da última página a derradeira tentativa de chamar por ela, Rosa?! Resolveu pelo nome para ver se assim respondia... sem resposta partiu para o café. Era alemão, gostava de café húngaro e pão francês com duas fatias de queijo suíço e procciurto di Parma (uma fatia apenas porque não tinha idade para travessuras). Rosa deixava tudo pronto, todo dia, sempre no mesmo horário para o marido alemão de horários britânicos. Já se acostumara ao ritmo pontual das coisas. Agora parecia já ela própria uma alemã um pouco britânica. Antes não, antes, quando se conheceram Rosa era bem brasileira. De família humilde, nascida e criada na Pavuna e freqüentadora do Maracanã com o pai em dias de jogos do Botafogo. Foi lá que se conheceram, ela e o marido. Ele marinheiro aportara no Rio no mesmo dia para partir dois dias depois. Os amigos o levaram para o espetáculo futebolístico carioca. Na arquibancada perto de onde estavam Rosa, a irmã e o pai, não conseguiu tirar os olhos daquela moça que improvisava passos de samba para comemorar um passe bonito, uma defesa ou um gol. Nunca mais embarcou.Rosa, à época brasileira, da Pavuna, foi aprendendo do mundo do marido conforme aprendia a fazer seu café húngaro, comprar seu pão francês, seu queijo e seu procciurto. Para satisfazer seus gostos culinários e culturais foi tendo daqui e de lá aos pouquinhos alguns novos horizontes. A cerveja belga que ele bebia para assistir jogos do Botafogo e de seu time na terra natal, eles tinham TV a cabo para acompanhar o campeonato europeu, a comida alemã , os filmes italianos e os romances russos... os horários ingleses...Nesse dia seu relógio parecia estar com defeito. O marido chamou-a de novo: Bem?! Mulher?! Nem mais Rosa ela era. Só na derradeira tentativa: Rosa?! Nada. Levantou-se por fim, pela primeira vez em todos os anos de casado teria que levar sozinho sua bandeja à cozinha. Ao passar pela sala viu sobre a mesa um bilhete:Adeus. Cansei de ser seu mundo sem fronteiras, não posso seguir sendo seu instrumento para ficar diariamente revisitando um mundo que eu própria não descobri ainda. Parto para tentar conhecê-lo com meus olhos e levar por ele um pouco de mim brasileira. Se cuide.Não há de ser nada, pensou. Ela volta em alguns dias, quem sabe ainda hoje... Mas Rosa nunca mais voltou, Rosa de fato Globalizou-se.
Bem fiquei toda boba!!
Para os que não acreditam, pode conferir www.gentedetalento2007.com.br . Lá, vá em "confira o resutado"... Literatura - contos... e é só achar meu nome(ainda de solteira Marcella Bueno Aôr).

sexta-feira, 4 de janeiro de 2008

tem certeza de que...?

Por que toda vez a máquina me pergunta se tenho certeza de que desejo apagar esta mensagem, ou excluir este perfil ou ocultar este marcador????? Sabe-se lá quantas vezes eu sozinha já não pensei e repensei: apago ou não apago? excluo ou não ... e por aí vai. Para minha segurança responderão os que consideraram que eu de fato estava fazendo esta indagação idiota... É claro que eu sei que é por segurança, para garantir que eu não tenha simplesmente esbarrado na tecla errada e qq coisa do tipo das distrações momentâneas, mas ocorre que eu acabo pensando: Se já comandei que seja passada a borracha neste arquivo, é porque sim, tenho certeza... Afinal para ter comandado significa que eu, como disse antes, já pensei e repensei "apago ou não apago, excluo ou não... e por aí vai..." Agora aconteceu que eu, numa distração momentânea apertei a tecla errada e considerando que já tinha considerado antes de comandar o que gerou a pergunta pentelha da máquina... apaguei minha lista de postagens anteriores e não sei como recuperá-la ... ... ... IDIOTA! Enfim, só um teste para ver se reencontro.
No ano que passou, ficou gravado para o meu aniversário:
"Faz uma chave, mesmo pequena
Entra na casa.
Consente na doçura,tem dó
Da matéria, dos sonhos e das aves.

Invoca o fogo, a claridade, a música
dos flancos.
Não digas pedra, diz janela
Não sejas como a sombra.

Diz homem, diz criança, diz estrela
Repete as sílabas
onde a luz é feliz e se demora

Volta a dizer homem, mulher, criança
onde a beleza é mais nova."

De Eugénio de Andrade, um português inspirador.
O que virá neste 29 de janeiro?