terça-feira, 22 de junho de 2010

Silêncio e uma dor sem fim não sei de onde

Morreu José Saramago. Na sexta-feira, 18/06/2010, num determinado momento da tarde. Não soube que horas. Não soube na hora, nem uma hora depois, nem duas, nem três. À noite, já tarde, chegou-me aos ouvidos " então, se foi o Saramago,né?!"



Pensei baixinho " o quê??", mas nem isso saiu. Silêncio puro, só o barulho da TV, descabido e incômodo e eu quieta os olhos fixos na boca de onde saiu a notícia como se gritassem "repete aí, cara, fala alguma coisa que a garganta tá travada, ela não tá conseguindo falar"...
Não durou um segundo esse espanto, veio logo uma dor estranha, um soluço infantil e vieram lágrimas.
Uma confusão tonta na cabeça. Minha avó materna morreu faz uns dois ou três anos e não chorei na hora assim. Nem uma hora depois, nem duas, nem três. Pra ser bem sincera forcei um pouco o choro no começo e só depois, ao vê-la durante o velório, foi que vieram umas lágrimas espontâneas porém breves.
Não sei o que foi, não sei de onde veio, uma tristeza contííííííííínua, o coração apertado.
Olhos de espanto agora do outro " o que é isso?"
Não sei.
No dia seguinte uma amiga veio comentar trivial " morreu Saramago, né?"
Não chorei de novo, mas de novo fez-se vazio no meu peito num abismo fuuuuuunnnnnndo...

quinta-feira, 10 de junho de 2010

Anotações sobre Paul Gauguin

Ia Orana Maria... um poster da obra na sala (quisera fosse um original...) - cores lindas, graves, algumas espalhafatosas até, mas combinadas com tamanha harmonia que me perco por longuíssimos instantes de frente para aquela genialidade.
Rosas, azuis e amarelos. O vermelho, verdes e mesmo o branco, tudo junto em composiçoes diversas das quais algumas em outros contextos eu acharia risíveis e riria, mas ali ... talvez perdesse ali uma hora se tivesse.