domingo, 12 de abril de 2009

DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL - IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA

Figura entre as coisas pelas quais eu tinha fascínio quando era pequena e boba. Eu achava o máximo pessoas que diziam “ah, estou sem tempo” ou “não tenho tempo para isso, ou aquilo ou para nada!” e não via a hora de chegar minha vez de ter que declarar imposto.
Coisa de criança e criança bem tola, não? Pois é... O tempo passa, voa, a poupança Bamerindus foi para as cucuias e eis que cresci, não encontro tempo para mais quase nada e declaro imposto e, sinceramente, não vejo a menor graça! Aliás algumas vezes é uma piada de muito mau gosto essa de virar gente grande.
Os dias encurtam, ninguém faz a nossa comidinha, arruma nossa cama, ou passa e dobra nossas roupas, a não ser que a gente pague, as noites ganham motivos aqui e ali para serem mal dormidas, e todo ano tem a declaração de ajuste anual do imposto de renda. Dolorida, dolorosa, dispendiosa (mais a cada ano) e decepcionante, mas não vou eu gastar aqui linhas e mais sobre tudo o que já se tem dito sobre esse vil compromisso anual. Vim só para dizer da minha inocência absurda aos ,sei lá, 10, 12, 13 de idade e da minha posterior triste constatação da realidade sem graça de não ter tempo (ou $$$) para tudo que queremos ou gostaríamos de fazer e perdermos o pouco tempo (ou $$$) que temos com a declaração de ajuste anual do imposto de renda .
Você já fez a sua?

CLICHÊ E DESESPERO

Tenho pensado muito ultimamente sobre o que é isso que sinto por CHICO BUARQUE. É imenso. Imenso que me preencha e me incomode. Existe uma pessoa, o CHICO, que só de pensar naqueles olhos me acalmo, diluo, me disfaço indisfarçavelmente, diante do mais fugaz vislumbrar de seu par de olhos. Mesmo que azuis não fossem eu deles morreria em amores. Alguma coisa naquele rosto, naquela voz que trazem aquelas suas palavras que não sei. Não faço a menor idéia. Nunca nunca que fui de tietar. Olhava com desdém o desvairado fanatismo das amigas dadas ao exagero de pôsteres na parede do quarto. Mesmo de CHICO nunca tive uma foto em caderno que fosse. Uma vezinha só, em bricadeira da edição de maio do jornal da escola, escolhi ele por meu noivo ideal... Mas juro com os pés colados que foi leve, leve. Brincadeira e só. Nem em sonho nenhum pensei de casar com ele e só uma vez o vi de perto, assim, do outro lado da rua em frente ao GARCIA E RODIGUES no Leblon. Deus do céu, foi êxtase puro! Meu pai vinha falando comigo e até parei de ouvir. Na horinha mesmo fiquei sem mais nada, nem voz, nem atenção. Por dentro um histerismo taquicárdico "O CHICO, O CHICO, O CHICO". Acabou. Foi só isso. Me ocupa um baita de um espação, quando penso nele. Não é o tempo todo, nem todo o dia, nem todos os dias, é de vez em quando, mas quando é ...é um negócio.
Até hoje desde que fui apresentada a seus cantares e contos só senti raiva uma vez. Eu (crítica) detestando aquela chatice que me soou sem harmonia nenhuma, do "ela faz cinema, ela faz cinema..."Argh! Colo os pés de novo que não teve ponta de ciúme, só desgostei mesmo.
Desse espaço todo que me toma conta, guardo umas histórias minhas, umas conversas boas, um bocado de coisas, tudas mais, muito mais, para boas. Num dos cantinhos entretanto, fica uma coisa ou outra que me enfurecem um tantinho, umas coisas que eu não sou normalmente, mas que com o CHICO na levada, mudo toda.
Me chateia a idéia disso que sinto cair no clichê universal de mulheres serem loucas por Chico Buarque. Ora essa, não é obsessão mas também não é só isso não... O delas com letra maiúscula, que respeito muito o sentimento de todas, mas o meu em caixa alta! Vê só, fico logo boba. Por exemplo, manifesto-me enfurecida contra covardes agressores de mulheres, mas um dia disseram-me que CHICO batia em Marieta e eu nem nada...Muito feio, eu sei, mas fazer o que... Não senti nem um tiquinho de raiva. Cheguei a forçar desilusão, mas não veio, nunca que chegou. Mais feio que isso é inveja e inveja senti seca de minha rmã, e confessei, ao ver foto em seu quarto de um show dele que ela fora. Não, eu nunca fui a um mísero showzinho daqueles olhos, aquela voz que trazem aquelas suas palavras.
A verdade verdadeira é que hoje já sei sentir-me feliz por minha irmã, mas em alguma caverna de mim se esconde ainda uma pontada viscosa dessa invejazinha boba, que me escapa feito peixe vivo cada vez que tento capturá-lo a tentar dar fim a essa prosa de vez por todas. Ainda bem que sabe minha irmã do quanto gosto dela, senão podia até entristecer.
Marido meu nem se incomoda, ou tenta não se incomodar e debocha dos meus olhos a brilhar mais diante daqueles olhos, aquela voz a trazer aquelas suas palavras.
Encho o peito de ar a não mais poder e quase suspiro caricata, como num filme romântico de segunda(ai-ai). Depois passa, me ocupo de novo de todas as outras coisas e sabe-se lá quando evoco CHICO de novo a me desfazer e apaziguar os ânimos.
Que será que é isso tudo que não dói feito amor as vezes e não desfaz feito papel molhado?

domingo, 5 de abril de 2009

ONBUDSMAN 01- BREVE EXEMPLO-

Há poucas coisas que faço atualmente que se relacionam com a faculdade que cursei: Letras.
Como a modéstia me excede dentre as atitudes que pratico, não considero que este blog seja uma delas. Para falar a verdade seria muitíssimo pretencioso se o considerasse relacionado diretamente às Letras que cursei. Para os que estiverem pensando em dizer "ah, que isso, o blog tem tudo a ver com alguém que fez faculdade de Letras e blá blá blá", admito antes que o digam que sim, INDIRETAMENTE tem a ver com o curso mencionado, afinal trata-se de escrever, de produzir linhas para serem lidas e só por isso.
O que quero dizer é que, desconsiderando o blog, que tenho estabelecido como atividade semanal, restam-me apenas uma(zinha) ou duas (pequenas) atividades ou programações relacionadas ao tema e sem nenhuma regularidade.
Dentre essas esparsas e esporádicas retomadas literárias, encontra-se assistir vez por outra o programa ESPAÇO ABERTO LITERATURA, apresentado por Ediney Silvestre.

Antes de prosseguir, parei por um instante tomando folego. Pensei em talvez, antes de despejar, perguntar se algum dos meus dois ou três leitores conhece o programa, se já o assistiu. Ou talvez eu deva dar uma fuxicada na internet primeiro para saber o que há por lá sobre o programa . Pode ser que o que penso a respeito dele, ou o que tenho sentido vontade de dizer sobre ele já tenha sido dito...mas melhor (ou muito pior) não. Pode ser que eu desanime de dizer também, e aí vou ficar sem assunto neste domingo, devendo mais uma postagem...
Sem mais enrolação, lá vou eu. Tudo começou com um excelente programa em que o citado jornalista entrevistava autores e autoras, algumas vezes criava debates com editores, e durante a entrevista lia algumas linhas dos entrevistados.
Quase tudo seguiu do mesmo jeito, o programa continua ótimo, a escolha dos entrevistados é, na maioria das vezes (dentre as que consigo assistir), impecável, mas... ... ... Mas as leituras de Ediney Silvestre, desculpem, PUTA QUE PARIU! (Foi mal, pai, mas não tinha outro jeito).
Não sei o que ouve no meio do caminho, mas desconfio que tenham sido os elogios. Da maneira como tudo começou, era previsível que o formato fosse ganhar alto conceito e que o apresentador fosse ganhar terreno como literato.
A entonação no princípio, tinha força, verdade, dava carga emotiva às palavras lidas, tinha envolvimento com o texto. Depois, não consigo entender muito bem como, todas as leituras ficaram iguais, sem cor, sem força, todas exatamente com o mesmíssimo ritmo. Parece que uma única fórmula foi escolhida para ser aplicada a inúmeras variáveis.
Tudo ficou com um jeitão de voz de café em livraria, sabe como? Aqueles papos entre pretensos intelectuais, falando meio baixo, meio querendo que os outros ouçam suas brilhantes formulações, num ritmo pausado e com respirações mais demoradas sobrepostas às falas , como quem busca no âmago o grande final para cada frase. AAAAAAAAAAAIIIIIII,como eu sou chata!
Desculpa, aí, Silvestre, perdoe se peguei pesado demais.
Acho uma pena. Com esse tom definitivo que ele adotou, o programa ficou mais travado, ficou formal, pomposo demais. Em vez de ampliar o acesso à literaturas de qualidade, reforçou o status literário elitista.
Por vezes Ediney soa mesmo pedante com seu olhar (clichesérrimo) blasé apontado para o entrevistado, com suas mãos entrelaçadas sobre a mesa e acenando com a cabeça como quem compreende em profundidade a complexidade e as minúcias daquela criação artística. Oh!
As vezes nem é nada disso, mas quem, diante de um cenário destes, de um interlocutor direto tão tchan, vai assumir que "não, na verdade escrever esse livro foi muito tranquilo" ou "minha inspiração veio de uma bobagem bastante cotidiana", ou "olha, se eu te disser que nem sei como foi que isso aconteceu..."? O cara pode até dizer "escrever este romance foi um processo relativamente fácil", ou "Na verdade a idéia central veio de uma imagem bastante frívola" ou ainda "Eu comecei a obra com alguma insegurança mas ela acabou surgindo espontaneamente e foi acontecendo, em certa medida alheia a minha vontade"... E aí danou-se. Quem já não gosta do assunto, quando não vê verdade, muda de canal. Eu mesma confesso que algumas vezes mudei.
Alguns dirão depois de tudo isso "quem não gosta tem mais é que mudar de canal, mesmo" e é verdade, mas é verdade também que o programa tinha tudo para fomentar a literatura com alguma informalidade ainda que com muita classe e, na minha opinião, isso seria bem mais amplo e melhor do que apenas criar mais um espaço para um determinado restrito grupo de pessoas... Mas, ah, que bobagem, esta é só minha humilde opinião, se valesse a pena dar a ela ouvidos, eu estaria sendo lida por mais que três ou quatro (até que está aumentando).